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sábado, 19 de fevereiro de 2022

A MENSAGEM

 


A MENSAGEM


Voa imbuído de amor o sentimento,
Nas asas da esperança renovada,
Anunciando o romper da madrugada,
Pintado com os tons do encantamento!

Mensageiro da paz tão desejada,
Nos teatros de guerra e sofrimento,
Não passa enfim de pó lançado ao vento,
Que se desfaz no ar e fica em nada!

Mas é uma constante o seu sofrer,
Esta mágoa que sangra e faz doer,
No peito de quem sente a dor alheia!

Aos quatro ventos lança e vai gritando,
As farpas que dispara sempre e quando,
A mente de revolta se incendeia!...

© J. M. Cabrita Neves | 02/2022

domingo, 12 de dezembro de 2021

O CUNHO ARTÍSTICO




O CUNHO ARTÍSTICO


Sei que há leitores que gostam do que escrevo,
Como também os há com outros gostos!
Porém, sem atentar a pressupostos,
Fazer seus julgamentos, não me atrevo!

Gostos não se discutem, são compostos
Do ver e do sentir maior enlevo,
Por esta ou aquela arte e seu relevo,
Tendo atenção à arte e não aos rostos!

Tem o seu próprio cunho cada artista,
Que ao apreciador lhe salta á vista,
Sem precisar de ver a autoria…

Também ficam leitores fidelizados,
Ao lerem onde estão habituados,
Os meus versos que escrevo dia-a-dia!...

© J. M. Cabrita Neves | 12/2021

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

ENTARDECER




ENTARDECER


Olho através da janela o lusco-fusco,
Deixado ao pôr-do-sol no horizonte,
Que observo no infinito aqui defronte,
Quadro que definir no olhar rebusco!

Envolto em tons laranja vejo um monte,
Cuja iluminação de modo brusco,
Lhe dá um lindo ar. - Direi, patusco,
Imagem sem igual que se confronte!

Desejava (pensei) ser um pintor,
Para mostrar na tela este esplendor,
Que não sei por palavras descrever!

Nesta minha janela vejo o mundo,
À luz do sentimento mais profundo,
Toda a magia deste entardecer!...

© J. M. Cabrita Neves | 11/ 2021

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

ERA UMA VEZ…




ERA UMA VEZ…


Era uma vez num reino encantado,
Vivendo em seu jardim alegremente,
Um cravo e uma rosa fluorescente,
Ter-se-ão certo dia enamorado!

Enquanto ali estiveram lado a lado,
Viveram esse amor resplandecente,
Trocando olhares apaixonadamente,
Até que surge um dia inesperado!

A dona do jardim levou a rosa,
Que partiu triste embora esperançosa,
De se reencontrar com seu amor!

Viveu junta de um cardo contrariada,
Até que já velhinha e desfolhada,
Reencontrou o cravo já sem côr!...

© J. M. Cabrita Neves | 2021

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

VISÃO POÉTICA


VISÃO POÉTICA


Se os sonhos fossem todos realidade,
Não se chamavam sonhos ou quimeras,
Os invernos seriam primaveras
E o sol brilhava em vez da tempestade!

Em vez de lavas vinham das crateras,
Fogos de artifício em variedade,
Deixando boquiaberta a humanidade,
Que extasiava vendo imagens veras!…

Se os sonhos acordassem a alegria
E tudo acontecesse por magia,
Seria o mundo então o paraíso!

E nós esses eternos sonhadores,
Vamos lacrimejando os vis horrores,
Mas pintando os desejos num sorriso!...

© J. M. Cabrita Neves | 11/ 2021

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

O NASCER DO SOL




O NASCER DO SOL


Olho o sol a nascer resplandecente,
Inundando de luz a Natureza,
Que exala um doce aroma de pureza,
Que desabrocha em flor serenamente!

Há mais vida, mais cor, maior beleza,
Que só um certo olhar poeticamente,
Diz o que o coração observa e sente,
Com mais carinho, amor, delicadeza!

É um poema a vida em movimento,
É extasiante olhar, deslumbramento,
É harpa dedilhada aos meus ouvidos!

É também um matiz multicolor,
Na tela imaginada de um pintor,
Num intenso deleite dos sentidos!...

© J. M. Cabrita Neves | 10/ 2021

sexta-feira, 5 de junho de 2020

MOMENTO


Imagem: Bellissime Immagini 


COROA DE SONETOS 


Autores: Maria João Brito de Sousa, Laurinda Rodrigues, 
               Maria da Encarnação Alexandre, 
              José Manuel Cabrita Neves e Ró Mar.

