sexta-feira, 10 de julho de 2015

À PROCURA DE UM LUGAR


Imagem – Bellissime Immagine


À PROCURA DE UM LUGAR


O dia é cinza entre as pedras da calçada;
O sorriso é de lima apodrecida pela vida;
A alma é de um mundo que teima em não amar;
E, lá vai ela à procura de um lugar.

Há lugares que não a amam de verdade;
O coração prende à nesga saudade;
O relógio atrasado que não vê a hora;
E, lá vai ela aparando o olhar que chora.

A vida não é um descanso permanente;
O tempo não é cadeira contrapartida;
O mundo nem sempre é lugar sorridente.

O dia é cinza entre as entranhas dela e os pés
Cálices enfermos que flagram vida;
E, lá vai ela pela rua de um coração rés.

® RÓ MAR
 

quinta-feira, 9 de julho de 2015

ENCANTADORA A VIDA QUE ME DESTE”


Arte de Pedro De Negrão Büisel


“ENCANTADORA A VIDA QUE ME DESTE”


Tens canções na boca e beijos no olhar...
Noites de Lua extática, serena, dormente,
Assim tu me inspiraste sob a luz do luar,
Em que nos beijamos apaixonadamente!

Alegres, inebriantes, os beijos de amor 
São como harpejos da boca de uma flor;
Ao pé de mim o teu corpo é lírio aberto
Com graça, sorriso e gosto de um afeto;

Que encantadora foi a vida que me deste!
Por ti saboreei o mel, como tu o quiseste,
Nunca me esqueço das emoções que vivi!

Sou sonho e lenda! Tu és o meu perfume
Com um sorriso faiscante como o lume;
Fecho o soneto onde escrevi o que senti!

Alfredo Costa Pereira

QUANDO SE AMA DIZER NUNCA É IMENSO!


 

QUANDO SE AMA 

DIZER NUNCA É IMENSO!


Quando se ama dizer nunca é imenso!
É um universo bem vivo, que atrofia
Sentidos e prende ao corpo a grafia,
Que a alma eleva pelo céu perplexo e extenso.

Dizer que se perdoa o tão irremediável
É tal dor e latente que não dá margem
Para dúvidas! Mas, nunca é mensurável
Pela parcela de tão alta percentagem.

Dizer que se pensa em um dia perdoar
É altruísta! A falacia, de tão pasmar,
Que impere desassossego pela solidão.

Dizer que se pensa em um dia voltar a amar
É lunático! O ensaio, de tão sonhar,
Que em tempo real mirra o saudoso coração.

® RÓ MAR

quarta-feira, 8 de julho de 2015

NINGUÉM FOGE AO SEU FADO


Óleo de Peregrine Heathcote


“NINGUÉM FOGE AO SEU FADO”


Vi-te ali. Vinhas caminhando
A sair do avião, leve e elegante;
Viraste os olhos para o levante
E meus olhos os teus admirando.

Que bela impressão, penetrante
Me dominou! Um calor brando
Banhou-me as faces, e corando
Saiu um curto sorriso hesitante.

Nesse dia nasceu esta loucura,
Este amor, o que não tem cura,
E que tu o tornaste permanente!

Como ninguém foge a seu fado,
O meu coração ficou destinado
Para amar só a ti e unicamente!

Alfredo Costa Pereira