sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

AMAR É DAR DE NÓS




" AMAR É DAR DE NÓS "


Amar é dar de nós com alegria,
Sentir que tudo é belo e tem mais cor,
Amar é despertar em cada dia
Num mundo colorido que é amor

Enquanto o amor dura e não resfria
Amar é ter da vida o seu melhor,
É força que se eleva e nos recria,
É grito desvairado sem pavor.

Quem ama por amor entrega tudo,
Por isso ele é tecido com veludo
E brilha como chama incandescente.

Pois sem amor o Sol em nós não brilha,
Amor é sempre um bem que se partilha
E assim sempre há - de ser eternamente.

Abílio Ferradeira de Brito

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

DESAFIOS




Desafios


Onde andará, do escriba, o dom de outrora?
Onde os titãs dos versos imponentes?
Quem tangerá a lira? Quem se arvora
a dedilhar os toques mais candentes?

Quem tirará da entranha o verso agora?
Quem louvará a Orfeu? Onde as sementes,
as divinais sementes dessa flora?
Quem tocará, na lira, os tons frementes?

Quem gestará os versos nas entranhas?
Rabiscará, com brilho e doce encanto,
a divinal poesia do nascer?

Quem, com candura, livre de artimanhas,
traduzirá em versos triste pranto
e a candidez do sol no amanhecer.

Edir Pina de Barros


UMA GRAVURA BEM MOLDADA EM TODA A OBRA




UMA GRAVURA BEM MOLDADA EM TODA A OBRA


Um olhar bem descaído que tem tudo.
Um frio translucido e um aperto ao coração;
Uma alma grande numa berma de alcatrão;
Um penteado bem vincado que lê o mundo.

Um retrato bem nítido a carvão.
Um lápis a grafite em mina apurada;
Uma palete de cinza, branco e escuridão;
Um pintar de olhar miúdo e saia rodada.

Um artista que esboça um só olhar.
Um esquiço que tem branco de sobra;
Uma modelo bem fêmea para pintar.

Um desenho vivo de muita mão de obra.
Um retrato deleitado em eterna mão;
Uma gravura bem moldada em toda a obra.

© RÓ MAR


TARDE DE OUTONO




“TARDE DE OUTONO”


Ainda havia carvalhos com folhas multicolor,
Num quadro pintado de um modo encantador!
E a luz saudosa e opalescente acabou por envolver
Em dois beijos, o nosso amor daquele entardecer.

Naquele jardim, sonhamos na amplidão doirada,
Num alheamento languido e profundo do mundo,
Ficando eu sem saber se eras anjo ou uma mulher,
Minha doce querida, meu amor, minha amada …

Embora além o sol descesse em estranha iluminura
Não acontecia que minha alma ficasse fria sequer
Ou até se tornasse a pouco e pouco mais escura;

A tua meiga face aveludada, doce e quente mulher,
Que eu senti a sonhar comigo ao pé de mim,
Parecia a de um anjo que tivesse vindo ao meu jardim!

Alfredo Costa Pereira


domingo, 6 de dezembro de 2015

A FESTA DA VIDA




A FESTA DA VIDA


Subimos ao monte, cantamos de amor,
Alegres estrofes de uma canção linda,
E sempre juntinhos, oramos na ermida,
Tivemos as graças de Nosso Senhor.

Colhemos os beijos nos lírios campestres,
Vestimos as cores que tem Primavera
Sonhamos mil sonhos, felizes na espera,
Criamos um mundo de coisas rupestes.

Na festa da vida é tudo normal,
Fizemos amor a raiz ancestral,
Marcamos dilecto na força do ser.

Feliz união e sublime a cantata,
Que a vida refaz e que tudo resgata,
Amor com amor, dá mais brilho ao viver.

Abílio Ferradeira de Brito


sábado, 5 de dezembro de 2015

DIA DE AMOR


Aguarela de Vanessa de Azevedo


“DIA DE AMOR”


Hei-de elevar-te ao mais alto
Dos céus que o espaço contém!
Pois quanto mais eu te exalto
Mais me exalto a mim também!

