segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

A DOÇURA DA VELHICE




A DOÇURA DA VELHICE


Bateu-me à porta o frio do vento agreste,
Tentando entrar nas frestas das ombreiras,
Que hoje são podres sobras das madeiras,
Filhas de algum pinheiro, algum cipreste…

Tudo envelhece ao tempo sem fronteiras,
Por mais que se não queira ou se proteste,
Sempre que tal sinal se manifeste,
É de arrumar-se as botas e as chuteiras…

Cabelo branco, rugas, reumatismo,
Lembranças do passado, saudosismo,
Mostram que a caminhada chega ao fim!

Do Outono da vida ao frio inverno,
É-se mais paz, concórdia, amor fraterno!
É-se menos urtiga e mais jasmim!...

© JM Cabrita Neves 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

FLOR DA TERRA




FLOR DA TERRA


De dentro de uma clareira,
nascerá um novo Arcano -
e mesmo que leve um ano,
será linda luz sobre a areia.

Por sobre toda a cordilheira,
sem haver nenhum engano,
o Bem vencerá o vil profano
para que a Paz surja inteira.

Porquanto, desde Adão e Eva,
a vida é tão cheia de cicatrizes
e o ser humano boia em trevas.

Ah! quem me dera, a Flor da Terra
(senhora de milhares de matizes)
venha oferecer eternas primaveras.

O AMOR NÃO SE APAGA ENQUANTO HOUVER POESIA




“O AMOR NÃO SE APAGA 

ENQUANTO HOUVER POESIA”


A noite vai caindo. O sol, já moribundo,
De frouxa luz o caminho ainda alumia.
E ouvindo da água o soluçar profundo,
Recordo-te, princesa da minha poesia!

Eis-me junto a ti minha paixão eterna,
Como nos tempos de menino e moço,
A descobrir a beleza da névoa fraterna
Que há dentro em ti, como um esboço!

Ao luar dedilha o grilo, (músico dotado)
As cordas do violão noturno lacrimosas;
Enquanto junto a nós, no jardim ao lado,

Estão em pleno amor os cravos e rosas,
Com cores que a pouca luz esbatesse,
Enquanto o beijo entre nós permanece!

© Alfredo Costa Pereira

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

TÃO PERTO E TÃO LONGE





TÃO PERTO E TÃO LONGE


Tão perto e tão longe meu amor,
A mágoa que me toma não tem fim,
Só tu para acalmar a minha dor,
Como é triste meu bem viver assim.

Tão perto e tão longe eis a verdade,
Como posso eu viver nesta amargura,
Está ao nosso alcance a f’licidade,
És tu minha paixão, minha loucura.

Que posso eu fazer, para vencer,
Tudo aquilo, que tanto faz sofrer
Os nossos corações apaixonados.

Quero me erguer sem torpe, com destreza,
Sem réstia de cansaço ou tibieza,
Vivermos para sempre enamorados.