segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

VEM A MEUS BRAÇOS


Imagem - Iván Slavinsky - Sensuality in Art


VEM A MEUS BRAÇOS


Vem a meus braços, quebra esta incerteza
Que faz bater tão forte o coração,
Traz luz à minha pobre escuridão,
Arranca do meu rosto esta tristeza.

Vem rasgar este véu de tibieza
Que tudo em mim destrói sem compaixão,
Arranca do meu peito esta ilusão,
Que traz amargo pão à minha mesa.

Vem meu amor, e traz felicidade,
Nem lembranças remotas, nem saudade,
Apenas, tão-somente amor sincero.

Traz-me rosas vermelhas no olhar
E muito amor… amor, para me dar,
É tudo nesta vida o que mais quero.

Abílio Ferradeira de Brito

MISTÉRIO DE EXISTÊNCIA E SEDUÇÃO


Pintura de John Everet Milais


“MISTÉRIO DE EXISTÊNCIA E SEDUÇÃO”


A neve caiu devagar, branca silenciosa,
Tal como a tarde, em flocos de algodão,
Lançando sobre a terra, manta formosa
Fria, cobrindo-a com meiga ondulação.

E a que se deve este mistério e sedução:
O céu lacrimejar a terra, silenciosamente
Com neve alva na vez da chuva ausente;
Pétalas brancas serão de flores de ilusão?

E a neve choramingando o seu destino
Torna a terra árida, apagando caminhos
Para pobres caminhantes e peregrinos!

A neve sendo bela, tudo gela e entristece,
E pintada de branco, a paisagem fenece
Com laivos vistosos de cetim e arminho!

Alfredo Costa Pereira

ALMA PURA


Imagem: Bellissime Immagini

ALMA PURA


Ó alma pura em tão pálido rosto!...
Ocultada no vil rubor de um manto…
Cerrais os teus olhos no etéreo mosto,
Cantando ternos versos do meu pranto!…

Lá no alto, erguida... Ó alma que ora!...
Curvada. Nos Céus, eleva, esquecida…
Essência solta pelo cosmos fora,
Veios d´amor e ternura sentida!…

Crendo desta vida a temperança…
De jamais ver morrer toda a esperança
Que um belo dia o Universo viu nascer:

Prós tristes e pobres, a real magia…
Para todos os caminhos, a alegria…
De um novo mundo em seus olhos ver!...

Helena Martins

INSTINTO ANIMAL




INSTINTO ANIMAL


Sinto no coração como um aperto…
Uma certa impotência me estrangula!
Um querer e uma barreira que o anula!
Uma luta inglória pelo certo…

Um desespero, em mim, já se acumula!
Não têm conta as lágrimas que verto,
De cada vez que fico boquiaberto,
Em mais uma notícia que circula!

São as crianças frágeis, qual cristal,
Que o homem com instinto animal,
Maltrata e utiliza brutalmente!

A sua graça, o riso, a alegria,
Que tanto nos anima e contagia,
No seu rosto se apagam tristemente!...

José Manuel Cabrita Neves