sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O QUE SEMPRE RESPIRO




O QUE SEMPRE RESPIRO


As janelas estão abertas e há alfazema aos molhos!
Aqui, no meu jardim, tu és o perfume sem fim,
O que sempre respiro, a terna flor de jasmim,
A rosa que possui as meninas de meus olhos.

Se vens e partes que importa, se fazes parte de mim,
Se és a dona e senhora do meu coração,
E parte da minha alma, em pleno solstício de verão!
Que sejam sempre teus passos desejo em mim!

Se danças e voas é porque és flor mor,
Se és bela e fermosa é porque a natura assim o quis,
E parte de ti é a frase mais bonita que se diz.

Que sejam sempre teus traços meu amor!
Aqui, neste meu cofre, não há mais lugar 
Senão o espaço a respirar o teu terno amar.

© RÓ MAR


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

INANIÇÃO AMOROSA




Inanição amorosa 


Há tempos semeio o vazio, grão em grão...
Colho sonhos, dia afora, em verdade...
Repito às forças: à gleba árida, vade!
Adubai vida no celeiro de ilusão...

A dor fala à alma: sou sereno e abrigo...
E um quê de desengano me diz serem vão,
O suor da vontade à minha plantação,
O sacrifício vertido ao joirar do trigo...

Irrigo os olhos de um brilho salgado e morno...
Pois desde que ao campo, o sol doirava,
Sentindo fome, como quem minguava,

Fui lenha e de meu coração fiz forno...
Muito amei, fermentada de sofreguidão... 
Jamais, porém, o amor se me fez pão!

Luciana Nobre


A LÁGRIMA




A LÁGRIMA

 
Quem dera acender minha vida
numa estrela de variadas pontas,
e como num desses 'faz-de-contas',
eu me sentisse sua amada querida.

Em uma prece já bem conhecida,
no rolar do tato das doces contas,
as minhas mãos escorregam tontas
- em um belo rosário sem medida.

Junto à suave imagem da Santa,
eu murmuro todo grande anseio -
e o nome que trago no meu seio.

Um tal amor me agita e espanta
até ver a lágrima muito amorosa
cair também da Mater dolorosa!*
 
Silvia Regina Costa Lima
 

NA CIRANDA DO AMOR




NA CIRANDA DO AMOR


Amor, que o nosso amor seja perene,
Como é teu coração meu coração
E que este nosso abraço tão solene
Seja eterna fogueira de paixão.
 
Que o sonho possa ser realidade,
Que tudo se conjugue na harmonia
E assim possa raiar felicidade
Por toda a nossa vida, dia a dia..
 
O teu beijo no meu tem o sabor
De um fruto tropical adocicado
Regado ao luar de madrugada.
 
Queremos que Afrodite por amor
Nos dei um doce leito adornado
Com o Sol refulgente da alvorada.
 
Abílio Ferradeira de Brito

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

RESPIRO…QUE ME RESPIRAS




RESPIRO…QUE ME RESPIRAS


Hoje, respiro, o dia…,que me respiras
Orgulhoso de teres na mão a flor, de beleza,
Que cuidaste no teu jardim! Suspiras
Frescor do dia pela tua alma de certeza!

Hoje, respiro…,que me desabotoas a alma,
Perfumando o teu habitat com todas as pétalas,
Que cobres de beijos o chão, a cama
Dos desejos, em muitas outras falas!

Hoje, respiro…,que me desenhas, com clareza,
À semelhança de uma natureza querida,
Que me respiras pelos poros da pele de certeza!

Hoje, respiro…, o dia, que respiramos outra poesia!
Sinto que a utopia é real, versos de vida!
Sinto-me mulher em toda a geografia!

© RÓ MAR


ALTAR DO PRAZER




ALTAR DO PRAZER


Escondida no teu mundo.
Absorves a beleza da flor,
Com o teu olhar profundo
Tentas encontrar o amor.

Essa palavra misteriosa.
Impregnada de emoção,
Cor rubra, bela de rosa,
A cor do nosso coração.

