domingo, 7 de novembro de 2021

NATAL


COROA de SONETOS NATAL


Autores: RAADOMINGOS, Ró Mar
e ARIEH NATSAC

 
Fotografia de Ró Mar 


Soneto 18 de William Shakespeare


Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

William Shakespeare

* * * * *

NATAL 


I

"Meus versos vivos te farão viver"
E seres todos os dias celebrado
Como hino! O louvor p'lo renascer
Do coração de todo o humanizado.

Teu semblante é sonho a conquistar,
Neste descompassado casarão,
Onde o destempero se ousa embalar
Pela velha canção da eterna união!

A mão, que s' entrelaça numa flor,
Transparece o dia mais quente do ano -
Natal, sopra letrinhas com mui amor...

És estação do Sol no meu piano,
Que consoa no colorido do serão
"Se te comparo a um dia de verão"!

© Ró Mar 

*

II

"Se te comparo a um dia de verão"
Com mais calor humano que beleza
Vejo o mundo p’ra além da criação
Despertando na mais triste pobreza

Há olhos marejados sem ter pão
Olhando o firmamento sem ver nada
Julgando tudo, ser uma traição
Onde existe tanta face descorada

Paz podre num cabaz imaginário
E as doze badaladas no campanário
Recolhe-nos ao mundo bem pequeno

Natividade, Natal, papai noel
Não importa sequer a cor da pele
"És por certo mais belo e mais ameno."

© ARIEH NATSAC

*

III
 
"És por certo mais belo e mais ameno",
Se a Humanidade absorver o teu advento.
A graça está no simples, no sereno;
O presépio é luz, contentamento!

Louvado seja sempre o simbolismo
Que de esperança se vista o menino.
Não surja desta quadra consumismo;
"Navidad" é celebrar o divino!

Descalça as pantufas, calça o sapato;
Procura a celebração duradoura.
Busca o espírito e copia o retrato!

Quem não acolhe com fé a manjedoura
É ar que arreia o sentido cristão...
"O vento espalha as folhas pelo chão"!

© RAADOMINGOS

*

IV

"O vento espalha as folhas pelo chão"
E o céu ilumina o verde pinheiro,
Numa estrela maior, anil ascensão,
Que guia os passos dum sino caseiro;

Eis, que brota a inspiração verdadeira,
Os troncos revestidos de beleza!
Há cores, emoções e uma lareira
Acesa para aquecer qualquer mesa;

Há vida, cheiros de anciãs tradições
E o presépio com imagens divinas;
Em todas as casas há recordações!

Nas ruas há luz e também, tristes sinas,
Quem só tem a graça do "Nazareno"
"E o tempo do verão é bem pequeno"!

© Ró Mar 

*
 
V

“E o tempo de verão é bem pequeno”
Nada visto com quem nasceu no dia,
De Natal, luz de olhar meigo e sereno
Que iluminou o mundo em letargia

A pequenada não se vai conter
O brilho é demais no seu olhar
A história colorida do nascer
Até diferente quando o sol raiar

A pobreza o desnorte a solidão
De quem soluça lágrimas que vão
Decorando passeios de agonia

Passaporte sem festas, pesadelos
Nas calçadas são chãos de paralelos
“Às vezes brilha o sol em demasia”.

© ARIEH NATSAC

*

VI

"Às vezes brilha o Sol em demasia"
Para os que têm a barriga cheia!
Há tantos com ela meia vazia;
Mas, o que lhes importa a vida alheia?

Se a tal providência se encarregasse
De lhes dar o que ao faminto dá;
Quem sabe se também não lhes tocasse,
O que se passa do lado de cá!

Magoa a indiferença nesta data;
Chama que acendia sem combustão;
Dor agonizante que corrói e mata!

A luz que lhes aquece o coração;
Por vezes não suaviza a tristeza;
"Outras vezes desmaia com frieza"!

© RAADOMINGOS
 
*

VII

"Outras vezes desmaia com frieza"
No telhado do lúgubre casebre.
É o tempo que lhe inflige a dureza;
O mesmo, que taciturno a recebe!

Da molécula cristalina e pura
Tem medo que a casa, sua, lhe quebre!
Banham lágrimas a ingénua candura,
No rosto rosado cheio de febre!

Pede na natalina reflexão
Muito pão, uma vida bem melhor;
Sonhos que lhe ocorrem do coração!

Talvez alguém superior, maior,
O ouvisse e lhe trouxesse o que fugia;
"O que é belo declina num só dia"!

© RAADOMINGOS 
 
*

VIII

“O que é belo declina num só dia”
Depois vai-se começa a dura guerra
Do faz de conta obra que atrofia
As belezas já mortas nesta terra

Abrem-se tantos olhos macerados
Pelo poder faminto de quem ferra
Os dentes nos mais injustiçados
Mas, porém, nesta época se enterra

Nos louros doentios sem ter paz
Afogado em beleza de um cabaz
Posto na mesa como uma franqueza

Que se vai refletir naquela noite
Gelada e fria áspero açoite
“Na terna mutação da natureza”.
 
© ARIEH NATSAC
 
*

IX

“Na terna mutação da natureza"
Anunciando o dia da verdade
É dezembro aparece com certeza
Tempo novo uma nova claridade

Natal, dia risonho em cada rosto
O menino nasceu aja alegria
E para todo o mundo foi exposto
Perante o regozijo de Maria

Uma estrela no alto anunciou
Que nascera o rei e se tornou
Um sábio menino meigo e terno

Que teria uma vida atormentada
Enfrenta dolorosa caminhada
"Mas em ti o verão será eterno."

