quarta-feira, 31 de maio de 2017

CARTÃO POSTAL



CARTÃO POSTAL

 
Os meus olhos tentam ser ligeiros
acompanhando a ágil velocidade
do trem (que se afasta da cidade)
correndo por trilhos passageiros.

Invadem-me dezenas de cheiros,
tendo o verde a indicar fertilidade.
Há um rio fluindo com serenidade
por entre as terras de fazendeiros.

Tal qual postal retirado de envelope
bonito, trazendo o tempo devolvido,
eu devaneio como menino crescido;

pois, nessas paisagens tão generosas,
lembro a infância das aleias cheirosas
e de cavalgar livre meu baio a galope.
 
Silvia Regina Costa Lima

quinta-feira, 16 de março de 2017

CORES DA MINHA VIDA...




CORES DA MINHA VIDA...


Em tons de azul m’inspiro e me enamoro, 
Porque é azul a tinta da caneta!
E porque acho mais triste a tinta preta,
Com ela escrevo as lágrimas que choro!

Com a cor verde, a minha predilecta,
Lembro a mãe Natureza que eu adoro!
Vermelho lembro a guerra que deploro!
De branco pinto anseios de poeta…

Cinzento é o inverno, o tempo frio!
Laranja, só a fruta é que aprecio!
Castanho é o outono, a ventania!

Rosa lembra-me a flor mais popular!
Amarelo é o sol a despontar,
Para me colorir o dia-a-dia!...

José Manuel Cabrita Neves

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

ESTE INCRÍVEL AMOR




ESTE INCRÍVEL AMOR
 

Antiga é esta cicatriz (que ainda dói)
tatuada em minha pele eternamente,
uma ferida que sangra e ainda corrói,
um mal que se instalou cronicamente.

Eu tenho vivido à sombra dum herói
que ocupa espaços de minha mente;
isso se transmuda em drama e destrói
todo sabor de poder viver alegremente.

Por qual razão meu ser nunca esquece,
sem contar dia, mês... e nem haver hora
que eu não te (re)lembre em uma prece?

É que só me restou, numa difícil penhora,
este incrível amor que jamais se arrefece
e sempre reaparece ao surgir da aurora!

Silvia Regina Costa Lima


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

MEUS DESEJOS




Meus desejos


São sonhos e quimeras meus desejos,
poemas que meu pensamento ensaia,
escritos sobre rendas e cambraia,
com tintas que eu extraio de teus beijos;

de fato, tenho apenas teus adejos,
prazeres que me espreitam de tocaia, 
volúpia que no leito teu se espraia,
despida de recatos, tolos pejos.

Quimeras que transmuto em doce enlevo,
porque viver sem elas nem me atrevo,
e morreria longe de teu ninho.

Esses delírios de paixão, carinho
que dentro d’alma trago e em mim aninho
são versos de um poema que te escrevo.