terça-feira, 29 de julho de 2014

A FLOR QUE HÁ EM TI... É POESIA


Imagem - Janet Hill 


A FLOR QUE HÁ EM TI... É POESIA


A flor que há em ti é fruto de oliveiras passadas!
É a frescura de verdes campos tão sonhados;
É tule que cobre os peitos febris de vidas;
É a voz de almas silentes que apregoam os amados!

A flor que há em ti não é uma flor qualquer!
É a vida que é tão ser e quer viver;
É a amazona de verdes campos, elegia.
É a melodia serena de um outro dia.

A flor que há em ti planeia pelo teu olhar!
É sangue às veias em baladas que entoam;
É o singelo gesto que encanta pelo ar.

A flor que há em ti é tela que cintila ao coração!
É a paisagem sonhada em tempo real e tão cortesia;
É a luz que dedilha o mundo… é poesia.

® RÓ MAR

 

A IDADE DO SABER


Foto: images a idade do saber


A IDADE DO SABER


Quando a noite tombar escura e fria…
Quando o cabelo negro branquear…
Quando a pele do rosto se enrugar…
Quando a saúde já não for sadia…

O fim da linha está-se a aproximar!
É hora de oferecer sabedoria!
De ensinar ao mundo que a alegria,
Se constrói com os verbos dar e amar…

É hora de pesar numa balança,
Os erros e as certezas que há na vida
E deixar o balanço como herança!...

As ilusões que o tempo consolida,
Serão o livro aberto da esperança,
De um futuro sem guerra fratricida!...

José Manuel Cabrita Neves

domingo, 27 de julho de 2014

O MALMEQUER


Foto: imagesCAJUZ31D


O MALMEQUER



Porque ambos um dia nos cruzámos,
Num daqueles acasos que há na vida,
De olhar embevecido ali ficámos,
Com a voz embargada e constrangida…

O que então não dissemos mas pensámos,
Com a alma a sorrir, agradecida!
Sem dizer nada o tanto que falámos! 
Na voz do coração, enternecida…

Subia aos nossos rostos um rubor!
Sentia-mos no corpo um estremecer
E um certo sentir provocador…

Um fogo se acabava de acender,
Que no dizer dos olhos era amor
E que se confirmou num malmequer!...

José Manuel Cabrita Neves

BEIJOS SÃO COMO BALÕES


Imagem - net (autor desconhecido)


“BEIJOS SÃO COMO BALÕES”


Porque és fonte do meu viver,
Tu fazes-me escrever assim.
És onde os desejos vou beber,
Para te doar o melhor de mim!

Os beijos são como os balões
Acendem-se e lá vão para o ar;
E há que ter cuidado ao beijar,
Para não queimar os corações!

És personificada, minha musa,
E consegues a minha ternura!
És tu quem a minha alma usa,

Para escrever versos de doçura.
E teus beijos dados com paixão,
É fogo,e não queima o coração!

Alfredo Costa Pereira
 

PÉROLAS… FILIGRANAS


Imagem - CATALINA ESTRADA


PÉROLAS… FILIGRANAS


Pérolas… filigranas são teu olhar
À natureza… fecundo o teu ser,
Menina do universo, sereia do mar,
Penas de cisne níveo a florescer.

Pérolas… filigranas ao universo
Pelos lábios seda são cerejas,
Fruto excelso à natureza em verso;
Ouro são as palavras que desejas.

Pérolas… filigranas são teu rosto
À natureza, purpuras e mais…
Tons unos que são flor em teus rituais.

Pérolas… filigranas beijo ao ar teu,
Sabor terno que mesclas a gosto
Pelo meu olhar. Que mágico mundo o teu!