A escada, eu vou querer fazê-la
Com estes meus versos que lês.
Cada degrau vai ser uma estrela
Espalmada para tu pores os pés!

Será tão alta como o meu desejo
De te ver sedutora como te vejo
Furando nuvens a subir, a subir 

Para estarmos sós nas alturas
A acariciarmo-nos com ternuras.
Lá para o ponto mais alto atingir!

Alfredo Costa Pereira

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O TEMPO DEUS O MARCOU





O TEMPO DEUS O MARCOU

 
Na vida tudo tem tempo marcado,
O tempo determina a seu jeito,
Podem até chamar destino ou fado,
Nada pode alterar o seu conceito.
 
E Deus nunca nos manda um só recado,
Para denunciar pecado feito,
O que por desventura tenha errado
Se assuma pecador, bata no peito.
 
Pois nesta caminhada que é a vida,
Mais negra, mais rosada ou colorida,
Não há retorno ao tempo que passou.
 
Quem nasce segue em frente até morrer
E sempre foi assim nosso viver,
Chegamos até onde Deus marcou!
 
Abílio Ferradeira de Brito


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

SONHO



SONHO


Sorriso rasgado, cabelos ao vento!
Corrias, saltavas, pelos campos fora…
Eras a menina, já quase a senhora,
Eras sol radioso, num céu pardacento…

Fiquei a olhar-te por mais de uma hora!
Flutuavas, dançando no meu pensamento,
Com tanta leveza, com tal movimento,
Qual linda princesa, doce, sedutora…

Tão embevecido, tão embasbacado,
Que de felicidade, estava inebriado,
No rosto, estampado, semblante risonho…

Mas eis que desperto sem querer acordar,
Ali fico em transe, contigo no olhar,
A pedir aos deuses que não fosse um sonho!...

José Manuel Cabrita Neves

PÔR-DO-SOL




" PÔR-DO-SOL"

 
Repara o pôr-do-Sol, que colorido,
Ao ver o Sol além a mergulhar,
Parece um arco-íris definido
Que cai vindo do céu em pleno mar.
 
E como é lindo o Sol com seu garrido,
Estrela que não pára de brilhar,
É luz que tudo cria e dá sentido
À vida que floresce em seu raiar.
 
Também é sempre assim a nossa vida
Embora pela idade já vencida,
Não deixa de ter brilho, ter beleza,
 
O magustar dos anos tanto custa,
Por fim um bom Sol-por que se degusta
Sabendo que o finar é uma certeza.

Abílio Ferradeira de Brito

terça-feira, 27 de outubro de 2015

CENTELHA DE LUZ


Arte de Elena Michaylova


“CENTELHA DE LUZ”


Quem te disser que o brilho do luar
Outro igual a Natureza não consente,
Ai, podes ter a certeza que te mente,
Ou não conhece a luz do teu olhar.

Mas a lua, se o pudesse confessar,
Nos diria o que sabe toda a gente:
Que, invejosa, uma noite reluzente,
A luz dos teus olhos ela quis imitar.

E com certeza é assim. Esse luzeiro,
Que esta alma há muito já iluminou,
Não encontra rival no mundo inteiro.

E até creio que foi dele que irradiou
A centelha de luz que encantou
Os luares de Agosto e de Janeiro!

Alfredo Costa Pereira

ETERNO VIOLINO


Ilustração obra de: Claude Buck


ETERNO VIOLINO


Que seja eterno, esse velho violino
Alma de acordes, belos, melodiosos
Com a magia do seu som tão divino
Vou no sonho pra mundos virtuosos.

Que seja eterno o seu som precioso,
Que alimenta, o meu espírito imortal
Som de valsa que vibra em ti fogoso
E faz adormecer o meu ser celestial.

Que sejam eternas as suas melodias
Extraídas das finas cordas vibrantes
Como eternas sejam essas poesias.

Escritas na noite por poetas errantes,
Antes e depois da alvorada dos dias,
Ao som de músicas, deslumbrantes.

