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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

AMOR SEM HORA





AMOR SEM HORA


P’ la vidraça do quarto, a madrugada
Veio espreitar-nos, viu-nos acordados,
Envoltos em ternura, abraçados
E ficou observando, fascinada...

Trouxe o tempo com ela e, enleados, 
Não demos p’ la manhã já avançada
E a vida parou, desnorteada,
Sob nossos olhares apaixonados!

Sorrimos, sem ligar aos sons da rua,
Apenas por saber que merecemos
Esta felicidade, minha e tua...

É assim o amor que nós fazemos,
Desorganiza o tempo... e a lua 
Só se retira quando adormecemos!

Carlos Fragata 

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

DESPERTOU O OUTONO




DESPERTOU O OUTONO


Arrefeceu a noite, é o Outono
Cumprindo, finalmente, o seu dever...
Era já tempo de ele arrefecer,
P'ra poder o Verão dormir seu sono.

A natureza, a seu bel prazer,
Deixou as leis da vida ao abandono,
Sem uma direcção, sem rei nem dono,
Sem soluções para retroceder...

Alguém ou algo decidiu tomar
As rédeas do destino desgarrado
E devolver a vida ao seu lugar.

Se foi um deus, a sorte ou foi ditado
Pelo destino, para nos testar,
Graças a um dos três, é já passado! 

Carlos Fragata

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

REINCIDÊNCIA




REINCIDÊNCIA


Em viagem onírica no espaço,
Mundos novos contigo descobrindo,
Mergulhei nos teus olhos que, sorrindo,
Me fizeram pousar no teu regaço...

Beijando a terra fértil, vou subindo
Sem que a mente perceba o que faço...
Sem vergonha, pudor, ou embaraço,
Minhas mãos p'lo teu corpo vão fluindo.

Olhos nos olhos rimos, divertidos,
Cientes do pecado cometido,
Envoltos no poema dos sentidos!

Do pecado não estou arrependido,
Voltamos a pecar e, atrevidos,
Criamos um poema repetido!...

Carlos Fragata

domingo, 8 de outubro de 2017

UMA EM MIL





UMA EM MIL


Nas voltas que o destino preparou,
Foram mil que meus olhos conheceram,
Mas todas nos outonos pereceram
E só a tua imagem me ficou.

Amores que no tempo se perderam,
Nevoeiros que a vida dissipou,
Tudo passei para estar onde estou,
Dando amor que nem todas mereceram.

Valeu a pena o coração magoado...
Todos os erros eu repetiria
Para te ter p’ra sempre ao meu lado.

O riso que sonhei ouvir um dia,
O brilho desse olhar apaixonado,
Tudo morava em ti... e eu sabia!...

Carlos Fragata

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

APENAS TU




APENAS TU


Foram tantas as mãos que me tocaram
E tantos os sorrisos que me deram...
Mas toques e sorrisos mais não eram
Do que armas com que me atraiçoaram!...

Apenas os teus olhos entenderam
O que os meus, desejosos, imploraram,
Apenas tuas mãos recuperaram
Os sentidos que em tempos se perderam...

Por nada trocaria o teu sorriso,
O teu olhar feliz, apaixonado,
Que me oferece a força que preciso.

Saber que tu existes ao meu lado
Torna mais firme até o chão que piso,
Faz-me sentir p’lo Céu abençoado!

Carlos Fragata

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

REGRESSAM OS SONHOS




REGRESSAM OS SONHOS


A brisa que soprou no meu ouvido
Traz-me novas de esp’rança e amizade;
Depois, leva consigo esta saudade
E lembra o que de bom tenho vivido.

Tal qual o mar, feliz e sem idade,
Tudo na vida tenho conhecido...
Já fui tomado por louco varrido
E renasci da falsa insanidade!

Já regressei a mim, já sou mais eu,
A vida devolveu-me o que levara
E o sol do meu ser reaqueceu...

O sonho, noutro tempo coisa rara,
Regressou ao meu peito e cresceu,
Já me corre nas veias e não pára!

Carlos Fragata

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

MAR PORTUGUÊS




MAR PORTUGUÊS


Foste rota de clãs aventureiros,
A estrada da canela e do marfim,
Muitos pensaram que não tinhas fim…
Fomos, mar, no teu seio, os primeiros!

Levámos Portugal ao mandarim,
Levámos cientistas e negreiros,
Missionários, poetas, marinheiros,
Deportados, fidalgos, tudo, enfim…

Mostrámos novos mundos ao que havia,
Descobrimos as rotas do Brasil,
Vimos as terras de Santa Maria!

Absoluto Senhor de terras mil,
É hoje Portugal terra vazia,
Roubada pelas mãos de gente vil!

Carlos Fragata

sábado, 20 de dezembro de 2014

OUTROS NATAIS




OUTROS NATAIS


Tragam o meu Natal em que o Menino
Trazia prendas pobres e singelas,
Mas que recordo como coisas belas
E que aos meus olhos eram ouro fino!

Recordo que colava nas janelas
Um anjo de papel tão pequenino,
Que era no Natal um inquilino
Iluminado por pequenas velas.

Natal era quadra maravilhosa…
Apesar da pobreza que sofri,
Essa noite era bela, radiosa!

Devolvam-me a magia que perdi,
As noites de vigília respeitosa
Desse passado lindo que vivi…

Carlos Fragata

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

AMOR OU POESIA

 

AMOR OU POESIA


O néctar dos teus lábios amacia
Os lábios meus, em cada beijo dado,
Cada momento doce de pecado
Transforma o nada em tudo, a noite em dia!

Saio de mim, feliz, enamorado,
Despeço-me do mundo onde vivia,
Faço do sonho a minha moradia
E apago de vez o meu passado…

Aspiro o teu cheiro a maresia,
Bebo tua frescura, inebriado
E contigo mergulho na magia!

Perguntam-me se estou apaixonado
Ou se tudo não passa de poesia…
Respondo: - Sou poeta e sou amado!

Carlos Fragata

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

ALENTEJO

 

ALENTEJO


Salpicada de lírios e poejo,
Salgada p’lo suor das mondadeiras,
Fecundada p’lo canto das ceifeiras,
É Mãe prenhe de pão, é Alentejo!

Queimada pelas tardes soalheiras,
Gente de tez morena, na qual vejo
O trabalho esforçado, o traquejo
De quem à terra deu vidas inteiras!…

Carriças, andorinhas e pardais
Dividem entre si essa riqueza,
Em agitadas danças matinais…

Terra plana, prazer da Natureza
Que se espraia nas ondas dos trigais,
Deslumbrada por ver tanta beleza!

Carlos Fragata

sábado, 26 de abril de 2014

SONHOS

Imagem - Images inaire


SONHOS


Numa cama de sonhos me deitei,
Sedento das delícias do amor,
Numa maré de puro despudor...
Mas, contra o que esperava, não sonhei!


Um misto agridoce, amor e dor,
Diluídos no ar que respirei,
Mudaram o sabor do que provei
E não reconheci esse sabor...

Até que tu surgiste, minha querida,
Calaste meus suspiros e meus ais
Entrando em minha alma adormecida.

Agora, já desperto, sonho mais.
Menos adormecido, vivo a vida
E os mais belos sonhos são reais!