*****

MOMENTO


I

Momento. Que pensar de um mero instante
Que é volátil, fugaz e, mal começa,
Já passou, já vai longe e tão depressa
Como se houvera pernas de gigante?

 Impulso que nos leva por diante
E que, ao ser evocado, não regressa?
Torrente que não pára porque avessa
A um tempo pausado e diletante?

Escrevo M e o momento já passou,
No O outro momento despontou
Para esfumar-se mal retomo o M...

Momento é o que o tempo condenou
À efemeridade que não teme;
Quem o tentar prender, já fracassou.

II

"Quem o tentar prender, já fracassou",
O Tempo não se prende: o tempo é nada
Aquele nada que o relógio demarcou
Como sendo a partida e a chegada.

Cheios de medo, os humanos do planeta
Julgam que o tempo lhes conduz a vida
E que lhes marca o tempo de estafeta
Num processo acelerado de corrida.

Quem ousa confrontá-lo com humor
Conhecendo que, ao sentirmos dor,
Apenas é um jogo que brincamos?

Parece louco o que, chorando, ri
E trazendo o prazer dentro de si
Amaldiçoa o tempo que passamos.

III

"Amaldiçoa o tempo que passamos"
Quem desconhece a vida, ou muito a teme;
Bendiz o tempo quem segura o leme
Desta barca da vida em que embarcamos.

Sob um sol que se esconde nos deitamos
Esperando que outro alguém acorde e reme
Em direcção à terra que em nós freme
Enquanto a essa terra não chegamos.

Momentos? Horas? Dias? Quantos meses
Passaram já por nós? Quantas as vezes
Que a nossa barca quase naufragou?

Que monstros enfrentámos? Que rochedos
Se ergueram pressentindo os nossos medos
De um mar que, num momento, se acalmou?

 IV

"De um mar que, num momento, se acalmou"
Entre uma onda e, outra que se espraia
Indo noutro momento dar à praia
E já mais outra onda lá chegou.

Que no mar o momento já passou
E antes que o pensamento no mar caia
E a onda que se alonga a mim me traia
Deixo cada momento que ao mar dou

E por cada momento o sol se deita
Em branco lençol de onda já desfeita
Ora no azul das águas ondulantes

Momentos, só momentos! Tantos são,
Sem podermos guardá-los numa mão
Que todos eles são feitos de instantes.

V

"Que todos eles são feitos de instantes",
Fragmentados no tempo que decorre,
Enquanto um tempo nasce, um outro morre,
Em pequeninos nadas galopantes…

Como uma gota a gota lenta corre,
Ou a luz das estrelas cintilantes,
São pequenas milésimas constantes,
Que lentamente o mostrador percorre…

O tempo não tem tempo nem idade,
Apenas deixa marcas de saudade,
Nas memórias de nós intemporais!

Às vezes passa o tempo tão veloz,
Como o vento que leva a nossa voz,
Mas depois de partir, não volta mais!...

VI

"Mas depois de partir não volta mais"
Podendo, ou não, deixar-nos mergulhados
Em momentos saudosos e magoados,
Ou alegrias incondicionais.

Outros momentos neutros e banais
Passam por nós sem serem detectados
E também esses correm apagados
Pelos que foram mais emocionais.

Cada percurso, disto se compõe,
E se de algum momento alguém dispõe,
Pode o tempo pregar-lhe uma partida,

Invertendo o sentido ao tal momento
Que cozinhado fora em fogo lento
No forno instável duma humana vida.

VII

"No forno instável duma humana vida"
Cozinham-se momentos mal passados
E outros que nem sequer são cozinhados
Por momentos perdidos em corrida

Que a nossa vida é a despedida
Que passa entre momentos alternados
Ora de pousio ora de obrigados
Até que a própria vida é proibida

Sem que saibamos qual é o momento
Nem qual é o lugar de acampamento
E vamos de viagem sem regresso

Deixámos os momentos, que ocupámos
Em veloz movimento, quando amámos
Quantas vezes até em vão sucesso.

VIII

"Quantas vezes até em vão sucesso",
Olhamos para além do que ficou,
Que à palma de uma mão se confinou
E já, porque passou, não há acesso…

Incessante o ponteiro não parou,
Pois e talvez por isso eu envelheço,
Sempre que sem parar eu recomeço,
Dizendo adeus ao tempo que passou!