© ARIEH NATSAC

*

X

“Mas em ti o verão será eterno,”
Quando o homem quiser será melhor
E mesmo que se torne um subalterno
Dos seus dias que passam sem amor

Os fracassos ressaltam sem questão
Oriundo das guerras sem memória
Que passam lado a lado em confusão
E ao longo dos séculos sem glória

Tanto dia sombrio passei longe
Dessas multidões, feito um quase monge
Dizendo p’ra comigo o que farás

Perdido sem ver luzes só o escuro
Mas o tempo mudou, não esconjuro
“E a beleza que tens não perderás”.
 
© ARIEH NATSAC

*

XI

"A beleza que tens não perderás"!
Renova o teu interior, dá-te inteiro!
Se fores essa luz não morrerás!
Renascer é caminho verdadeiro!

Perdure no presente o mais fecundo
Sentido de fé, paz e compreensão!
Que cada um plante o melhor neste mundo;
Flores de princípios sem exceção.

Nascerá uma esplendorosa glória;
Amor fraterno, jardim colossal,
Doce corolário, feliz vitória!

Sublime seja o coro de Natal;
Uníssono! Se não soar ao inferno
"Nem chegarás da morte ao triste inverno"!

© RAADOMINGOS 

*

XII

"Nem chegarás da morte ao triste inverno,"
Para aquecer os pobres corações,
Se não cultivares o amor fraterno!
És Natalício se houver afeições!

Nestas alturas é que pensamos
No verdadeiro sentido da vida,
Pena nele não nos debruçarmos
No dia a dia, sararia muita ferida!

O planeta urge a tua real presença,
Agora e sempre, em ponto de igualdade
Para com todos, na saúde e na doença!

Na alegria e tristeza és celebridade!
Na nossa terra (tua) (re)nascerás,
"Nestas linhas com o tempo crescerás."

© Ró Mar
 
*

XIII

"Nestas linhas com o tempo crescerás"
E os sinos celebrarão em alegria;
Repicarão em sintonia voraz,
Acentuando na história este dia!

Entoarão ao mundo o nascimento
Cantando em dobre toda sua glória;
O quão notório é o sentimento;
Que profundo viva em nossa memória!

Nascer para viver em padecimento,
Quando creio que na morte viverás;
É difícil o nosso entendimento!

Mas veio ao mundo por nós! Salvarás!
E agora? Interrogo-me a sofrer;
"E enquanto nesta terra houver um ser"?

© RAADOMINGOS

  *

XIV

"E, enquanto nesta terra houver um ser"
À tua semelhança haverá guarida
P'ra procriar e esperança de viver
Numa natureza de terra erguida!

Ah, estrela guia, que a tua luz não se apague
Antes de encaminhar todo o rebanho!
Neste labirinto de ziguezague
Havemos de encontrar a paz e o ganho!

Alvissaras! Nasceu o Jesus Menino!
E, o dia faz-se o mais bonito do ano,
 Tocam sinos em duo de violino...

Prenúncio afinado do meu piano,
Clave de Sol, por no "Salvador" crer!
“Meus versos vivos te farão viver.”

© Ró Mar 

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COROA de SONETOS NATAL

Autores: RAADOMINGOS, Ró Mar
e ARIEH NATSAC

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Sonetos do Universo | 2021

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

VISÃO POÉTICA


VISÃO POÉTICA


Se os sonhos fossem todos realidade,
Não se chamavam sonhos ou quimeras,
Os invernos seriam primaveras
E o sol brilhava em vez da tempestade!

Em vez de lavas vinham das crateras,
Fogos de artifício em variedade,
Deixando boquiaberta a humanidade,
Que extasiava vendo imagens veras!…

Se os sonhos acordassem a alegria
E tudo acontecesse por magia,
Seria o mundo então o paraíso!

E nós esses eternos sonhadores,
Vamos lacrimejando os vis horrores,
Mas pintando os desejos num sorriso!...

© J. M. Cabrita Neves | 11/ 2021

VAGAS DO TEMPO


VAGAS DO TEMPO


Por vezes as vagas deste tempo,
Sobem ao pico da melancolia,
Em pontos de luz... de momento
As estrelas do céu saltam de alegria!

Existe a liberdade que se conquista,
Na vida entre a esperança e nostalgia
Vai mudando, o passado altruísta
Num abraço de recado, em cada dia!

Levada pelo voo da pomba branca,
Dentro de um saudade que não estanca
A mesma pousou no ombro da ilusão...

No fado dos silêncios partilhado,
Muitas vezes num livro inacabado...
Cantando num grito da inquietação!

© Maria Graciete Felizardo | 11/2021

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

O NASCER DO SOL




O NASCER DO SOL


Olho o sol a nascer resplandecente,
Inundando de luz a Natureza,
Que exala um doce aroma de pureza,
Que desabrocha em flor serenamente!

Há mais vida, mais cor, maior beleza,
Que só um certo olhar poeticamente,
Diz o que o coração observa e sente,
Com mais carinho, amor, delicadeza!

É um poema a vida em movimento,
É extasiante olhar, deslumbramento,
É harpa dedilhada aos meus ouvidos!

É também um matiz multicolor,
Na tela imaginada de um pintor,
Num intenso deleite dos sentidos!...

© J. M. Cabrita Neves | 10/ 2021