segunda-feira, 30 de maio de 2016

QUERO NAVEGAR NO TEU CÉU





"QUERO NAVEGAR NO TEU CÉU"


Deixa-me navegar pelo teu céu,
beijar a tua estrela mais brilhante,
abraçar tua lua e ser amante
desse lindo universo que é o teu.

Eu quero inventar os teus planetas
e com luzes pequenas adornar,
quero nesse céu ser nauta, navegar
e rendilhar as caudas dos cumetas.

E nesse espaço tão verosimil,
vendo florir em nós eterno Abril,
tecer na tua boca madrigais.

Virar meteoritos diademas,
quebrar por amor grossas algemas,
viver para te amar cada vez mais.

Abílio Ferradeira de Brito

sábado, 21 de maio de 2016

A DIFERENÇA





A DIFERENÇA


Há fazedores de versos sem medida,
Que dizem ser poesia, pois que seja!
Não contesto, embora não me veja,
A ser um praticante da aludida…

Um soneto me chega e me sobeja,
Sem que a ideia fique comprimida,
Para falar de amor, de paz, da vida,
Conforme o coração sente e almeja!

Entre um poema livre e um soneto,
Ambos a descrever o mesmo afecto,
Porém algo sublime os diferencia:

No combinar da métrica e da rima,
Nasce do poeta a sua obra-prima,
Onde há pleno sentir e há melodia!...

José Manuel Cabrita Neves


CAMPO DISPERSO


Imagem – Bellissime Immagini


CAMPO DISPERSO


Há que perceber que o tempo que se perde
A separar o trigo do joio é precioso para viver;
Que a vida são momentos de uma felicidade
Que tem os minutos todos regrados a ser.

Há que perceber que o universo é um misto,
De afazeres, de gentes com enormes variedades;
Que a vida não gira em torno de vaidades
Que tem a pretensão do parecer bem-visto.

Que poderei eu dizer ou fazer para que sejamos
Mais humanos, cúmplices de todos os ideais
E experts de uma vida que tem gente demais!?

Para quê dizer ou fazer…. para que o universo
Seja safra de uma só cultura, nação que queremos,
Quando o que está em questão é campo disperso!?

© RÓ MAR



SONETO VAGO




Soneto vago


Aos poucos cai a tarde aconchegante
e tudo ganha um tom de nostalgia
enquanto busco em tudo poesia
que a doce paz interna me garante.

Escuto a seu rumor aqui e adiante
na brisa que o arvoredo acaricia
e na palmeira muito alta, esguia,
onde uma arara canta tão galante.

E tudo ganha um tom purpúreo e belo
que aos poucos nestes versos eu pincelo
com tintas da emoção que dentro trago 

Muito me escapa, eu sei. O belo é etéreo,
e guarda, dentro em si, demais mistério
que tudo que escrevi é pouco e vago.

PROMESSA ENCOBERTA


Arte de Vicente Romero


“PROMESSA ENCOBERTA”


Existe sempre uma promessa encoberta
De beleza infinita, que cada pessoa contém!
É provável que da Natureza seja uma oferta
Que nem sempre consigo descobrir porém!

Escondo-me num sótão que guardo em mim
Abro o mapa e passeio-me sem bagagens!
Faço um fundo musical para cada terra, sim.
Isso alegra um pouco estas minhas viagens.

Diariamente sou diferente, sinto-o vagamente;
Às vezes quero ser um pássaro a rasgar o ar;
Outras quero ser criança ao sol e vento brincar.

E se descubro outra beleza em ti novamente
Saio do meu sótão fico liberto e certamente
Tu renasces num verso que me vai encantar!

Alfredo Costa Pereira

sábado, 14 de maio de 2016

O MEU SONHO MAIS SONHADO





“ O MEU SONHO MAIS SONHADO “


Eu quero adormecer no teu regaço.
Na teia deste amor fazer o ninho,
Não mais acordar triste e tão sozinho
Como pela manhã eu sempre faço.

Fazer do teu pulsar o meu compasso,
Da luz desses teus olhos meu caminho,
No mar desse teu corpo ser golfinho
Querendo auferir do teu abraço.

Eu quero que tu sempre sejas minha,
Fazer de ti, amor, minha rainha,
Do meu virtual reino f’licidade.

Sentir nestes meus lábios doces beijos,
Não mais sofrer agruras de desejos,
Que o sonho seja enfim realidade.

Abílio Ferradeira de Brito


MAIO


Imagem - Gold Art


MAIO


Maio, de todos os encantos, seus esbeltos cabelos
Voam pela rosa dos ventos em baladas de rabelos,
Seus mares versejam o belo universo magenta
Em palete de coração por todo planeta.

Maio, que tem novas ideias, seus pensamentos planeiam
O jardim poético, a áurea natural à mão
E a escrita pela visão do mês de todas as primaveras
Em folhas de carvalho de tamanhas eras.

Maio, de todas as gentes, seus braços os remos
De prosperidade que beijam o sal de uma nação
Em cândidas passeatas de primorosa estação.

Maio, que tem a janela aberta e o sol à porta,
Seus nobres respirares inspiram a beleza que temos,
A frescura do dia, o sorriso à noite que nos reinventa.

