segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

FLOR DA TERRA




FLOR DA TERRA


De dentro de uma clareira,
nascerá um novo Arcano -
e mesmo que leve um ano,
será linda luz sobre a areia.

Por sobre toda a cordilheira,
sem haver nenhum engano,
o Bem vencerá o vil profano
para que a Paz surja inteira.

Porquanto, desde Adão e Eva,
a vida é tão cheia de cicatrizes
e o ser humano boia em trevas.

Ah! quem me dera, a Flor da Terra
(senhora de milhares de matizes)
venha oferecer eternas primaveras.

O AMOR NÃO SE APAGA ENQUANTO HOUVER POESIA




“O AMOR NÃO SE APAGA ENQUANTO HOUVER POESIA”


A noite vai caindo. O sol, já moribundo,
De frouxa luz o caminho ainda alumia.
E ouvindo da água o soluçar profundo,
Recordo-te, princesa da minha poesia!

Eis-me junto a ti minha paixão eterna,
Como nos tempos de menino e moço,
A descobrir a beleza da névoa fraterna
Que há dentro em ti, como um esboço!

Ao luar dedilha o grilo, (músico dotado)
As cordas do violão noturno lacrimosas;
Enquanto junto a nós, no jardim ao lado,

Estão em pleno amor os cravos e rosas,
Com cores que a pouca luz esbatesse,
Enquanto o beijo entre nós permanece!

© Alfredo Costa Pereira

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

TÃO PERTO E TÃO LONGE





TÃO PERTO E TÃO LONGE


Tão perto e tão longe meu amor,
A mágoa que me toma não tem fim,
Só tu para acalmar a minha dor,
Como é triste meu bem viver assim.

Tão perto e tão longe eis a verdade,
Como posso eu viver nesta amargura,
Está ao nosso alcance a f’licidade,
És tu minha paixão, minha loucura.

Que posso eu fazer, para vencer,
Tudo aquilo, que tanto faz sofrer
Os nossos corações apaixonados.

Quero me erguer sem torpe, com destreza,
Sem réstia de cansaço ou tibieza,
Vivermos para sempre enamorados.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

NUM DIA DE VINDIMAS


Pintura de José Malhoa


NUM DIA DE VINDIMAS


Setembro, das vindimas pressuposto,
As abelhas zumbem em boda aérea;
O sol está a cantar-te em cada artéria
E vai rosar a palidez do teu belo rosto;

O sol é um sublime pintor aguarelista;
E em teu elogio pintou desta maneira:
De âmbar negro a sombra da parreira;
Os cachos, tons de pedra de ametista;

Já vai muito alta a glória desta manhã;
E agora não sentes? O calor já aperta,
Tenho minha boca seca e tão deserta!

Por mim, só quero uns bagos de romã
Vindos da tua boca amor, entreaberta,
Atenuando minha dor com essa oferta!

Alfredo Costa Pereira

terça-feira, 4 de setembro de 2018

FALA-ME DE AMOR


Bellissime Immagini


FALA-ME DE AMOR, 

DIZ-ME QUE O AMOR EXISTE!


Fala-me de amor, diz-me que o amor existe,
Pois, eu não o vejo! Fala-me de amor
Se é que sabes o que ele é, já o sentiste!
Eu, sinto tanto e nada vejo, vejo dor!

Vejo dor estampada no rosto do mundo,
E, eu que pensei saber tudo sobre o amor
Nada sei! Diz-me que há amor, neste mundo,
Se é que sabes o que ele é, serás tu o autor!

Meu Mestre, autor supremo de meu encanto,
Diz-me que não é utopia, que a vida seja alvorada!
Eu, sinto tanto e nada vejo, vejo verde pranto!

Vejo um mundo invisível, que nem sei se existe,
E, eu que pensei que viveria o amor nesta vida!
Fala-me de amor, diz-me que o amor existe!

© Ró Mar