quarta-feira, 13 de setembro de 2017

MEU CORAÇÃO PELO VENTO A VERBO AMAR


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MEU CORAÇÃO PELO VENTO A VERBO AMAR


Gosto do suave fresco das manhãs e seu brio
Dos passarinhos a cantar e seus ninhos,
Do verde-níveo das águas que fluem o rio,
Das gentes simples e com muitos sonhos;

Gosto de tudo que é ou faz por ser natureza,
Da vida e toda a genuína beleza,
Dos cheiros e da terra que também é minha,
Dos sentidos apurados, sorte minha!

Gosto de um beijo ou abraço pelo azul luar,
Sentir a pureza perpétuando amizades e amar,
Sem preconceitos, qualquer e todo o universo.

Gosto de escrever em jeito de verso,
Sentir a alma fluir e poder partilhar
Meu coração pelo vento a verbo amar.

© Ró Mar

MUNDO PEQUENO




Mundo pequeno


O nosso mundo, amor, ficou pequeno,
não cabe nossos sonhos, como outrora,
pois cada qual aos poucos se evapora
e tu nem vês o quanto sofro, peno.

Ficou estreito... Não, não te condeno.
Julgar-te não me cabe, mesmo agora,
que partes sem me olhar - e tudo chora -
sem degustar o vinho teu, chileno.

O que fazer, amor, de cada sonho
que tempo atrás nós dois sonhamos juntos?
Hão de morrer, por certo, pouco a pouco.

E nestes versos – que por ti componho –
hão de ficar, em meio a mais assuntos,
sinais de nosso amor, imenso e louco.

A PARTILHA DO POETA




A PARTILHA DO POETA


Não me pertencem mais os pensamentos,
Que partilho nos meus pobres sonetos!
Deixam de ser só meus, de ser secretos,
Essas partes de mim, esses fragmentos…

Há palavras que sangram meus afectos!
Outras falam de orvalhos e relentos…
De dias soalheiros ou cinzentos,
Ou de fantasmas, sombras e esqueletos…

São emoções relâmpagos da mente!
Rios de angústia presa na corrente,
De mágoas desaguando junto à foz…

São as prisões, amarras e grilhetas,
Que habitam a existência dos poetas,
Até que os sentimentos ganhem voz!...

José Manuel Cabrita Neves

domingo, 10 de setembro de 2017

DESCREVE-SE A SAUDADE QUE TEM NOSSA PRAIA


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DESCREVE-SE A SAUDADE QUE TEM NOSSA PRAIA


A nossa praia é mundo mais que distante
Ainda assim é-me tão rente ao coração.
Sabe-me a deserto de um tempo errante
Onde o mar é-me espuma de paixão.

Lá, ao longe, brilham as ondas de amor
Que naufragam pelo tejo de uma canção;
Agita-se a vontade de ir ao encontro do autor
Porém a tempestade impera pela região.

A nossa praia é areal pleno de magia que avulto.
Tropeço-me pela frieza de um tempo revolto,
Arrefece-me a grafia pela solitude mor,

E, quedo rente à íngreme escadaria da poesia;
Solta-se a letra enraizada de um grande amor,
Descreve-se a saudade que tem nossa praia.

© Ró Mar

“LUAR DE AGOSTO”


Pintura de Claude Monet


“LUAR DE AGOSTO”


Vamos à floresta, amor, vamos ouvir as fontes,
A borbulharem na planície lá daqueles montes;
Os ramos de folhas das árvores estão vergados,
Para abrigarem do sol, a frescura dos relvados!

Entrega os doces lábios aos meus, sequiosos,
E esquecidos na harmonia bucólica dos prados;
Sonharemos pelas fontes solitárias, embalados 
Da brisa adormecente, os sonhos mais ditosos!

Estaremos só os dois. Cairão nos teus cabelos
As trémulas flores das tílias formando novelos!
Cheia pelas fontes, e com nenúfares amarelos,

Numa lagoa azul, ondulante em baloiços singelos,
Estará a flutuar um frágil barco, à nossa espera,
Onde, sob a magia do luar, nascerá a Primavera!

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

APENAS TU




APENAS TU


Foram tantas as mãos que me tocaram
E tantos os sorrisos que me deram...
Mas toques e sorrisos mais não eram
Do que armas com que me atraiçoaram!...

Apenas os teus olhos entenderam
O que os meus, desejosos, imploraram,
Apenas tuas mãos recuperaram
Os sentidos que em tempos se perderam...

Por nada trocaria o teu sorriso,
O teu olhar feliz, apaixonado,
Que me oferece a força que preciso.

Saber que tu existes ao meu lado
Torna mais firme até o chão que piso,
Faz-me sentir p’lo Céu abençoado!

Carlos Fragata

QUE O TEU SORRISO NUNCA SE APAGUE MINHA FLOR!


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QUE O TEU SORRISO NUNCA SE APAGUE MINHA FLOR!


Que o teu sorriso nunca se apague minha flor,
Pois enquanto isso, és olor primavil e grã amor
Que tenho bem guardado em todo meu ser,
Por enquanto silente, que um dia o possa dizer!

Tens a juvealidade pelos lábios estampada
E a plenitude de grã ser vidrada pelo olhar
Tuas mãos são arte tecida e adamascada,
Adivinho-te mulher prendada, que posso confiar!

És a mais fermosa e singela flor da natureza
E princesa por mim tão amada que de certeza
Nada fará o ser mais feliz que ver brilhar o dia

Pela luz de teus olhos, sentir alegria pelo dia
Resplandecendo a vida, enquanto caligrafia!
Que o teu sorriso nunca se apague minha flor!

© Ró Mar

EU SOU AQUELA




Eu sou aquela


Eu sou aquela que driblou a própria sorte
que se encontrou sem nunca andar de si perdida,
a que estancou o sangue fluido da ferida,
que a superou sem nunca ter qualquer suporte.

Eu sou aquela que enganou a própria morte,
a que voltou de seus umbrais, buscou saída,
a que venceu depois de andar demais vencida,
e renasceu do pó das cinzas livre e forte.

Porém se eu não driblasse a sorte o que seria
de mim? De meu viver? De minha travessia?
Talvez a sombra de quem sou, ou mesmo nada.

Exatamente por ser frágil – eu assumo –
persigo sempre, sem cessar, o norte, rumo,
cabeça erguida, erguida sempre a minha espada.