Cada momento chega e logo vai,
Gravando na memória o que não sai,
Se de facto afectou o sentimento!

Assim a vida são pequenos nadas,
São parcelas de conta inacabadas,
Que voltam na lembrança ao pensamento!...

 IX

"Que voltam na lembrança ao pensamento"
Da forma recorrente, habitual,
Que temos de a nós mesmos dar sinal
Da nossa plenitude ou sofrimento.

Podemos condensar num só momento
E numa imagem bi-dimensional
A vida inteira nesse ecrã mental
Que em nós trazemos desde o nascimento.

Qual novelo de lã, se um fio puxamos
Ao momento acabado de evocar,
Tempos sem fim, por fim, desenrolamos

No que tão só pensámos recordar
E quanto mais puxarmos, mais ganhamos,
Mais perto estamos de nos encontrar.

X

"Mais perto estamos de nos encontrar,"
Com boas memórias e outras não!
Saudades do que vivi quero recordar,
Aceleram o meu pobre coração!

Razões que dão mote mais além
Duma certeza de viagem passageira,
Por uma terra minha e de ninguém,
Enquanto eu não couber na bagageira!

Prestigiando o breve tempo outonal
Passo meu vento adentro da tolice
Momentânea e concebo o intemporal!

Cousa de nada, meu temperamento
Ditando o quão bela é a velhice,
Num instante de luz pelo barlavento!

XI

"Num instante de luz pelo barlavento"
Há rostos que se vêm de passagem
Não fosse de passagem a viagem
E a viagem apenas um momento

Onde mais um dia é o acrescento
A esta delirante aprendizagem
Em que a luz é apenas a mensagem
Que se faz ler em cada pensamento

Que no momento cerca a embarcação
Fazendo-se ao mar alto, no mar chão
Levando para longe os que findaram

Outros ficam na história que se escreve
Como um momento já passado e breve
Mas que muitos sequer iniciaram.

XII

"Mas que muitos sequer iniciaram",
Senão em pouco mais que um breve instante,
Gerado em pensamento circunstante,
Das interrogações porque passaram…

Embrenha-se no espaço o ser pensante,
Tentando simular que ali pararam,
As ideias que à mente se ofuscaram,
Deixando o que era claro, vacilante…

Pensando bem no tempo, na verdade,
Um ai pode durar uma eternidade,
Na memória da dor que o ai causou!

Porém o tempo é estático e não passa,
Nós sim é que vivemos nesta escassa,
Trajectória de vida que passou!...

 XIII

"Trajectória de vida que passou"
Além oceano na barca das tréguas,
Acontecimento que fez história, léguas
P'lo eterno beijo que ao céu chegou!

Todos os heróis nesta breve viagem
Têm medalha honorifica à despedida
E a porta folgada para a outra vida,
Azul eterno duma mera miragem!

Outros são marinheiros d' água doce,
Quedaram! Não ousaram desbravar o mar
A qualquer momento, fosse que tempo fosse!

Os momentos são fenómenos inéditos
Que nos marcam, capazes d' identificar
Todos os rostos, vitórias e tormentos!

XIV

"Todos os rostos, vitórias e tormentos"
Que cada um de nós vivenciou
Durante todo o tempo que passou
Tecendo a sua corda de momentos,

Somando as gargalhadas aos lamentos
E os sonhos ao que a vida lhe negou,
Não deixando esvair-se o que sobrou
De si, dos seus mais belos sentimentos.

Tecendo a corda desta minha vida,
Já perto do momento da partida
Que a cada dia está menos distante,

Sei bem que de momentos foi tecida
E também por momentos é medida;
Momento. O que pensar de um mero instante?

*****

COROA DE SONETOS : "MOMENTO"

I, III, VI, IX, XIV - Maria João Brito de Sousa
II - Laurinda Rodrigues
IV, VII, XI - Maria da Encarnação Alexandre [MEA]
V, VIII, XII - José Manuel Cabrita Neves 
X, XIII - Ró Mar

Horizontes da Poesia | 2020/06/05

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

A DOÇURA DA VELHICE




A DOÇURA DA VELHICE


Bateu-me à porta o frio do vento agreste,
Tentando entrar nas frestas das ombreiras,
Que hoje são podres sobras das madeiras,
Filhas de algum pinheiro, algum cipreste…

Tudo envelhece ao tempo sem fronteiras,
Por mais que se não queira ou se proteste,
Sempre que tal sinal se manifeste,
É de arrumar-se as botas e as chuteiras…

Cabelo branco, rugas, reumatismo,
Lembranças do passado, saudosismo,
Mostram que a caminhada chega ao fim!

