quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

FIM DE ANO





FIM DE ANO


 Fim de ano!... Faço nova retrospectiva
de tudo aquilo que eu queria e não fiz.
Pego um lápis... papel... lousa, meu giz
e esboço outra lista de forma negativa.

Ah! Eu sei que deveria ser mais positiva,
achar minhas pérolas... até alguns rubis;
lembrar de perigos que venci por um triz
e - com esta sina - ser mais compreensiva.

Fim de ano! Gostaria de poder esquecer
os desencantos... talvez esse pouco prazer
e ver a vida de um modo menos profundo.

Fechar o jornal com as feridas do mundo,
deixar a dor... todos os dramas para fora
e despertar com amnésia na nova aurora.

Silvia Regina Costa Lima


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

QUE UM DIA SEJA REAL LETRA DE BELEZAS!


Imagem - Bellissime Immagini

    QUE UM DIA SEJA REAL LETRA DE BELEZAS!

                                                                                                                                                   

    Trago letra criva pelo coração
    Há tantos dias quantos os que tem o ano,
    Que prestes a findar, e eu não abro mão,
    Nem ouso beliscar, quiçá outro ano!

    Trago olhar resgatado ao mar, porão,
    Que ecoa tanto quanto as horas do dia,
    Que não finda, e eu escutando sua canção,
    Nem o quero lembrar, quiçá outro dia!

    Nada a dizer por ora, quanta demora!
    Quiçá um outro dia, os lábios sejam flora
    Vigente ao olhar mel, tal e qual outrora!

    Aqui me fico, num mar de incertezas,
    Jubilando a raiz de tais naturezas
    Que um dia seja real letra de belezas!

    ® RÓ MAR

UMA ESTRELA





UMA ESTRELA
(Noite de Natal)
 

A noite dos tempos desceu depressa
e tomou conta da linha do horizonte
cobriu mares, desertos e cada monte
escureceu fronteiras e toda travessa.

Uma estrela brilhou como promessa
com sua luz em forma de uma fonte
ligando o Céu e a Terra feito ponte
- ela tinha linda mensagem expressa.

Ela nos dizia - além de qualquer teoria -
que à partir dali haveria mais Harmonia
e nada mais (jamais) seria algo em vão!

Que uma doce criança estava a caminho
e nunca mais o ser humano seria sozinho
pois, um dia, Ela multiplicaria amor e pão.

Silvia Regina Costa Lima


JESUS BATEU À PORTA




" JESUS BATEU À PORTA "


Jesus bateu à porta, vai abrir,
A tua casa agora tem mais luz,
Jesus só pode vir por bom convir,
Abre depressa a porta ao bom Jesus.

Põe rosas a florir no coração,
Velas bem perfumadas no altar,
Redime-te com fé, pede perdão,
Porque Jesus não pode ai ficar.

Anjos em seu louvor estão cantando,
Trombetas e clarins ouço soando
O céu vestiu um manto de carmim.

A terra despertou engalanada,
À meia noite fez-se a alvorada
E o dia que nasceu não terá fim!

Abílio Ferradeira de Brito

NATAL


Pintura de Van Gogh


“NATAL”


Vejo pessoas lisonjear o mundo, e o vão prazer!
E por este quadro quando passo os olhos meus
Vejo o mundo em sombra, que se está a perder,
Negando a mui...tos o direito de viver, e dizer adeus!

Se essa gente observasse a angústia a instalar-se,
E ouvisse os gritos humanos, impossíveis de conter,
Como se um vinho feito de propósito para endoidecer,
Nos nervos malévolos das pessoas se entornasse!

E tudo isto adquire mais força e significado no Natal!
Na multidão, vemos folhas mortas ao abandono fatal,
Manifestando a sua dor sozinha e desgraçadamente!

Vejo tanta nódoa de lágrima hipocritamente vertida,
E choros verdadeiramente sentidos silenciosamente,
Que são dissimulado em riso, pela injustiça da vida!