Joaquim Jorge de Oliveira

POETA



Imagem - Google 


POETA


Tu que tens um olhar mais perspicaz,
Que vê mais do que a própria vista alcança…
Que tens na alma a fonte da esperança!
Que tens um coração que se desfaz…

Tu que és instigador duma aliança,
Que de unir este mundo era capaz,
Tornando em coisas boas, coisas más;
Transformando em amor, ódio e vingança…

Tu, príncipe dos sonhos encantados,
Confidente dos ais silenciados,
Fonte de alento, sol, palavra amiga:

Diz no papel o que essa alma sente,
Nesses teus versos feitos docemente,
Para acalmar a dor que nos fustiga!...

José Manuel Cabrita Neves
 

O DIÁLOGO AO UNIVERSO EM DIVA CANÇÃO


Imagem - Joli COEUR


O DIÁLOGO AO UNIVERSO EM DIVA CANÇÃO


Há palavras que não consigo exprimir;
Sentimentos que trago ao pendurão
Neste meu solitário coração
Que ainda vive saudades a devir;

Olhares que me assoleiam pelas manhãs
Entardecem meu ser, que ainda sonha
Ouvir as palavras que habitam vãs
Pela alma, destino que move a montanha!

Há um universo que me quer extinguir;
Saudações que crescem ao pendurão
Neste meu solitário coração;

Olhares que inventam a madrugada a fluir
Resplandecem meu ser, quais ainda são
O diálogo ao universo em diva canção.

© RÓ MAR
 

domingo, 25 de outubro de 2015

O PASSADO E O PRESENTE


Arte de YURI KROTOV- Grand Cafe - Óleo sobre tela


“O PASSADO E O PRESENTE”


Reúno o tempo passado no presente. 
E as horas que lhe foram roubando 
Sinto-as em mim de vez em quando 
Com a emoção que lhes era inerente. 

As horas de prazer, breves instantes 
Que por toda a vida lá vão cantando, 
Absortas em saudade vão passando 
No mesmo palpitar enfim constantes. 

Horas distantes são horas presentes, 
Companheiras das nossas alegrias, 
De nossas almas tristes confidentes, 

Que nas suas enigmáticas melodias 
Vão por cima de tudo, e indiferentes 
Ao nascer e ao morrer todos os dias! 

Alfredo Costa Pereira 

sábado, 17 de outubro de 2015

AMOR E POENTE





Amor e Poente 


Vejo semelhança guardada entre o poente
E aqueles que se juram eternos amantes...
Há luz a aquecer e iluminar semblantes,
Qual a do sol, que embora ido é presente!

Tudo o que aos amores seria distante
Nada mais é senão breve piscar silente...
Quanto mais longe o calor, mais perto e crescente,
A espera e a certeza do próximo instante!

Que dizer da cor rubra, que fugaz perdura,
A denunciar almas e céu flamejantes 
No brilho que arde sem perder a candura?

A sina de estrelas e dos amores puros, 
A vejo tal cristalina quais diamantes,
E plena de amanhãs, mesmo se é escuro!

Luciana Nobre

SEMPRE DEI DE MIM


Imagem - Google


" SEMPRE DEI DE MIM "


Eu sempre dei de mim sem preconceito
E assim durante a minha vida inteira,
Foi esta a minha forma, o meu jeito,
De eu estar nesta vida passageira.
 
Eu sei, também pequei, não sou perfeito,
Mas sempre tive Deus à minha beira,
No quarto onde à noite só me deito
Está sempre comigo à cabeceira.
 
Ao dar de mim assim em tom maior
Sempre fiz com denodo e com amor,
De coração aberto, olhando ao céu.
 
Nem sempre a boa sorte me assistiu
Passou por mim, ingrata, não me viu,
Mas nunca a minha vida se perdeu!
 
Abílio Ferradeira de Brito

QUE IMPORTA A ANCESTRAIS?...


Imagem - Google


Que importa a ancestrais?...


Flor formosa que dos jardins descerras
Que importa a ancestrais, a vil agrura?
Se às minhas esguias mãos encerras
Minh´ alma que se esvai de ternura… 

Quão sublimes pétalas cintiladas!...
Rostos de luz dos Céus embevecidos
Tombaram nas odes de amor sopradas
Pela boca de anjos enternecidos!…

Lindos versos na voz da eternidade.
Que importa a cãs a efemeridade?
Se a vida é apenas a miragem…

É o ser e não ser… estar e não estar;
É o mero permanecer no ficar…
E o desejo de não desejar a viagem...

