quinta-feira, 16 de junho de 2016

TEMPERANÇA





TEMPERANÇA 


E antes de acender-se o sol em dia claro
Das copas densas ao ar leve, em rebuliço,
Encantos mil despertam, voam, cantam viço
Meu peito e a palafita tremem, qual disparo... 

Mas tal viver não quero... corro, logo paro…
Me achego à janela… me entrego a um feitiço:
O beijo anil nas nuvens dum ouro maciço
Cortejando a manhã, de brilho azul mais caro...

Me deixo acordar, porém mais lentamente...
Imito o espelho d'agua, que ao redor, à dança,
Lhe vem tirar a luz porque nos quer luzentes...

Quintal inda orvalha e exala esperança...
E longe bem me sinto... talvez diferente...
Capaz de enxergar a tal cor temperança...

Luciana Nobre