® RÓ MAR

quinta-feira, 24 de julho de 2014

ANOS CINQUENTA


imagesCA2N30Q1


ANOS CINQUENTA


Por volta dos, então, anos cinquenta,
Em lugar do respeito, havia medo!
Tudo o que era importante era segredo,
E caminhava a vida em morte lenta…

O povo, cabisbaixo, se lamenta,
Em voz baixa, raivosa e tom azedo…
Cansado de manter-se mudo e quedo,
Enquanto a repressão se movimenta…

Analfabeto, andava resignado,
Deixando pelos campos o suor,
A troco de um reles ordenado…

Em todos os deveres: respeitador!
Sempre “se faz favor” e “obrigado”,
Mas direitos não tinha, não senhor!...

José Manuel Cabrita Neves


POEMA DE AMOR


Pintura de Michael e Inessa Garmash


“ POEMA DE AMOR” 

Sentei-me naquela rocha distante,
A ouvir o lamento do imenso mar;
E senti-me naquele breve instante,
Uma pena escrevendo sem pensar,

Devagar, um belo poema de amor!
Bebendo a sede desse mar imenso,
Inspirava-me nesse rochedo denso;
E o carinho dava ao poema o calor.

Envolvido pela bruma dos sentidos,
Senti em mim um amor a crescer,
Onde assenta todo o meu querer!

Olhando o mar vazando sem parar,
Eu vi o passado passando, a chegar;
Vi sonhos que pensei já terem idos!

Alfredo Costa Pereira
 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

AMOR DISTANTE


Pintura de Berthe Morisot


“AMOR DISTANTE”


Como a estrela-cadente fulgurante,
Passaste pela minha vida inquieta;
E foi por tua causa que sou poeta;
Vivo a cantar, nosso amor distante!

Já não sei se vives longe ou perto,
Onde desfolhas o teu amor, por fim.
Mas estejas onde estiveres, é certo,
Que tu vives sempre dentro de mim.

As noites de luar sabem bem de cor
O que entre beijos loucos me dizias.
Tanto sol houve sempre neste amor,

Que até o tentei ensinar às cotovias!
Penso nos beijos que te dei um dia,
E nos que não dei, e são a maioria! 

Alfredo Costa Pereira


OS NETOS


Imagem - net (autor desconhecido)


OS NETOS



Nos momentos a sós, há um vazio…
Apenas as imagens e os afectos,
Que o coração liberta em desvario,
Da saudade deixada pelos netos!

Cada um é diferente no feitio,
Mas na afeição, são todos predilectos! 
Nos seus procedimentos me extasio
E Extravaso esse amor nos meus sonetos!

A imensa ternura, o carinho,
No abraço apertado, no beijinho, 
Tão felizes alegres e contentes!...

A vida tem com eles mais encanto!
Há menos arrelias, menos pranto,
Nas suas gargalhadas estridentes…

José Manuel Cabrita Neves


segunda-feira, 21 de julho de 2014

OUTROS TEMPOS…


Foto : candeeiro a petróleo



OUTROS TEMPOS…


Nasci fora de prazo, era o gaiato…
Mal comecei a andar, já trabalhava!
Tarefas de menina que a mãe dava,
Que nem sequer achava caricato!...

Varrer a casa, dar comer ao gato,
Dar hortaliça ao porco, que adorava!
Acompanhar a vaca que pastava
E dar milho às galinhas e ao pato.

Cansado de andar, vindo da escola,
Dava só alguns toques numa bola,
Chegando logo a hora do dever…

Ia estudar mas só depois da ceia,
À luz de um candeeiro de aldeia
E assim me fiz um homem a valer!

José Manuel Cabrita Neves

domingo, 20 de julho de 2014

COROAS IMPERIAIS…


Imagem - Aimer la Nature (Love the Nature)


COROAS IMPERIAIS…


Coroas imperiais… em toda a ascensão
Da palavra, os genes da natureza…
Princesas de jardins, damas ao coração,
Imperatrizes à terra, que tal beleza!

Seu porte fidalgo impute ovação,
Ar esguio que realça às estrelas tão belas
As cores que têm, reais palácios são…
Pigmentos em seus sinos, que são néctar, aguarelas.