Helena M. Martins

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

'O CUPIDO DE ESTRELAS'




“O CUPIDO DE ESTRELAS”


Silenciam-se os ventos pelas penas
Níveas que ao papiro esvoaçam,
E, transparentes celestes brotam,
Borboletas anis que pautam a alma.

Espirais pelas rendas que se inventam,
No tom uno, as que escrevem de coração;
Cupido que se adormece na alma,
O mais perfeito sono, divino.

Voluteia-se a concha no oceano,
E, eis que surge um mar de mui pérolas
Que se cintilam nas parábolas.

Não são fantasias, são as mais belas
Poesias que se florescem plenas
De candura, ‘o cupido de estrelas’.

© RÓ MAR

SONETO


Imagem - Google


SONETO


Rigoroso na métrica e na rima,
Sou pois um dos poemas predilectos!
Feito com duas quadras, dois tercetos,
Quando bem feito, sou a obra-prima…

Trato principalmente dos afectos,
Embora outros temas também exprima
E em catorze versos eu comprima,
Os sentidos perfeitos e correctos…

Com arte alguns poetas me escreveram
E em mim disseram tudo o que sofreram,
No meu estilo poético e discreto!

Para me concluir como um tesouro,
Precisam- me fechar com chave d’ouro
E assim ser um autêntico soneto!...

José Manuel Cabrita Neves
 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

LUA TÃO FEITICEIRA...DESEJO DE SER TUA


Imagem - Divergent 


LUA TÃO FEITICEIRA...DESEJO DE SER TUA


Pela noite vem a lua tão feiticeira...
Qual espelha no seu brilho as águas de um mar.
É luz da alma que cresce bem faceira
Ao encontro da beleza e inspira (a)mar.

As correntes emergem como laivos
De sabor a sal salpicando o coração
No som uno - marulhar - os doces favos
De mel que se beijam no laço à união.

Noite que no singelo ar brilha a aguarela...
Qual nasceu para volver-te meu tão (a)mar
Nas trovas que fazem larguras pela janela.

Janela de vitral - faces da lua
Nas múltiplas volúpias de pleno ar
Que alastram ao desejo de ser tua.

® RÓ MAR

terça-feira, 13 de outubro de 2015

ESTA LUZ


Imagem - Google


" ESTA LUZ "


Esta luz que lá do alto nos abraça,
Que tudo acaricia com fulgor,
É algo transcendente que ultrapassa
O génese que há no homem sonhador.

Tudo passa, mas ela nunca passa,
Pois é a própria mão do criador,
Que espalha pelo mundo a sua graça,
Das graças que no dá Nosso Senhor.

Bendita seja a luz que tudo cria,
Que aquece, que fecunda e alumia,
Seja no mar, planície ou além serra.

Por ela a terra fértil dá o pão,
Mas sem ela tudo era escuridão.
E nada existiria sobre a terra.

Abílio Ferradeira de Brito 

sábado, 10 de outubro de 2015

AMO-TE COMO QUEM AMA O AMOR...


Imagem - Google


Amo-te como quem ama o Amor...


Amo-te como quem ama o Amor
Um Amor como se viesse do além...
Do Céu, do mar, do rio que brotou em flor
As almas deste mundo e as de ninguém…

Amo até as nobres pedras do caminho 
Que choram os que passam com desdém…
Olhando o triste e o pobre velhinho
Como não vissem caminhar alguém... 

Amo olhar o teu rosto nas estrelas
Que faz cair dos meus olhos ao vê-las
Quanta chuva fulgida docemente…

Amo a eterna subtileza das águas 
Que levam com tanta ternura as mágoas
Por amar-te, assim, tão perdidamente…

Helena M. Martins

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

CUBRAM-ME DE ROSAS


Imagem - Google


CUBRAM-ME DE ROSAS
 

Cubram-me de rosas agrestes
no dia em que me for - sozinha -
feito uma alma que ali caminha,
nua, e sem suas terrenas vestes.

