segunda-feira, 20 de junho de 2016

ABISMO




Abismo
 

Inferno mesmo é amar-te sem juízo
e desse amor sentir a morte em vida
sem nem pensar que ao nada nos convida
sem dar em troca tudo que eu preciso.

Amor que não conduz ao paraíso
deixando-me mais só e desvalida,
enquanto a dor em mim se consolida
enquanto, pouco a pouco, eu me agonizo.

Maldito amor! Eu ardo em pleno inverno
enquanto dentro o peito é frio inferno
e tudo n’alma em chama neva, neva.

Amar-te assim é o meu fatal abismo
e me pergunto mesmo se eu sofismo
acerca desse amor que é a minha treva.

Edir Pina de Barros


NUM BALOIÇAR DE CORAÇÃO TAL UM MENINO





NUM BALOIÇAR DE CORAÇÃO 

TAL UM MENINO


Pela beleza e mistério da natura passeio a dor
E exalto a paixão que habita meu coração.
Num piscar de olhos vejo minha alma em flor.
É o silêncio do universo que me dá outra razão.

É o perfume dos dias que me dá vida.
Pelo seu olor caminho sem destino
E amo cada vez mais a essência tão querida.
Num baloiçar de coração tal um menino.

Sonho o mais-que-perfeito universo a amar.
E sinto cada vez mais a força natura ativa.
É outra alma que me dá energia positiva.

Pela magia do semblante escrevo par a par
E nasce assim uma poesia que habita o mar.
Num mergulhar de azul céu que objetiva.

© RÓ MAR


quinta-feira, 16 de junho de 2016

TEMPERANÇA





TEMPERANÇA 


E antes de acender-se o sol em dia claro
Das copas densas ao ar leve, em rebuliço,
Encantos mil despertam, voam, cantam viço
Meu peito e a palafita tremem, qual disparo... 

Mas tal viver não quero... corro, logo paro…
Me achego à janela… me entrego a um feitiço:
O beijo anil nas nuvens dum ouro maciço
Cortejando a manhã, de brilho azul mais caro...

Me deixo acordar, porém mais lentamente...
Imito o espelho d'agua, que ao redor, à dança,
Lhe vem tirar a luz porque nos quer luzentes...

Quintal inda orvalha e exala esperança...
E longe bem me sinto... talvez diferente...
Capaz de enxergar a tal cor temperança...

Luciana Nobre


PÁSSARO LIBERTO





Pássaro liberto

 
Não quero, não, jantar à luz de velas,
nem liras a gemer candentes versos,
nem toques de candor, os mais diversos,
nem sinos a planger lá nas capelas. 

De nada valem rosas nas janelas,
- jamais perfumarão os meus anversos – 
nem juramentos, sempre controversos, 
pois deixam sempre n’alma dor, sequelas.

Enfim, desejo nada. Eu não desejo
quaisquer promessas. Amo a liberdade
de amar o amor, que é pássaro que voa.

Ai! Deixa-me voar! Que eu sempre adejo
livre nos céus. Eu não suporto grade 
e quero assim viver, voando à toa.


segunda-feira, 13 de junho de 2016

NOITE DE PRIMAVERA


Arte de Rubens Gerchman


NOITE DE PRIMAVERA


Vem a noite no arvoredo
Trás o aroma das plantas. 
Vêm as estrelas a medo,
Devagar tornam-se tantas!

Foste entrando na floresta
Caminhaste até á velha tília
Doirada por ramos de giesta,
Que aí estavam de vigília!

Colocaste-te sob as folhas
Perto dessa fonte adorada;
A água ao cair fazia bolhas!

Depois de beijos abraçados 
Tua fronte acabou deitada
No meu ombro, olhos fechados!

Alfredo Costa Pereira

O TEMPO TEM PERENE SABOR A OURO-LUME


Imagem - Bellissime Immagini



O TEMPO TEM PERENE SABOR A OURO-LUME


O campo move-se em torno da abóbada firme,
O sol espelha-se à face de um vento de trigais,
A vida trepa pelo solo em flor de um perfume
Silvestre e afirma-se pelos madrigais…

Que contemplam a essência natureza
E espelham-se à luz de outras tais poesias…
A vida sente-se ao coração e eleva sua beleza
Pelas almas que escutam boas energias.

O tempo não poderia ser melhor,
A vida espelha-se à estrela maior,
O universo cresce em toda a natureza.

O campo move-se em torno da abóbada firme,
O céu espelha-se à terra de tamanha realeza,
O tempo tem perene sabor a ouro-lume.

© RÓ MAR


domingo, 5 de junho de 2016

MINHA DOCE FADA




"MINHA DOCE FADA"


És tu eternamente a mais qu'rida
A minha flor sem tempo debroada,
Serás por todo o sempre a minha amada,
O meu maior enlevo nesta vida.

Aurora, loura esp'rança renascida,
Que brilha no meu céu feita alvorada,
Rósea felicidade anunciada,
A leda e doce fada enternecida.

És Julieta linda, teu carinho
Venceu a escuridão do meu caminho
Agora tudo em mim tem vida e cor.

A nosso mundo hoje é diferente,
Eu sinto que afinal somos mais gente,
Porque e grande a fulgência deste amor!

Abílio Ferradeira de Brito

AQUELA IDADE




AQUELA IDADE


Um cabeça no ar, um pinga amor,
Inconstante tal qual um catavento,
Que os corações, deixou em sofrimento,
Das moças suspirando ao seu redor…

Romântico, apelava ao sentimento,
Seu hábil álibi conquistador…
De aspecto apaixonado e sedutor,
Dizendo-se de beijos estar sedento!

Foram vários amores, várias paixões!
Foram promessas vãs, desilusões…
Ímpetos naturais daquela idade! 

Mas, ai, foram também prazer imenso,
Para ambas as partes, creio e penso,
Que todos recordamos com saudade!...

sexta-feira, 3 de junho de 2016

ALÉM DOS MEUS LIMITES




ALÉM DOS MEUS LIMITES
 


Não ordene Deus que eu jure
e nem consinta que eu perjure
se a mente cria mil fantasias,
indo das tristezas às euforias.

Não deixe que nada me segure,
mas, antes, que eu aqui mature
tudo aquilo que me traz agonias
e as converta em novas alegrias.

Quero ir bem além dos meus limites,
romper os espaços cinzas e grafites,
completar o esboço deste arcabouço.

Todavia, preciso dum impulso vertical
que me sacuda dessa inércia habitual
e me liberte do meu próprio calabouço.

Silvia Regina Costa Lima