Coroas imperiais… que todos as querem,
Ora elas não são de ninguém, ares são
Que realçam vida e quanta há aos que amam!

Coroas imperais… que todos invejam,
Pois, elas não são só amores, também
São flores pela natureza e encantam.

® RÓ MAR

Ó MAR… PARTE TUA!


Imagem - Amazzonica



Ó MAR… PARTE TUA!


Ó Mar… leva-me às ondas, parte tua!
Em ti viajar oceanos quantos ocultos;
Em ti acordar um dia e sentir mundos
Que se tocam e amam da terra à lua.

Ó Mar… recolhe-me pelos teus braços!
Em ti amanhecer longe de cansaços,
Consolidando a terra ó sal da tua alma,
E, despertando à margem da tua calma.

Ó Mar... quero viver o quanto ondeias!
Pela magia respirar o ar do teu ser,
Mergulhar-te e ser uma das tuas sereias.

Ó Mar… leva-me até ao céu pelas tão ondas
Sábias do vento! Quero adormecer
E também acordar em muitas vidas.

® RÓ MAR

sábado, 19 de julho de 2014

O MUNDO NO SÉCULO XXI


Pintura de autor desconhecido


“O MUNDO NO SÉCULO XXI”


Hoje não foi dia vulgar, foi absorto.
Talvez porque o Sol nasceu morto;
Que enorme desconforto eu senti!
Mas foi o Sol ou fui eu que não vivi? 

Rouxinol: ensina-me lá o teu canto,
Quero viver, quero cantar apenas;
Viver a vida sem angústia, e penas,
Num mundo mais perfeito e santo.

Passa-se neste mundo um temporal,
Uma tempestade apocalítica imoral;
A minha alma no meio da tormenta,

Não anda calma, iludida, mas infeliz,
Pois o vento quer arrancar pela raiz
Os princípios de justiça que sustenta!

Alfredo Costa Pereira
 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

MEMÓRIAS DE UM ALENTEJANO


Foto:imagesCAXER4BQ


MEMÓRIAS DE UM ALENTEJANO


Saboreando a infância me revejo,
Nos aromas que saltam à lembrança
E me fazem voltar ao Alentejo,
Onde eu era, descalço, uma criança!

Os coentros, orégãos e o poejo,
São da gastronomia uma aliança,
Gerando água na boca, de desejo,
À fome que esperava uma mudança…

O pão, as azeitonas, o café!
O madeiro a arder na chaminé,
Cozendo as batatas na panela!

Conduto, era o pedaço de toucinho,
Que a mãe punha no prato com carinho
E às vezes não sobrava para ela!...

José Manuel Cabrita Neves


quinta-feira, 17 de julho de 2014

O LAGO ONDE A NOSSA VIDA DESAGUA


Pintura de Van Gogh – “As oliveiras”


“O LAGO ONDE A NOSSA VIDA DESAGUA”


A vida é um barco a derivar,
Em contra corrente, devagar;
E acaba num lago, cristalino…
Nele, se refletem as alegrias;

Nele, se afogaram as agonias…
E afunda-se o nosso destino.
Amor: és céu! E tuas estrelas
Brilham com virtudes singelas;

Estrelas com luz tão formosa
Iluminam aquele nosso lago, 
E as nossas almas, num afago!

Beijos idos, são pétalas de rosa,
Que espalhadas ao vento vão
Ter àquele lago sem exceção! 

Alfredo Costa Pereira
 

terça-feira, 15 de julho de 2014

FLORES TANTO SÃO...


Imagem - Spartaco Lombardo


FLORES TANTO SÃO...



Flores tanto são... bens da natureza
Que exalam o frescor de mui beleza;
São terra e também quimera que volve
Pétalas pelos ares em cetim tão leve.

São cristais da atmosfera que brilham
Tanto quanto o sol... são essências raras, tão
Olores exímios difundem pelos ares,
Quanta viscosidade em seus raiares!