Cubram-se de rosas e ciprestes,
num arranjo de laços com fitinha,
murmurando uma mágica ladainha,
sob o azul de cinco arcos celestes.

Não conteste: se eu mudar de porto,
apenas o meu cansaço estará morto,
se só deste lado não sinto ou sorrio.

Ainda assim eu quero rosas delicadas
margeando as minhas novas estradas,
como se então navegasse o florido Rio.
 
Silvia Regina Costa Lima

DESILUSÃO


Foto - Google


“DESILUSÃO”


Há anos não via o meu amor de outrora.
Triste fiquei por estar díspar quando a vi.
Eu preferia, mais valeria ainda tê-la aqui
Dentro do meu peito tal como então fora!

Como mudou tanto a vida aos dois após
Os tempos loucos da nossa alma louca,
Que nem nossos olhos nem nossa boca
Se aperceberam logo que fôramos nós!

Tu uma miúda, eu um moreno rapazola,
Que num dia de sol, de gazeta à escola
Pairamos os dois juntos no mar do Ideal;

De mão dada fomos levados num beijo,
Mar fora, Amor ao leme, rema o Desejo,
Rumo à Ventura, até à Ilusão por final!

Alfredo Costa Pereira
 

A HARMONIOSA VALSA QUE SOA A LAMPEJO



A HARMONIOSA VALSA QUE SOA A LAMPEJO


Labaredas no espaço, quanto desejo
De redopiar nos teus cabelos em chama;
No corpo cálido, alma de gente flama,
Invades o coração na dança do beijo.

O vento propaga-se ao nosso ensejo,
Dois corações em foco às luzes da fama;
O alegre sorriso de adamascada dama,
Um fogo de serpente ao peito pelejo;

Dois olhares ao vento pela ribalta,
Almas que ardem no linear da maré alta,
Pela brisa que invade vai o nosso cortejo.

Dois corações ao vento saciam a pauta
Pelo seu dançar soberbo, e toca a flauta,
A Harmoniosa valsa que soa a lampejo.

 ® RÓ MAR

terça-feira, 6 de outubro de 2015

CORAÇÃO BANDIDO


Imagem - Google


" CORAÇÃO BANDIDO "


 
Porque hás - de tu fazer o que eu não quero
Lavrando nesse campo de ilusões,
Ardendo na fogueira das paixões
Abrançando as opções que eu não tolero?
 
Eu sempre fui contigo tão sincero,
Não entendo meu amigo, essas razões,
Será que nunca tiras ilações
Nem vedes o meu grande desespero?
 
Porque hás - de deitar fora o que eu te dei
Durante tantos anos, já nem sei,
Segredos e promessas de uma vida.
 
Não despertes as dores que ficaram,
Que os abrutes do tempo não mataram,
E tu passivamente dás guarida.
 
Abílio Ferradeira de Brito 

ALMA APAIXONADA


Imagem - Google


ALMA APAIXONADA


Mesmo que me faltassem flores,
ou que me fechassem os mares,
que as aves sumissem dos ares,
e cinza ficassem todas as cores.

Mesmo assim, nem todas as dores
(ou todos os seus tristonhos pares)
matariam o brilho alfa de Antares, 
e arrastariam os meus vis temores.

Ah! eu tangeria a lira e o flautim
celebrando a vida com meu Pastor
sob um perfumado pé de jasmim.

Pois esse bem-querer é via constelada,
cintilando cada partícula de amor,
em minh'alma entregue e apaixonada!

Silvia Regina Costa Lima
 

NÃO HÁ MULHER MAIS BONITA


Arte de Gustavo Poblete


“NÃO HÁ MULHER MAIS BONITA”


Tomei-te afeto, mulher catita;
Fiquei-te com uma paixão fatal!
E agora o meu coração já palpita
Dentro do meu peito de meridional!

Não há mulher mais bonita,
Nem creio que haja outra igual!
Quer estejas de vestido de chita
Quer me apareças até de avental!

