quinta-feira, 4 de setembro de 2014

NUM DIA DE VINDIMAS

 

“NUM DIA DE VINDIMAS”


Nas vindimas desde o final de Agosto,
As abelhas zumbem numa boda aérea;
O sol está a cantar-te em cada artéria
E vai rosar a palidez do teu belo rosto;

O sol é um sublime pintor aguarelista;
E em teu elogio pintou desta maneira:
De âmbar negro a sombra da parreira;
Os cachos, tons de pedra de ametista;

E agora não sentes? O calor já aperta,
Porque vai alta a glória desta manhã;
Tenho minha boca seca e tão deserta!

Por mim, só quero uns bagos de romã
Vindos da tua boca amor, entreaberta,
Atenuando minha dor com essa oferta!

Alfredo Costa Pereira

AO VENTRE DO VENTO


Imagem - Bellissime Immagini 


AO VENTRE DO VENTO


Quando as letras se prendem na memória
E o olhar persiste em escrever uma página
Respira fundo e conta outra história,
A que é a viver sem linhas de rotina!

Quando não houver lapiseira a agendar
Vira a página da memória e escreve
O que observas, não tens outra história
Tão igual e que mais possas recordar!

Encerra o capítulo com teus lábios
E alada ao vento escreve novas páginas,
Pelas sílabas do olhar há verbos sábios!

Quando os olhos lacrimejarem segue
Ao ventre do vento e leva as meninas
A passear pela natureza que ergue!

® RÓ MAR

terça-feira, 2 de setembro de 2014

TEMPOS DE POBREZA NO MEIO DA RIQUEZA


“TEMPOS DE POBREZA

NO MEIO DA RIQUEZA”


No fim de um breve sonho,
Senti-me triste e presumo,
Voar, como trapo tristonho,
Floco de neve ou de fumo!

É que esta cidade maldita,
Consegue dançar de prazer
No meio de gente que tirita
E que nada tem para comer!

Ando até perto das cortinas.
Vejo a chuva cair na vidraça,
Em brincos de pedras finas.

Olho, frio, para quem passa;
E quantas vidas de mendigo, 
Vão à chuva, e sem abrigo!

Alfredo Costa Pereira

O SABOR DE SETEMBRO A RESPIRAR


Imagem - Autumn by Alphonse Mucha 


O SABOR DE SETEMBRO A RESPIRAR


Uma cesta no remate da varanda,
Uma mesa farta de uva moscatel;
O Estio impregnado ao Outono da vida
Que sorve lábios doseando-os a mel.

O vento fátuo e as folhas a tombar;
Virão noites, manhãs quão pequenas
E também grandes fórmulas de amar
Que trepam a vida em taças amenas.

Uma cesta no remate da varanda;
Uma mesa árida a vinho refinado;
O sabor divino ao néctar da vida.

O vento fátuo e as folhas a tombar;
Virão chuvas, quão novo mundo;
O sabor de Setembro a respirar.

® RÓ MAR