Alfredo Costa Pereira

O PAI NATAL


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O PAI NATAL


Ansiosas e fartas de esperar, 
Pelas misteriosas prendas embrulhadas,
Aguardam pelas doze badaladas,
Hora do Pai Natal enfim chegar…

Alguém bateu à porta três pancadas,
Que logo a mãe abriu de par em par…
Em pânico e suspensas sem falar,
As crianças olhavam deslumbradas…

Meio alegres e meio amedrontadas,
A um canto encolhidas a espreitar,
Pareciam estar até desconfiadas…

Porém o pai natal ao tropeçar,
Deixou cair as barbas disfarçadas
E a inocência riu até fartar!...

José Manuel Cabrita Neves

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

MAR PORTUGUÊS




MAR PORTUGUÊS


Foste rota de clãs aventureiros,
A estrada da canela e do marfim,
Muitos pensaram que não tinhas fim…
Fomos, mar, no teu seio, os primeiros!

Levámos Portugal ao mandarim,
Levámos cientistas e negreiros,
Missionários, poetas, marinheiros,
Deportados, fidalgos, tudo, enfim…

Mostrámos novos mundos ao que havia,
Descobrimos as rotas do Brasil,
Vimos as terras de Santa Maria!

Absoluto Senhor de terras mil,
É hoje Portugal terra vazia,
Roubada pelas mãos de gente vil!

Carlos Fragata

O QUE PEDI AO PAI NATAL


Pintura de John William Waterhouse


“O QUE PEDI AO PAI NATAL”


Pedi ao céu as estrelas,
Às rosas pedi frescura,
Ao lírio a sua brancura,
Odor às violetas belas!

Ao mar sua cor azulada,
Á lua, sua luz prateada
Às aves, pedi o seu ar
E suas azas para voar!

Mas o carinho, ternura,
Esse calor de ventura
Do nosso oloroso amor,

Não foi preciso pedir:
Já me deste, bela flor
O teu coração a luzir!

Alfredo Costa Pereira

sábado, 20 de dezembro de 2014

NATAL NA MINHA ALDEIA




Natal na minha aldeia


Saudades dessa minha eterna aldeia
Perdida num recanto, lá no Minho
A natureza as vezes nos premeia
Fazendo-nos lembrá-la com carinho

Como era bom entrar, a casa cheia,
A árvore, os enfeites de azevinho
E na lareira o fogo que se ateia
Pra dar maior conforto ao nosso ninho!

O pai Armando, alegre, dava o mote
E toda a pequenada ia a reboque
Cantando com louvor ao Deus-Menino...

E quando a noite vinha, já sem luz,
Ansiosos esperámos Jesus
Co'as prendas para o nosso sapatinho!

José Sepúlveda

OUTROS NATAIS




OUTROS NATAIS


Tragam o meu Natal em que o Menino
Trazia prendas pobres e singelas,
Mas que recordo como coisas belas
E que aos meus olhos eram ouro fino!

Recordo que colava nas janelas
Um anjo de papel tão pequenino,
Que era no Natal um inquilino
Iluminado por pequenas velas.

Natal era quadra maravilhosa…
Apesar da pobreza que sofri,
Essa noite era bela, radiosa!

Devolvam-me a magia que perdi,
As noites de vigília respeitosa
Desse passado lindo que vivi…

Carlos Fragata

A NOITE DA CONSOADA


Imagem - autor desconhecido


“A NOITE DA CONSOADA”


Vinte e cinco de Dezembro. Inverno frio,
E no entanto a noite é linda e perfumada.
A luz fugiu, depois do sol ficar sem brio,
E longe vem ainda a luz da madrugada!

Na terra sentiu-se que a Meia-noite bateu. 
Na antiga Galileia, lá na terra da Nazaré 
No colo de Maria, o menino Jesus nasceu!
Para outros foi o Pai Natal lá na chaminé!

E quem nessa noite olhasse o firmamento,
Via as estrelas perderem nesse momento
O seu fulgente brilho, e a sua intensa luz,

Ante o clarão suave, a paz, a doce ternura,
A sublime magia, da luz mais bela e pura
Que irradiava, do Pai Natal, ou de Jesus!

Alfredo Costa Pereira