Oh! Se pudera em versos inspirados
Pintar-te aqui a tua perfeição e a graça
Com pinceis e tintas de um pintor de raça…

Mas, (não sei se por mal dos meus pecados),
Não encontro as expressões com que te diga
Que deves ser uma Deusa da lá Grécia Antiga!

Alfredo Costa Pereira
 

ONDE TU ÉS PARTE DO PALCO EM QUE SOU TAMBÉM



 © RÓ MAR

domingo, 4 de outubro de 2015

ILUSÕES


Arte de Juan Gonçález Alacreu 


“ILUSÕES”


Não sei ainda a causa da tristeza
Daquela mulher de olhar indireto;
Por isso trago a minha alma presa,
Tenho sonho perturbado, inquieto!

Não está doente, sei-o de certeza.
Será paixão? Algum amor secreto?
Ela é portadora de invulgar beleza
Com sonhador e misterioso aspeto!

Na sua elegantíssima gentil figura
De princesinha real da desventura
O seu ar prende-nos e nos comove.

A vida é coisa boa mas pequenina;
Não percas dias a sonhar menina
Com as ilusões que nunca houve!

Alfredo Costa Pereira

 

QUANDO O AMOR ENTRA FINO EM NOSSA VIDA


Imagem – art by Marius Markowski


QUANDO O AMOR ENTRA FINO EM NOSSA VIDA


Quando o amor entra fino em nossa vida
Tudo faz sentir bem e a alma circula
Pelas janelas do nosso universo em certa medida
Que o coração abre portas que acumula;

Tudo é tão diferente e permite-se tão igual a nós
Que tememos que possa um dia fugir
Pelos universos alheios e que nos deixe sós
Quando certa saudade extenuar seu existir.

Quando o amor entra fino em nossa vida
Surpreende o nosso universo pela positiva
Ergue mastros utópicos em nau desconhecida;

Alucina certos mares e navega em maré viva
Surpreende a nossa vida em ondas largas e silenciosas
Ergue sexto sentido em certas lágrimas fermosas.

® Maria Pessoa
(pseudónimo)


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

ENQUANTO TU NÃO CHEGAS!


Imagem - Clara Lieu - Diferente art 


ENQUANTO TU NÃO CHEGAS!


Vejo os dias a passar 
E as noites que não passam!
Temo, o teu demorar,
O arrepio em convulsão;

Ajoelho às madrugadas
As horas esperadas,
Suspiro o teu amar
E espilro alma a apagar; 

Encontro-me ao linear
Do teu longínquo olhar
Rabisco negras sombras;

Quiçá veja o dia branco,
Cor da lua que atravanco,
Enquanto tu não chegas!

® RÓ MAR

LÁGRIMAS


Imagem - Google


“LÁGRIMAS”


Lágrimas são pedras preciosas
Quando derramadas por alegria.
Seu valor diminui e se embacia
Se são de tristeza e saudosas!

É sempre saudosa a despedida
Sorriam embora olhos nossos,
Já que no coração fica retida
Forte mágoa entre soluços!

Deixar correr as lágrimas é bom,
É deixar desabafar o coração
E aliviar a dor que nos deprime.

Porém, saber contê-las é nobreza,
É mais que a fama vã ou realeza,
É sobrepor-se ao que nos oprime!

Alfredo Costa Pereira

A MARGARIDA QUE SONHAS AMAR


Imagem - battito d'ali


A MARGARIDA QUE SONHAS AMAR


Quem te inventa tem um nome de flor,
Beleza de prado e pelo olhar mui amor.
Queres sentir sua alma e viver em seu coração?
Queres desfilar sua pele e desfolhar seu botão?

Então, toca-lhe ao olhar e diz baixinho
O nome que provir de seu cheirinho!
Então, leva-a contigo pela alma, sem tocar
Em pétala alguma, e escuta seu coração respirar!

Quem te inventa quer ser tua nobre dama,
Desfilar livremente em campos verdes,
Desabrochar serena e única chama.

Tem oiro olhar e branco desfolhar,
Alto porte e petizes sapatinhos verdes
A Margarida que sonhas amar.

