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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

TEMPO DE INOCÊNCIA




TEMPO DE INOCÊNCIA  


E a correr pelos campos verdejantes,
vem a luz do sol matinal... me abraça
dourando todos os trigos ondulantes,
numa cor de ouro sem nenhuma jaça.

Os meus olhos são feito dois mirantes
ou um farol aceso que a tudo devassa
e lembra-me das paisagens distantes:
uma casa... a rua... crianças na praça.

Uma ternura doce e de beleza infinita,
enlaça a minha alma que, ali, se agita
assim inebriada dum deleite profundo.

Esqueço a crise, as dores da vivência,
voltando ao meu tempo de inocência -
na linda manhã que ilumina o mundo!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

AMIZADE





AMIZADE


Ainda tem quem nos contradiga,
mas combateremos a desilusão;
já que, por mais que se desdiga,
o mundo pede é sincera afeição.

Como numa canção bela, antiga,
(e passada de irmão para irmão)
eu acredito é na emoção amiga
que brota em cada bom coração.

E assim - ah! que você me creia,
eu sei que nós venceremos a dor
com todo o Mal que ela permeia.

AMIZADE é terna luz, é o difusor
como, no escuridão, é a candeia
aquecendo a vida com seu calor.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

FLOR DA TERRA




FLOR DA TERRA


De dentro de uma clareira,
nascerá um novo Arcano -
e mesmo que leve um ano,
será linda luz sobre a areia.

Por sobre toda a cordilheira,
sem haver nenhum engano,
o Bem vencerá o vil profano
para que a Paz surja inteira.

Porquanto, desde Adão e Eva,
a vida é tão cheia de cicatrizes
e o ser humano boia em trevas.

Ah! quem me dera, a Flor da Terra
(senhora de milhares de matizes)
venha oferecer eternas primaveras.

sábado, 26 de maio de 2018

QUERIA QUE VOCÊ ESTIVESSE




QUERIA QUE VOCÊ ESTIVESSE 

 
Queria que você estivesse aqui
sentado ao pé de mim, enlevado,
e tendo em seu peito - tatuado -
uma rosa beijada por um colibrí.
 
O que eu sei é que quando me sorri,
aqui um sol se abre no céu nublado
e, no meu Ser, seu Ser é encontrado,
como, no litoral, vive um sambaqui.
 
Meu amado, recrio palavras e versos,
refaço o céu, a paisagem, os espaços,
vendo minha imagem em seus braços.
 
Crio um elo de estrelas dos universos,
e abrigo-o - com flamejante emoção -
ainda que somente no meu coração!
 
Silvia Regina Costa Lima

sexta-feira, 18 de maio de 2018

ÁGUA-BENTA



ÁGUA-BENTA


Eu remexo as cinzas da lareira,
reviro-as a buscar uma inteira
para que aqueça a noite gelada,
pra que serene a alma magoada.
 
Por entre as cinzas e a poeira
há a cheirosa e doce madeira,
que de um quintal foi retirada,
em manhã solar e abençoada.
 
A candeia está apagada agora,
na aproximação de outra aurora
que chega e, lá fora, se anuncia.
 
Visto-me - e a branca vestimenta
foi lavada com mágica água-benta
para afastar toda dor, toda agonia.
 
Silvia Regina Costa Lima

sábado, 24 de fevereiro de 2018

TEMPO DE INOCÊNCIA




TEMPO DE INOCÊNCIA 


E a correr pelos campos verdejantes,
vem a luz do sol matinal... me abraça
dourando todos os trigos ondulantes,
numa cor de ouro sem nenhuma jaça.

Os meus olhos são feito dois mirantes
ou um farol aceso que a tudo devassa
e lembra-me das paisagens distantes:
uma casa... a rua... crianças na praça.

Uma ternura doce e de beleza infinita,
enlaça a minha alma que, ali, se agita
assim inebriada dum deleite profundo.

Esqueço a crise, as dores da vivência,
voltando ao meu tempo de inocência -
na linda manhã que ilumina o mundo!

Silvia Regina Costa Lima 

sábado, 30 de dezembro de 2017

FIM DE ANO



FIM DE ANO
 

Fim de ano!... Faço nova retrospectiva
de tudo aquilo que eu queria e não fiz:
pego um lápis... papel... lousa, meu giz
e esboço a tal lista - de forma negativa.

Ah! Eu sei que deveria ser mais positiva,
achar minhas pérolas... até alguns rubis;
lembrar de perigos que venci por um triz
e com minha sina ser mais compreensiva.

