quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

INANIÇÃO AMOROSA




Inanição amorosa 


Há tempos semeio o vazio, grão em grão...
Colho sonhos, dia afora, em verdade...
Repito às forças: à gleba árida, vade!
Adubai vida no celeiro de ilusão...

A dor fala à alma: sou sereno e abrigo...
E um quê de desengano me diz serem vão,
O suor da vontade à minha plantação,
O sacrifício vertido ao joirar do trigo...

Irrigo os olhos de um brilho salgado e morno...
Pois desde que ao campo, o sol doirava,
Sentindo fome, como quem minguava,

Fui lenha e de meu coração fiz forno...
Muito amei, fermentada de sofreguidão... 
Jamais, porém, o amor se me fez pão!

Luciana Nobre