® Maria Pessoa
(pseudónimo)


NINGUÉM ME ESCUTA


Imagem - Google


" NINGUÉM ME ESCUTA "


Ninguém quer escutar os meus gemidos,
As agruras da dor que tu me deste,
Ó desgraçada vida o que fizeste
Aos meus nobres ansejos mais nutridos?

Aonde estão meus sonhos coloridos,
Que tu há muito tempo prometeste,
Não sei porque razão os perverteste
Sem eles nada mais me faz sentido.

São tantas e cruéis estas feridas,
Abertas no meu peito ainda a sangrar,
Rescaldo de mil lutas já vividas.

Onde me leva a nau do sofrimento,
Eu já cansei de tanto navegar
Em mares de porcela e de tormento!..

Abílio Ferradeira de Brito

AMO-TE



Imagem - Created by Hasan


Amo-te


Amo-te tanto, meu amor e tanto
Que o meu peito é fogo em ferida
E quanto mais me seja a dor sentida
Mais medra na minha alma teu encanto.

É como um pássaro a treinar seu canto
Ante o enigma da vastidão suspensa
Meu coração é livro de acalanto
Versando poemas de saudade imensa.

Não é maior o coração que a alma
Nem menos forte a presença e a calma
No barco por onde viaja a partida...

Lá vão gravados todos os meus poemas
Nesta longa viagem de amor e dilemas
Que sucumbirá à morte e à vida.

Helena M. Martins

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

AMANDO OS SEUS OUTONOS


 Imagem - Divergent 


AMANDO OS SEUS OUTONOS


Espreguiçando-se à janela...
Entra o vento de outono
Com cheirinho a canela
A desafiar as teias do sono.

Xícara d’ alma e coração
Que comtempla a estação
Num despertar quase ímpar
Que a natureza tem a dar.

Um sorriso nos lábios…
Amanhecer-se ao vento
Conquistando o momento.

Uma frase afirmativa…
Degustar-se contemplativa
Amando os seus outonos.

® RÓ MAR

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

DÁ-ME A TUA MÃO


Imagem - IRENE SHERI

 

“DÁ-ME A TUA MÃO”


Na multidão que passa,
Quando te vejo na rua,
Sem saber a graça tua,
Eu só vejo a tua graça!

E é esta a verdade nua
A que levanto uma taça:
Tu andas a fazer de Lua
E o meu peito te enlaça.

Teus lindos olhos verdes
Com que tu me prendes,
São fundos como o mar!

Dá-me tua mão mimosa,
Minha estrela, minha rosa
E não me deixes afogar!

Alfredo Costa Pereira
 

ENTRE A ALMA E O CORAÇÃO QUE TE QUER TER


 Imagem - Rêv-éveillée


ENTRE A ALMA E O CORAÇÃO 

QUE TE QUER TER


Escrevo-te umas flores de cetim,
Mensurado perfume a olor jasmim
Que suplanta meu terno coração
E efloresce em alma plena de paixão;

Que te dou em beijo que me prometeste;
Que te ama ao infinito profundo olhar;
Que me adormece as mãos em sonho celeste;
Que recolhe meus pingos de saudade a amar.

Escrevo-te, lírio uma flor campestre,
Dedilhando em teu aroma tão silvestre;
Lês minha boca a amora fruto mestre;

Que te dou tais mananciais de prazer;
Que afloram todo o teu ser a amanhecer
Entre a alma e o coração que te quer ter.

® MARIA PESSOA
(pseudónimo)

  http://mariapessoa.blogspot.pt/

POEMA


 



  POEMA


Sou o teu respirar, o teu sentir.
Sou o teu desabafo angustiado…
Sou aquele momento apaixonado,
Sou lágrima na hora de partir…

Sou às vezes canção, às vezes fado.
Sou coração cansado de carpir.
Sou às vezes verdades a fingir,
Sou a alegria extrema se animado…

Sou a palavra amor, adocicada,
Composta em versos e metrificada,
A relatar histórias de afecto…

Posso ser livre ou ser sujeito a rima,
Em que uma certa música me anima,
Como é o caso aqui deste soneto!...

José Manuel Cabrita Neves