segunda-feira, 13 de outubro de 2014

AS OLIVEIRAS


“AS OLIVEIRAS”


Quando se ama, não é pela fala
Que mais se diz, mais se sente;
Porque quando a gente se cala,
É que fala o coração da gente!

Contemplo uma árvore velhinha
A qual volta e meia está em flor;
Penso, comparo-a à vida minha,
Parece a árvore do nosso amor!

Mal andávamos por este mundo,
Logo nos começamos a amar;
E um poço, quanto mais fundo,

Mais água, ele pode armazenar;
Há anos que tua alma me seduz,
A velha oliveira viu-nos vir à luz!

Alfredo Costa Pereira
 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A ESPERANÇA

A ESPERANÇA


Era uma vez na terra de ninguém,
Vivia solitária uma miragem,
Que se desvanecia pela aragem,
Na imaginação vinda do além…

Talvez, de um cavaleiro, fosse a imagem!
Talvez, pela armadura, fosse alguém,
Que há já muito se espera e que não vem,
Trazer a salvação e a coragem!...

Jovem, impetuoso, sonhador,
Quis ser do seu país o salvador
E contra o inimigo foi lutar!

A Esperança sentou-se à sua espera,
Olhos no horizonte da quimera,
Que em denso nevoeiro há-de voltar!...

José Manuel Cabrita Neves

O OUTONO PELO ALPENDRE DE UMA SÓ CALMA


Imagem - Viktoria Mullin Photography


O OUTONO PELO ALPENDRE 

DE UMA SÓ CALMA 


Quando o apagão surge há sempre um céu 
Azul que acolhe a vida, um só chilrear 
De alva luz, encolhe o temível breu; 
Universos, sustenidos de encantar! 

O Outono escreve pela pauta os mais belos 
Poemas, o coração teima escutar 
As letras musicadas pelos alvéolos; 
Que ventos, engenhos doces de amar! 

Linhas cor-de-rosa, que nem as penas, 
Revoando pelo céu, bicos de nova alma; 
Eis o sol das Primaveras de Atenas! 

O Outono pelo alpendre de uma só calma 
É diferente, traz anilhas de asas 
Múltiplas, alegorias em quão praças! 

® RÓ MAR 

MISTÉRIO


“MISTÉRIO”


Correram anos! Muita vez, a espaços.
Foi o acaso que por fim os escolheu,
Fazendo-os cruzar nos seus passos!
Adormecida, a fantasia dele resolveu

Dar-lhe um momento de mais audácia,
Onde meditou para a fitar mais a fundo.
E reconheceu, com tardia perspicácia,
Como o seu amor por ela era profundo!

E nesta faixa do quadro, a cor é o lilás,
Cor da saudade…o tempo não desfaz.
Juntaram-se com a cor do amanhecer!

Resta o futuro, mas não o queiram ver!
Futuro é um sonho muito vago, etéreo,
Não faz parte desta história, é Mistério!

Alfredo Costa Pereira