Do Outono da vida ao frio inverno,
É-se mais paz, concórdia, amor fraterno!
É-se menos urtiga e mais jasmim!...

© JM Cabrita Neves 

sábado, 1 de setembro de 2018

LIVRO DE POEMAS




LIVRO DE POEMAS


Olho nas minhas mãos um livro aberto!
Bebendo em cada verso um sentimento…
Embevecido, durmo em pensamento,
E no fim da leitura, então desperto…

Há em cada poema um lamento…
Um grito lancinante, no deserto,
De um coração partido e sem conserto,
Procurando no espaço, acolhimento!

Lendo, sinto que sofro as mesmas dores,
As mesmas injustiças e razões,
Os mesmos desabafos e clamores!

Leio nestes poemas: confissões,
Deste poeta e outros sofredores,
No doce viajar das emoções!...

sábado, 25 de agosto de 2018

MAR CALMO


Imagem: Google


MAR CALMO


No Verão, as ondas calmas e serenas,
Que ondulam sobre o mar suavemente,
Desmaiam sobre a areia fina e quente,
Em espuma se espraiando tão amenas!...

O sol que torna as dermes mais morenas!
Que as beldades expõe garbosamente!
Aquece os corações vibrantemente,
Acendendo paixões, de Verão, apenas…

Vem o Outono, o mar fica encrespado!
Quando bate na rocha, assustador!
Tenebroso, imponente, incontrolado…

Parece um outro mar, ameaçador!
Ele que foi no Verão tão desejado
E testemunha foi de tanto amor!...

José Manuel Cabrita Neves

quinta-feira, 5 de julho de 2018

UM OLHAR DIFERENTE




UM OLHAR DIFERENTE


À beira mar a tarde se ameniza,
Num pôr-do-sol em tons crepusculares,
Fazendo bela a imensidão dos mares
E saborosa a sua fresca brisa!

Das ondas escuto suaves marulhares,
Quando fazem das rochas pára-brisa,
Que ao mesmo tempo as molda e as matiza,
Tornando-as esculturas invulgares!

Quando somos sensíveis à beleza,
Vimos com outro olhar a Natureza,
Em tudo o que a compõe e em qualquer parte!

Tudo nos surpreende e nos espanta,
Porque tudo o que é belo nos encanta,
Porque há dentro de nós amor à arte!...

J. M. Cabrita Neves

domingo, 7 de janeiro de 2018

DIZER ADEUS


Imagem - Google


DIZER ADEUS


Aquela sensação que não se explica,
Que nos corrói por dentro o sentimento,
É uma estranha dor, um desalento,
Entre aquele que parte e o que fica…

É transformar o todo num fragmento,
Onde o choroso olhar, triste suplica
E a mão que diz adeus, se multiplica,
Num derradeiro e longo movimento!

Separam-se as memórias de uma vida!
Rasga-se ao meio a folha ressequida,
Pelo terno calor de uma amizade…

Distantes, mas tão perto, tais lembranças,
Pintam de verde os sonhos e esperanças,
Enquanto vão morrendo de saudade!...

J. M. Cabrita Neves

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

MURMÚRIOS




MURMÚRIOS


Cruzam-se olhares, percebem-se desejos…
Afloram pensamentos indiscretos...
No ar pairam canções, sonhos, afectos,
Entre loucas sensuais trocas de beijos…

Relembram-se romances incompletos,
Nos arquivos da mente, nos lampejos,
De momentos sisudos e gracejos,
Ou suspiros recônditos secretos!

Por entre a multidão em movimento,
Há mistos de alegria e de lamento,
Que ficam no silêncio mais atroz!

O amor, a felicidade ou a desgraça,
Misturam-se nas vidas de quem passa,
Pela estrada da vida tão veloz!...

J.M. Cabrita Neves

terça-feira, 24 de outubro de 2017

SERENATA




SERENATA


Vou cantar-te esta noite à luz da lua,
Uma canção que fiz só para nós!
Fala de amor, de quando estamos sós,
E de nós de mãos dadas pela rua…

Nos versos te pintei e te dei voz!
Nos versos te despi e deixei nua!
Numa história de amor, que é minha e tua,
Em ti o meu poema se compôs!

Abre o teu peito amor, vem à janela!
A noite é de luar, serena e bela…
Mostra-me esse sorriso de gaiata!