Fim de ano! Gostaria de poder esquecer
os desencantos... também o parco prazer
e ver a vida dum modo menos profundo.

Fechar o jornal - com as feridas do mundo-
deixar a dor... todos esses dramas pra fora
e despertar, com amnésia, na nova aurora.

Silvia Regina Costa Lima

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

ESPÍRITO DE NATAL




ESPÍRITO DE NATAL


E numa caixa muito delicada
coloquei, do ar, uma peninha;
pus, do mar, uma conchinha,
da terra, a semente sagrada.

O amor (na forma consagrada)
eu encaixei ali, nessa caixinha,
porque ela mesma já continha,
o fogo da minha poesia amada.

Senti que reproduzia o mundo
no meu presente tão emotivo,
cheio de significado profundo.

E a minha dádiva sentimental
foi pra que permanecesse vivo
todo o lindo Espírito de Natal!

Silvia Regina Costa Lima

sábado, 23 de setembro de 2017

SETE SEGREDOS




SETE SEGREDOS 


Insone, de passagem pelo sonho,
abro o leque dos sete segredos
e solto-os pelos vãos dos dedos
nos versos que sempre componho.

Se não sei agora onde os ponho,
não é somente por serem medos,
mas por causa de certos enredos
aos quais eu sempre me oponho.

Medonho é quedar assim ausente,
doente, a alma cheia de memória:
o passado enroscado no presente.

Ah! É justamente a tua ausência
que me afeta a vida (e a história)
e me põe aos pés desta demência.

Silvia Regina Costa Lima

quarta-feira, 31 de maio de 2017

CARTÃO POSTAL



CARTÃO POSTAL

 
Os meus olhos tentam ser ligeiros
acompanhando a ágil velocidade
do trem (que se afasta da cidade)
correndo por trilhos passageiros.

Invadem-me dezenas de cheiros,
tendo o verde a indicar fertilidade.
Há um rio fluindo com serenidade
por entre as terras de fazendeiros.

Tal qual postal retirado de envelope
bonito, trazendo o tempo devolvido,
eu devaneio como menino crescido;

pois, nessas paisagens tão generosas,
lembro a infância das aleias cheirosas
e de cavalgar livre meu baio a galope.
 
Silvia Regina Costa Lima

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

ESTE INCRÍVEL AMOR




ESTE INCRÍVEL AMOR
 

Antiga é esta cicatriz (que ainda dói)
tatuada em minha pele eternamente,
uma ferida que sangra e ainda corrói,
um mal que se instalou cronicamente.

Eu tenho vivido à sombra dum herói
que ocupa espaços de minha mente;
isso se transmuda em drama e destrói
todo sabor de poder viver alegremente.

Por qual razão meu ser nunca esquece,
sem contar dia, mês... e nem haver hora
que eu não te (re)lembre em uma prece?

É que só me restou, numa difícil penhora,
este incrível amor que jamais se arrefece
e sempre reaparece ao surgir da aurora!

Silvia Regina Costa Lima


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

POR MEU AMADO




POR MEU AMADO


Qual pássaro cantará sem encanto?
Qual barco não irá para seu canto?
Não sei e irei em busca incessante
por meu amado... por meu amante.

Dizem que o amor dá asas, entanto
eu não penso assim e, por enquanto,
não desejo ter uma paixão distante
ou que encalhe numa maré vazante.

Ah! falam tanta coisa e sou incapaz
de tudo assimilar e ainda sentir paz.
Tanta tolice só me faz irar (e chorar).

Triste de quem deixa o amado partir
e permanece indiferente vendo-o ir,
pois não sabe o que é amar (e zelar).


Silvia Regina Costa Lima

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

ALMA APAIXONADA




ALMA APAIXONADA


 Mesmo que me faltassem flores,
ou que me fechassem os mares,
que as aves sumissem dos ares,
e cinza ficassem todas as cores.

Mesmo assim, nem todas as dores
(ou todos os seus tristonhos pares)
matariam o brilho Alfa de Antares, 
e arrastariam os meus vis temores.

Ah! eu tangeria a lira e um flautim
celebrando a vida com meu Pastor
- sob um perfumado pé de jasmim.

Pois meu bem-querer é via constelada,
cintilando todas as partículas de amor,
em minh'alma entregue e apaixonada!

Silvia Regina Costa Lima

domingo, 11 de setembro de 2016

SETE SEGREDOS




SETE SEGREDOS 


Insone, de passagem pelo sonho,
abro o leque dos sete segredos
e solto-os pelos vãos dos dedos
nos versos que sempre componho.