Esse órgão tão perfeito,
Símbolo do nosso viver.
O ritmo dentro do peito,

Com cadência do bater.
Corolário da nossa vida,
O altar do nosso prazer.

Joaquim Jorge de Oliveira
 

LUZ LUNAR




Luz lunar


Quando ao teu lado, um encanto nunca visto
Inteiramente e sem razão me enternece!
Logo ele eu sou... sou tão feliz! E como em prece,
Erguendo os olhos, por descrevê-lo insisto!

Mas sendo um instante por minha alma tão quisto,
Perco as palavras... No peito a voz enlutece...
A lua ao céu, qual a me socorrer quisesse, 
Mui serenamente vem ensinar-me isto:

Apenas sente a luz a te pulsar às veias,
Sob a claridade que enfim te enleia...
Correm as horas, e eu parada no tempo,

Depressa acolho, de teu amor, a ventura!
Então calada, ao teu olhar o meu jura,
Será eterno, em mim, cada vão momento!

Luciana Nobre

 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

LONGE DE TI




LONGE DE TI 


 Os meus dias tristonhos vão chegando,
Sem brilho e sem candor, com nostalgia,
Porque eu a toda a hora vou lembrando
Aquele doce amor que me sorria.
 
A vida magoa a magoa se gastando,
Depois da noite agreste a manhã fria,
Tão pouco dos meus sonhos vai sobrando
E tudo vai morrendo dia a dia.
 
No reino da saudade vivo agora,
Pois é ela que me abraça e que me adora,
Está sempre feliz junto de mim.
 
Contudo é só minha esta aflição,
Sofrendo o meu pobre coração,
Nas malhas da paixão que não tem fim!
 
Abílio Ferradeira de Brito


INSÂNIA




Insânia

 
Ah! Se eu pudera agora escreveria
um sonho colorido, em tons pastéis, 
com borboletas belas nos vergéis
sempre exalar essências de utopia.

Um sonho em pura forma de poesia,
riscada com finíssimos pincéis,
por sobre as sedas alvas dos papéis
que cada verso meu macularia. 

Escreveria, sim. Ai! Se eu pudera
pintá-lo com as tintas da quimera,
com toques de paixão, em tons diversos.

Seria muito bom, por Deus, seria
pinta-lo com as cores da magia
que habita muito além desses meus versos.

Edir Pina de Barros

RESPIRO O VENTRE QUE SOU





RESPIRO O VENTRE QUE SOU


Quero mui bem amar a natureza e dela poder desfrutar!
Quedo-me, na mais pura essência, onde respiro o ventre que sou!
Passeando de arbusto em arbusto, vejo, a raiz que brilhou,
Palavras, quais capazes, de mui amar;

Vejo campos de mui beleza, que se insinuam
Tão bem, que nem preciso de escrever para se ler
O quão é belo viver livre e amando os que nos amam!
Ainda assim anoto o que tanto quero ver crescer...

Numa folha branquela, interrompida pelo silêncio da natureza,
Brotam palavras que crescem em ramos de alfazema;
Sentem-se os cheiros à margem refletindo beleza...

De uma essência que tenho mui estimada para enaltecer
O capítulo que ouso assim compor, espelhando a serena alma,
Pelo universo que abre portas a este meu ser.

© RÓ MAR

TEMPO DE INOCÊNCIA




TEMPO DE INOCÊNCIA
 

E a correr pelos campos verdejantes,
vem a luz do sol matinal (me abraça)
dourando todos os trigos ondulantes,
numa cor de ouro sem nenhuma jaça.

Os meus olhos são feito dois mirantes
ou um farol aceso que a tudo devassa,
e lembra-me das paisagens distantes:
uma casa... a rua... crianças na praça.

Uma ternura doce, de beleza infinita,
enlaça minha alma que, ali, se agita
- inebriada por um deleite profundo.

E esqueço a crise (dores da vivência)
voltando ao meu tempo de inocência -
na linda manhã que ilumina o mundo!
 
Silvia Regina Costa Lima