terça-feira, 4 de julho de 2017

DEI-ME À VIDA





DEI-ME À VIDA


Dei-me à vida e a vida o que me deu?
Um mar de dor, de forte ondulação,
Um mar de mágoas, acre é o meu pão,
Diz-me vida, que vida tenho eu?

Dei-me à vida e a vida me esqueceu,
Andei de lés-a-lés nesta ilusão,
Amei, lutei, sofri, fui bom cristão,
Mas tudo isto nada me valeu.

Tão pouco já me resta desta estrada,
Não tarda que termine a caminhada,
Mendigo endrajado me detenho.

Medito na razão de estar aqui
Porquê que toda a vida eu sofri,
Buscando a f’licidade e não a tenho?

Abílio Ferradeira de Brito

quarta-feira, 21 de junho de 2017

TUDO TEM UM TEMPO E A VIDA É O MOMENTO


Imagem - Bellissime Immagini


 TUDO TEM UM TEMPO E A VIDA É O MOMENTO


Um calor mais que propenso da atmosfera.
Um calor quão frenético das almas e a solidão!
Um calor mui devastador de quão coração,
E nada, nada sobre nada em cinza esfera!

Um calor que se alastra pelos demais ventos.
Um calor que não se dissolve em névoa poesia!
Um calor que se sente e mais que prantos,
E nada, nada sobre nada, resta a angústia!

Um calor por demais que um só momento.
Um calor por demais que devasta tudo.
Um calor por demais que incita o mundo.

Um calor por demais que deixa o sofrimento.
Um calor por demais que deixa a mensagem:
Tudo tem um tempo e a vida é o momento.

© Ró Mar

quarta-feira, 31 de maio de 2017

CARTÃO POSTAL



CARTÃO POSTAL

 
Os meus olhos tentam ser ligeiros
acompanhando a ágil velocidade
do trem (que se afasta da cidade)
correndo por trilhos passageiros.

Invadem-me dezenas de cheiros,
tendo o verde a indicar fertilidade.
Há um rio fluindo com serenidade
por entre as terras de fazendeiros.

Tal qual postal retirado de envelope
bonito, trazendo o tempo devolvido,
eu devaneio como menino crescido;

pois, nessas paisagens tão generosas,
lembro a infância das aleias cheirosas
e de cavalgar livre meu baio a galope.
 
Silvia Regina Costa Lima

quinta-feira, 16 de março de 2017

CORES DA MINHA VIDA...




CORES DA MINHA VIDA...


Em tons de azul m’inspiro e me enamoro, 
Porque é azul a tinta da caneta!
E porque acho mais triste a tinta preta,
Com ela escrevo as lágrimas que choro!

Com a cor verde, a minha predilecta,
Lembro a mãe Natureza que eu adoro!
Vermelho lembro a guerra que deploro!
De branco pinto anseios de poeta…

Cinzento é o inverno, o tempo frio!
Laranja, só a fruta é que aprecio!
Castanho é o outono, a ventania!

Rosa lembra-me a flor mais popular!
Amarelo é o sol a despontar,
Para me colorir o dia-a-dia!...

José Manuel Cabrita Neves

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

ESTE INCRÍVEL AMOR




ESTE INCRÍVEL AMOR
 

Antiga é esta cicatriz (que ainda dói)
tatuada em minha pele eternamente,
uma ferida que sangra e ainda corrói,
um mal que se instalou cronicamente.

Eu tenho vivido à sombra dum herói
que ocupa espaços de minha mente;
isso se transmuda em drama e destrói
todo sabor de poder viver alegremente.

Por qual razão meu ser nunca esquece,
sem contar dia, mês... e nem haver hora
que eu não te (re)lembre em uma prece?

É que só me restou, numa difícil penhora,
este incrível amor que jamais se arrefece
e sempre reaparece ao surgir da aurora!

Silvia Regina Costa Lima