São manhãs primavera, noite ao luar...
Quantas canções de amar... estrelas pelo ar!
São flores... são vida em terra e pelo mar.

São o doce vento Agosto que a natureza
Brinda de Maio a sempre pelo beijo tão
Nobre, semente real... Flores tanto são.

® RÓ MAR



segunda-feira, 14 de julho de 2014

GOSTO DE VIVER



Fotografia de Hassan Zhurtov


“GOSTO DE VIVER”


Anda, amor, eleva-te comigo;
Vem ver o panorama que sigo.
Para o Sul, somente para Sul;
Aí, veremos o mar e seu azul.

E se por acaso for pôr-do-sol
Que nos surpreenda no lugar,
Ficaremos a ouvir o rouxinol
E ver a primeira estrela atear.

E tu, amor, abrirás os braços
Para eu cair nos teus abraços
Em teu corpo são, à meia-luz;

Corpo belo, e que me seduz!
E um pouco mais perto do sol,
Vemos lá os tons do arrebol!

Alfredo Costa Pereira
 

SIMPLESMENTE AMOR...


Imagem - Beautiful world. Nature, love, art.


SIMPLESMENTE AMOR...


É simplesmente belo... tão singelo 
E quão clarividente que tem tudo 
Para ser felicidade... magno e belo.
Simplesmente amor... é um outro e tão mundo.

Em qualquer parte... sempre igual e tão 
Diferente... é pleno elixir de juventude,
Misto de sensações maduras, tão 
Lascivo... verdes campos, mocidade.

Simplesmente amor... um silêncio efusivo 
E arrebatador... seres que entrelaçam 
E se amam pelo uno beijo... alma e coração.

Em qualquer parte... há sempre esse amor 
Quando há raízes férteis... o incentivo 
De seres paralelos nasce em flor.

®  RÓ MAR


sábado, 12 de julho de 2014

A TUA INFÂNCIA, MORENA


Pintura de Claude Monet


“A TUA INFÂNCIA, MORENA”


Cedo sonhei com os teus traços.
Corpo esbelto e boca de paixão.
Arrebataram-te outros abraços,
Deixando vazio o meu coração!

Roubaram-me o maior tesouro!
Mas sempre tive na imaginação,
A infância morena da tua visão;
O teu perfil o meu ancoradouro.

Mas quem te roubou, te trouxe;
Tendo teu olhar, a mesma doce
Expressão alegre e de quimera!

Quem me roubou te devolveu;
E agora já trago na alma o céu,
Com todo o azul da Primavera!

Alfredo Costa Pereira


ARTE EM QUADRO


Imagem - Igli Jorgo



ARTE EM QUADRO


Passeava-se gingando pela nua tela
Em tantas cores quantas da aguarela;
Rabiscava aqui e lá um pedaço a Sol
Que abraçava em fulgor, o seu farol.

Leve traço impregnado em tom vermelho,
Luz que tão prometia, noviço trilho
Que plantava uma cidade do outro lado,
Ao cimo das nuvens, um novo mundo.

Pelas escadas que tem a natureza,
Viela, labirinto e eis a torre a embala
Em mãos de arte que são sua real leveza.

É princesa ou singela alma artesã!?
Quiçá a tão momentânea alva e astro, estrela;
Aguarela, arte em quadro que além é coração.

® RÓ MAR

sexta-feira, 11 de julho de 2014

CENAS DA PESCA ARTESANAL


Pintura de Marques de Oliveira


“CENAS DA PESCA ARTESANAL”


Olha para o mar, vê nas ondas
Barcos a saltitarem na bruma!
Como um bailado das mondas,
Vêm-se lá os batéis na espuma.

E na areia, por entre os barcos
De proa em Terra junto ao mar,
Sobre redes ainda com charcos,
Miúdos molham os pés a saltar.

São de pinho, barcos e lanchas,
E cheiram a pinhões e a resina;
Sobre as ondas são só manchas!

