quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O TEMPO

O TEMPO



O tempo que não tem princípio e fim,
Assiste a ver passar cada segundo,
No carcomido banco de um jardim,
Olhando na distância o fim do mundo…

Deixou pelo caminho algo de mim,
Desse eu que em mim existe e em mim abundo…
Mistura de diabo e querubim,
Um pobre aristocrata vagabundo…

Passou por mim, nos sonhos de criança,
Que apenas foram sonhos, foram esperança!
De quem ingenuamente acreditou…

Deixou marcas nas mãos e no meu rosto!
Foi alegria, lágrima e desgosto…
Foi tempo desta vida que passou!

José Manuel Cabrita Neves

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

EM PURA HARMONIA COM O UNIVERSO!


Imagem - Bellissime Immagini


EM PURA HARMONIA COM O UNIVERSO!


Sinto meus lábios doces, amanhece!
Meu corpo é pena que voa e estremece
Ao abraço que minha alma sonha, sal
Que invade o ventre e eis a efusão colossal!

Quanto olho, quanto sinto, nada penso,
Possuída pelo mundo que é quão imenso
Levito a brandura a sereno mar
E equaciono o poente pelo largo olhar!

Sinto meu corpo ébrio de tal visão,
Mente fixa ao horizonte e eu em rotação!
Plácido vulcão que eclode à imaginação.

Quando olho nem olho, algo sobrepõe,
Quando beijo, nem beijo, algo compõe!
Labareda de um mar sonho, o sol põe.

® RÓ MAR

NO SILÊNCIO DA NOITE


NO SILÊNCIO DA NOITE


No silêncio da noite, em que me escuto
E ouço da minh’alma os seus lamentos,
Liberto minhas dores e sofrimentos,
D’onde a minha existência é o reduto!

Ouço o choro da falta de alimentos…
Ouço a bala que mata e traz o luto…
Ouço a voz da violência do ser bruto…
Ouço vítimas de actos violentos…

Com lágrimas escrevo este diário,
Sobre este mundo mau e ordinário,
Que se auto destrói e abomina!

E nesta escuridão que me conduz,
Vislumbro ao longe a chama duma luz,
Que sai raiando atrás de uma colina!...

José Manuel Cabrita Neves

sábado, 13 de setembro de 2014

HOMENAGEM A TODAS AS MÃES

 

“HOMENAGEM A TODAS AS MÃES”


Saboreando a Natureza num velho caminho,
Passei por um cruzeiro de pedra carcomida.
Parei, e li o que dizia: ”À minha Mãe querida”
Em letras rotundas, cinzeladas com carinho!

O quadro é pequeno, mas foi grande a ideia;
Ao nascer das madrugadas, no romper do dia
Lá se vão instalar os piscos e canta a cotovia,
Após o canto dos rouxinóis à luz da lua cheia!

Este cenário é simples, singelo e comovente,
E eu percebi agora, porque é que tanta gente
Se enternece e chora, diante deste Cruzeiro:

É porque, quem já não tem Mãe, queria tê-la;
E os que ainda a têm, não querem perdê-la.
As Mães são para os filhos o mundo inteiro!

Alfredo Costa Pereira