Escuta ao som de guitarras e de banjos,
Como vindas do céu em vozes de anjos,
Só para ti a minha serenata!...

J.M. Cabrita Neves

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A PARTILHA DO POETA




A PARTILHA DO POETA


Não me pertencem mais os pensamentos,
Que partilho nos meus pobres sonetos!
Deixam de ser só meus, de ser secretos,
Essas partes de mim, esses fragmentos…

Há palavras que sangram meus afectos!
Outras falam de orvalhos e relentos…
De dias soalheiros ou cinzentos,
Ou de fantasmas, sombras e esqueletos…

São emoções relâmpagos da mente!
Rios de angústia presa na corrente,
De mágoas desaguando junto à foz…

São as prisões, amarras e grilhetas,
Que habitam a existência dos poetas,
Até que os sentimentos ganhem voz!...

José Manuel Cabrita Neves

quinta-feira, 16 de março de 2017

CORES DA MINHA VIDA...




CORES DA MINHA VIDA...


Em tons de azul m’inspiro e me enamoro, 
Porque é azul a tinta da caneta!
E porque acho mais triste a tinta preta,
Com ela escrevo as lágrimas que choro!

Com a cor verde, a minha predilecta,
Lembro a mãe Natureza que eu adoro!
Vermelho lembro a guerra que deploro!
De branco pinto anseios de poeta…

Cinzento é o inverno, o tempo frio!
Laranja, só a fruta é que aprecio!
Castanho é o outono, a ventania!

Rosa lembra-me a flor mais popular!
Amarelo é o sol a despontar,
Para me colorir o dia-a-dia!...

José Manuel Cabrita Neves

domingo, 5 de junho de 2016

AQUELA IDADE




AQUELA IDADE


Um cabeça no ar, um pinga amor,
Inconstante tal qual um catavento,
Que os corações, deixou em sofrimento,
Das moças suspirando ao seu redor…

Romântico, apelava ao sentimento,
Seu hábil álibi conquistador…
De aspecto apaixonado e sedutor,
Dizendo-se de beijos estar sedento!

Foram vários amores, várias paixões!
Foram promessas vãs, desilusões…
Ímpetos naturais daquela idade! 

Mas, ai, foram também prazer imenso,
Para ambas as partes, creio e penso,
Que todos recordamos com saudade!...

sábado, 21 de maio de 2016

A DIFERENÇA




A DIFERENÇA


Há fazedores de versos sem medida,
Que dizem ser poesia, pois que seja!
Não contesto, embora não me veja,
A ser um praticante da aludida…

Um soneto me chega e me sobeja,
Sem que a ideia fique comprimida,
Para falar de amor, de paz, da vida,
Conforme o coração sente e almeja!

Entre um poema livre e um soneto,
Ambos a descrever o mesmo afecto,
Porém algo sublime os diferencia:

No combinar da métrica e da rima,
Nasce do poeta a sua obra-prima,
Onde há pleno sentir e há melodia!...

José Manuel Cabrita Neves

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O TEMPO AMADURECE




O TEMPO AMADURECE


Porquê estar a sofrer vivendo apenas:
Eventuais supostos, coisas vãs…
Se o sol irrompe todas as manhãs!
Se há noites de luar, calmas, serenas!

Porquê conjecturar negros afãs,
Dar ouvidos a certas cantilenas…
Se há sempre soluções bem mais amenas,
Como afirmam experientes anciãs!

Porquê precipitar: lágrimas, nervos?…
Porquê tais pensamentos em acervos,
Imaginando tristes desenlaces?

O tempo raciocina, amadurece!
O coração perdoa, a mente esquece
E o sereno rubor regressa às faces!...

José Manuel Cabrita Neves

sábado, 2 de janeiro de 2016

LIBERTAÇÃO




LIBERTAÇÃO


Já não me preocupa mesmo nada,
O que dizem ou pensam sobre mim!
Sou aquilo que sou, nasci assim!
Que importa se o que digo não agrada…

Acho que não sou bom nem sou ruim,
Mas não dou outra face à bofetada…
Nem me deixo incluir na carneirada,
Que só sabe aplaudir e dizer sim…

Quando a razão me assiste não me calo
E mesmo que se zanguem, não me ralo!...
Sou feliz a dizer tudo o que penso!

Têm de me aceitar tal qual eu sou,
Nesta luta interior em que me dou,
Nesta inglória batalha de consenso…

José Manuel Cabrita Neves