Vão e vêm pescar numa rotina;
Trazem o pão da seara do mar,
Para peixeiras logo o apregoar!

Alfredo Costa Pereira

quinta-feira, 10 de julho de 2014

OS NOSSOS BEIJOS

 
Pintura de Claude Monet
 

 

“OS NOSSOS BEIJOS”

 
Natureza: conta-me todos os teus segredos,
Porque já não entendo a voz dos arvoredos,
Esqueci-me onde os pardais faziam o ninho
E também não me recorda aquele caminho,
 
Que terminava num lago grande, simpático,
Onde vivia um belo cisne branco e extático.
Embora grande, mostrava a leveza singular
De uma pena a voar, de um sonho a flutuar.
 
Natureza: conta-me agora, os teus desejos:
“Desejava tornar ouvir um rumor de beijos
Sobre a erva macia dos campos e relvados,
 
Onde se beijavam uns pares de namorados.
E tenho ainda o desejo de, vestida de seda,
Ver-vos a beijar sob a glicínia da alameda.”
 
Alfredo Costa Pereira
 
 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A SOMBRA AMIGA

Foto:imagesCAR7WK1T
 
 


A SOMBRA AMIGA

 
Nas horas de calor abrasador,
Há um prazer dobrado, na frescura,
Percorrendo um jardim feito verdura
E arvoredo em frondoso esplendor!

Chega-nos à garganta uma secura,
No rosto rolam gotas de suor!
À sombra corre a aragem de frescor,
Num relaxe de paz e de ventura…

E é neste ambiente acolhedor,
Propenso à poesia e à pintura,
Que a Natureza mostra o seu melhor!

O homem que usufrui desta candura,
E é desta beleza o agressor,
Merece arder ao sol como tortura!...

José Manuel Cabrita Neves


 

COMO É SEMPRE BREVE A NOSSA VIDA


 

Pintura de Edvard Munch


"COMO É SEMPRE BREVE A NOSSA VIDA"

Quando se morre novo ou nova,
Gente e povo choram a sua cova;
Factos que parecem desumanos!
Mas é sempre breve a nossa vida.

Mesmo após passar os cem anos
Que parece uma vida prolongada,
Morrendo, ainda não vivemos nada!
É um postulado à nossa medida.

Céleres vão-se os anos, a energia;
Assim nos leva a morte negra e fria,
A alma desventurada, alma iludida!

Há milénios sem fim que se repete:
À eterna sombra algo nos remete,
Que só a luz do firmamento reflete!

Alfredo Costa Pereira

Ó VENTO, LEVA-ME CONTIGO A PAR


 

Imagem- Galya Bukova
Voyage au coeur de l'Art - Travel to the heart of the Art
 
 
 

Ó VENTO, LEVA-ME CONTIGO A PAR


Ó Vento, Leva-me contigo a par
A qualquer parte que até seja tua arte!
Aos teus braços pela brisa de tão mar
Irei saracotear ondeando a marte.

O lugar ideal ao diapositivo
Que soletrará o mágico momento
Em que a paz se sucede ao emotivo
E abre-se o céu repleto de sentimento.

Deveras o és afago que tão investe
Pelo pensamento e cede à alma o crivo
Que abre portas novas em toda a veste.

Ó Vento, leva-me contigo a par
A qualquer parte que até seja tua arte!
O universo que és eu hei-de sempre amar.
 
® RÓ MAR
 
 

domingo, 6 de julho de 2014

OS VERSOS SÃO DE TODOS


Fotografia de Manuela Morêda


“OS VERSOS SÃO DE TODOS”


A Terra sorve a luz
A noite a santifica!
Um bem que seduz,
E logo tudo purifica;

O silêncio profundo
Da noite vai a meio;
Abriu púdica o seio,
Abrigando o mundo!

Neste país de Poetas,
E o céu transparente,
Versos são da gente;

Versos, ninguém tira;
Todos a dedilhar a lira,
Versos são borboletas!

