segunda-feira, 14 de agosto de 2017

REGRESSAM OS SONHOS




REGRESSAM OS SONHOS


A brisa que soprou no meu ouvido
Traz-me novas de esp’rança e amizade;
Depois, leva consigo esta saudade
E lembra o que de bom tenho vivido.

Tal qual o mar, feliz e sem idade,
Tudo na vida tenho conhecido...
Já fui tomado por louco varrido
E renasci da falsa insanidade!

Já regressei a mim, já sou mais eu,
A vida devolveu-me o que levara
E o sol do meu ser reaqueceu...

O sonho, noutro tempo coisa rara,
Regressou ao meu peito e cresceu,
Já me corre nas veias e não pára!

Carlos Fragata

domingo, 23 de julho de 2017

QUANDO HÁ EM CADA CORAÇÃO UM UNIVERSO AMAMOS


Imagem - J'ad' OR


QUANDO HÁ EM CADA CORAÇÃO UM UNIVERSO AMAMOS


Quando há em cada coração passeios, estradas, cidades
Rios, ribeiros, calçadas, ruas, vielas e outras mocidades,
Rotundas, jardins, lagos, ilhas, mares,
Pontes, montanhas, florestas e outros ares,

Somos o que vemos e ainda o que imaginamos,
Correntes de múltiplas fontes onde desenhamos,
O que já vivemos e o que ainda queremos viver.
Sempre que raíz à terra somos o cosmos a crescer.

Somos o que sonhámos e ainda o que sonhamos, 
Sempre que escutamos o nosso coração
E lhe damos a voz através da alma que somos;

Somos o que sentimos e ainda o que espelhamos,
Sempre que respiramos a nossa nação.
Quando há em cada coração um universo amamos.

© RÓ MAR


“AMOR DISTANTE”


Pintura de Berthe Morisot


“AMOR DISTANTE”


Como a estrela-cadente fulgurante,
Passaste pela minha vida inquieta;
E foi por tua causa que sou poeta;
Vivo a cantar o nosso amor distante!

Já não sei se vives longe ou perto,
Onde desfolhas o teu amor, por fim.
Mas estejas onde estiveres, é certo,
Que tu vives sempre dentro de mim.

As noites de luar sabem bem de cor
O que entre beijos loucos me dizias.
A melodia houve sempre neste amor,

Que até a tentei ensinar às cotovias!
Penso nos beijos que te dei um dia,
E nos que não dei, e são a maioria! 

Alfredo Costa Pereira


terça-feira, 4 de julho de 2017

DEI-ME À VIDA

 

DEI-ME À VIDA


Dei-me à vida e a vida o que me deu?
Um mar de dor, de forte ondulação,
Um mar de mágoas, acre é o meu pão,
Diz-me vida, que vida tenho eu?

Dei-me à vida e a vida me esqueceu,
Andei de lés-a-lés nesta ilusão,
Amei, lutei, sofri, fui bom cristão,
Mas tudo isto nada me valeu.

Tão pouco já me resta desta estrada,
Não tarda que termine a caminhada,
Mendigo endrajado me detenho.

Medito na razão de estar aqui
Porquê que toda a vida eu sofri,
Buscando a f’licidade e não a tenho?

Abílio Ferradeira de Brito