Se não sei agora onde os ponho,
não é somente por serem medos,
mas por causa de certos enredos
aos quais eu sempre me oponho.

Medonho é quedar assim ausente,
doente, a alma cheia de memória:
o passado enroscado no presente.

Ah! É justamente a tua ausência
que me afeta a vida (e a história)
e me põe aos pés desta demência!

Silvia Regina Costa Lima

quinta-feira, 7 de julho de 2016

AZUL-FAIANÇA




AZUL-FAIANÇA
 

Nasce a noite arrastando a lua
(que resplandece por toda a rua
sendo a rainha dentre os astros)
a colocar, cada qual, de rastros.

Ela vem assim altiva... assim nua
e o seu belo brilho mais se acentua
- se não recua! Cor dos alabastros,
navega no espaço a plenos mastros.

Surgem dez mil estrelas que piscam
e, no Universo, belezas elas riscam
portando o mais majestoso encanto.

O esplendor é tanto que o seu manto
me lembra aquela louça azul-faiança
do tempo de vovó quando era criança.

Silvia Regina Costa Lima

sexta-feira, 3 de junho de 2016

ALÉM DOS MEUS LIMITES




ALÉM DOS MEUS LIMITES
 

Não ordene Deus que eu jure
e nem consinta que eu perjure
se a mente cria mil fantasias,
indo das tristezas às euforias.

Não deixe que nada me segure,
mas, antes, que eu aqui mature
tudo aquilo que me traz agonias
e as converta em novas alegrias.

Quero ir bem além dos meus limites,
romper os espaços cinzas e grafites,
completar o esboço deste arcabouço.

Todavia, preciso dum impulso vertical
que me sacuda dessa inércia habitual
e me liberte do meu próprio calabouço.

Silvia Regina Costa Lima

segunda-feira, 7 de março de 2016

ESTE INCRÍVEL AMOR




ESTE INCRÍVEL AMOR


Antiga é esta cicatriz (que ainda dói)
tatuada em minha pele eternamente,
uma ferida que sangra e ainda corrói,
um mal que se instalou cronicamente.

Eu tenho vivido à sombra de um herói
que ocupa os espaços de minha mente
e isto se transmuda em drama e destrói
todo sabor de poder viver alegremente.
Por qual razão meu ser nunca esquece,
sem contar dia ou mês e nem haver hora
que eu não te (re)lembre em uma prece?

É que só restou, em uma difícil penhora,
este incrível amor que jamais se arrefece
e sempre permanece ao surgir da aurora!

Silvia Regina Costa Lima


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A LÁGRIMA




A LÁGRIMA

 
Quem dera acender minha vida
numa estrela de variadas pontas,
e como num desses 'faz-de-contas',
eu me sentisse sua amada querida.

Em uma prece já bem conhecida,
no rolar do tato das doces contas,
as minhas mãos escorregam tontas
- em um belo rosário sem medida.

Junto à suave imagem da Santa,
eu murmuro todo grande anseio -
e o nome que trago no meu seio.

Um tal amor me agita e espanta
até ver a lágrima muito amorosa
cair também da Mater dolorosa!*
 
Silvia Regina Costa Lima
 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

TEMPO DE INOCÊNCIA




TEMPO DE INOCÊNCIA
 

E a correr pelos campos verdejantes,
vem a luz do sol matinal (me abraça)
dourando todos os trigos ondulantes,
numa cor de ouro sem nenhuma jaça.

Os meus olhos são feito dois mirantes
ou um farol aceso que a tudo devassa,
e lembra-me das paisagens distantes:
uma casa... a rua... crianças na praça.

Uma ternura doce, de beleza infinita,
enlaça minha alma que, ali, se agita
- inebriada por um deleite profundo.

E esqueço a crise (dores da vivência)
voltando ao meu tempo de inocência -
na linda manhã que ilumina o mundo!
 
Silvia Regina Costa Lima
 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

CUBRAM-ME DE ROSAS



CUBRAM-ME DE ROSAS
 

Cubram-me de rosas agrestes
no dia em que me for - sozinha -
feito uma alma que ali caminha,
nua, e sem suas terrenas vestes.

Cubram-se de rosas e ciprestes,
num arranjo de laços com fitinha,
murmurando uma mágica ladainha,
sob o azul de cinco arcos celestes.

Não conteste: se eu mudar de porto,
apenas o meu cansaço estará morto,
se só deste lado não sinto ou sorrio.

Ainda assim eu quero rosas delicadas
margeando as minhas novas estradas,
como se então navegasse o florido Rio.
 
Silvia Regina Costa Lima