© RÓ MAR


REMINISCÊNCIAS





Reminiscências

 
Nasci em tempos bons, mais generosos,
repletos de alegria e de fartura,
e agora vivo em tempos de tristura,
de medos e agonias, desditosos.

Menina, nos bons tempos de ventura,
colhia frutos doces, saborosos,
cajus tão pequeninos, mas viçosos,
no meu Cerrado – cesto na cintura.

Agora - nesses tempos hodiernos –
não colho mais pequi, nem gabirovas,
porque tudo mudou e está cercado.

Foram-se os tempos fartos e fraternos,
que agora canto aqui em versos, trovas,
resquícios desse tempo já passado.

domingo, 8 de maio de 2016

O AROMA DA MANHÃ


Arte de Maria Antónia Marques Gomes


“O AROMA DA MANHÔ


Gosto de ti meu amor! Eu quero pintar
Com lindas tintas de brandura e de luar
O teu perfil, nos versos que componho;
Neste místico fervor deste meu sonho!

E como sempre, lá para hora do sol-pôr
Vão só para ti querida, os meus carinhos,
Quando as aves recolhem para os ninhos
E para os currais os animais pelo pastor;

Vou prender o vento ao rosmaninho a monte
Soltar do sol raios de beleza para tua fronte
E num pomar imenso com altas nogueiras

Árvores de fruto e macieiras cheias de maçãs,
Vou despegar o aroma de todas as manhãs
Para o inalares amor, sempre que o queiras!

Alfredo Costa Pereira


MINHA DOR




“ MINHA DOR “


Eu sempre tive a dor por companheira
Na forma mais agreste e aguerrida,
Andou sempre comigo a vida inteira
Fazendo num inferno a minha vida

Dorme na minha cama, à minha beira,
Aqui neste meu peito achou guarida,
Arde como se fosse uma fogueira,
Déspota sem ter conta nem medida.

Maldigo a minha sorte, esta desdita.
A dor cavou em mim tão funda cripta,
P’ra sempre destruiu o meu viver.
 
Eu sei que é esta a minha triste sina,
Carregar esta dor que me abomina
Por toda a minha vida, até morrer.
  
Abílio Ferradeira de Brito


TANTA SAUDADE, OH, MÃEZINHA!





Tanta saudade, Oh, mãezinha!


Quis recordar o abraço terno, a infância
As peraltices muitas... longe um longo brado...
Peito ofegante, enfermeira sempre ao lado...
Um olho posto à Singer, outro à vigilância...

O teu franzino corpo, de labor marcado, 
Se retalhou em pó, e hoje evoco... à distância, 
A reprimenda doce, trajada da ânsia
De quem prevê e me alerta o esboço errado...

Remodelei o ontem... cada vão momento...
Com a agulha da memória, fio que resta, 
E nos costuro frente ao espelho do alento...

Tanta saudade, Oh, mãezinha! é a fresta
Por onde despida, busco ao firmamento,
o manto amor que se me impõe por tua destra...

Luciana Nobre


O DIA PERFEITO


Art by Jeanine Chetivet



O DIA PERFEITO


Andámos o dia inteiro de mãos dadas
Respirando os olhares de sorrisos largos;
Andámos por calçadas indefinidas
Observando lugares verdes raros;

Andámos… e chegámos ao final do dia
Longe de cansaços e plenos de amar…
Beijámos o pôr do sol em crente olhar
Vivendo o início da noite em braços dados ao dia.

Andámos… e chegámos… percebendo que beijámos,
O universo sem prever destino, os nossos passos,
O nosso crer de assim se ser, o ter de se ver.

Parámos todo o tempo, simplesmente no nosso querer,
E quando o sol beijou a lua fomos um livro aberto
Onde as estrelas iluminam o luar e lê-se o dia perfeito. 

© RÓ MAR


quarta-feira, 4 de maio de 2016

TUDO PASSA




Tudo passa


Tristeza... rio turvo em pleno estio
cortando o vale d’alma enlanguescida,
que andeja ao léu, sem rumo, sem guarida,
ferida e presa ao corpo por um fio.

E segue adiante e corre na descida,
formando lago fundo no baixio,
onde se escuta, da coruja, o pio,
tão lúgubre que não se esquece, olvida.

Águas sombrias, tenebrosas águas,
escuras, bem mais turvas do que as mágoas
que escapam pelos olhos inundados.

Mas tudo passa! O rio encontra o mar
onde se perde, sempre a se escumar,
nos véus das verdes vagas, rendilhados.

Edir Pina de Barros


terça-feira, 3 de maio de 2016

ECLIPSE





Eclipse


Das coisas que vivi no mundo afora,
Nenhuma me causou maior espanto...
Vi um poeta declamar seu pranto
E o céu lhe vir dizer qual também chora!

De amor banido - a musa fora embora-
Queria o bardo, orvalhando o canto,
Lhe arrebatasse a lua em seu manto,
Mas esta ao sonhador banhou de aurora:

Não anoitece o amor... E por mais distante...
Perdido não és tu, nem só na vida...
Que achas sou do sol? Que não amante?!

De cada hora vã, faz da ferida,
À amada um novo verso, e num instante,
Refletirás em paz a chama ardida...

Luciana Nobre