Alfredo Costa Pereira

DOCE EMBRIAGUEZ


Foto: imagesCA2ODFOZ


DOCE EMBRIAGUEZ


Eu queria ser o sol que te bronzeia…
Eu queria ser a rosa que te ofereço…
Eu queria ser o fim e o começo,
De cada gesto teu, de cada ideia!

Eu queria ser o sonho em que obedeço,
Às tuas fantasias de sereia…
Ser a escova suave que te penteia
E o vermelho batom em que estarreço…

Eu queria ser a mão que acaricia,
A tua pele suave, essa nudez!
Que no imaginar me assedia…

Eu queria nesta ânsia, esta avidez,
Ser nesse teu sorriso a alegria,
Duma sóbria e doce embriaguez!...

José Manuel Cabrita Neves
 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

HOMENAGEM A SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN



Casa de Sophia de Mello Breyner 
Andersen, na praia da Granja.


“ A MINHA MODESTA HOMENAGEM A

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN”



Só o mar tece, de noite e dia
Rendas de espuma, de sonho,
A chorar com um ar tristonho,
Ora a marulhar com a alegria!

Como é bonito vê-las à janela!
Quando vaga lenta as estende
Na areia molhada, uma estrela
Refletida logo me compreende.

Com o mar, e luar num ensejo,
Contava-lhes minhas crenças
Olhando as ondas, que desejo!

De casta alvura são as rendas, 
Véus de noiva que tece o mar;
Com inspiração as estou a fitar!

Alfredo Costa Pereira

A TERRA GIRA AO SOL EM PASSOS REAIS


Imagem - Bellissime Immagini 


A TERRA GIRA AO SOL EM PASSOS REAIS


Ah, como desejo sorrir…! Enfim,
Dizer ao mundo que é Primavera em mim
E que tudo o mais foi apenas pesadelo
D´um tempo mal dormido e não é modelo.

Ah, como desejo sentir…! Enfim,
Olhar o mundo como um verde jardim,
O que tem perfume a alfazema e mais;
O qual tenho em sonho, quero-o e demais.

Ah, como desejo viver…! Enfim,
Respirar o mundo pelo vento…assim,
Às asas primaveris… um ar singelo.

Quiçá, ter algum presente e ser sim
Todos os dias não…pode ser que sim!
A Terra gira ao Sol em passos reais.

® RÓ MAR


quinta-feira, 3 de julho de 2014

SONHO COM TERNURA


Pintura de Renoir


“SONHO COM TERNURA”



De novo, tive um sonho com ternura:
Sonhei que andavas muito atarefada
A percorrer a grande e erma planura;
Quando passavas, a fragância coada

Inspirava, vinda da terra que regavas!
Dos espinhos que a teus pés calcavas,
Brotavam rosas vermelhas e olorosas;
Teus olhos eram duas fontes, airosas.

Acordei, e rasgou-se o véu do arcano!
Contemplamos silentes, e embebidos,
Penetrando nos segredos do humano!

Com nossos olhos baços e comovidos,
Agora sabíamos já não haver segredo.
E a beijar, entregamo-nos no arvoredo!

Alfredo Costa Pereira


AO NASCER DO DIA


Pintura de José Malhoa


“AO NASCER DO DIA”


Rompe a manhã num riso de beleza,
A terra a despertar da sua moleza;
O melro já canta áreas bem bizarras,
E não tarda que venham as cigarras!

Ruboriza-se o colo das montanhas,
Composições fantásticas, estranhas!
E ressurge a Natura, e rios de prata,
Tecendo na terra uma doce cascata.

A aurora convida as almas ao amor,
Às emoções de sonho encantador…
Esquecer o mundo de mãos dadas,

Sorrir e sonhar à luz das alvoradas!
Vem ouvir a rola a gemer no pinhal
Vem querida, namorar no choupal.

Alfredo Costa Pereira