domingo, 10 de abril de 2016

APENAS MAIS UM SONETO




Apenas mais um soneto


Um exegeta exorcista e fanfarrão
Abriu-me umbrais do limbo, insano...inglório
E desterrar-me quis, ou dar-me a salvação,
A paz de versos "livres", novéis, e simplórios...

Não vês!? -bradou-me - que é isto um qual velório?!
Que letras mortas ressuscitas tu em vão?...
Então, a boca de inferno, me encheu Gregório,
Mas pena em punho, Dante me abriu a visão:

Era Augusto Anjo, ao leme de uma nau,
Com Bilac, Baudelaire, Shakspeare, Camões...
Vi Mihai Eminesco e Cruz e Souza às velas...

Me acenam Bocage e Antero de Quental...
Isto "sonetei"... virei-me ao doutor sermões:
- Se eu assim puder morrer, peço uma Florbela...

Luciana Nobre