quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

FALTAS-ME…


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FALTAS-ME…


Aquela troca de olhares, só duas palavras,
Um beijo cúmplice é mais que tudo.
É um universo que move e alastra vidas...
E assim faz do presente um novo mundo.

A amizade é só um dos bens mais precioso,
É o pilar que alimenta e move os dias que preciso.
Aquela força que imana de um simples abraço
É a áurea que constrói de novo o vazio de um espaço.

A tua presença é muito mais que tudo.
É a razão que faz sonhar com o tempo novo,
A certeza que difunde as dúvidas onde me movo.

Aquela troca de olhares, só duas palavras que provo,
O romper de um silêncio é mais que tudo.
Faltas-me… ainda acredito que sou amado.

© RÓ MAR


domingo, 18 de dezembro de 2016

GOSTO DE TI




“GOSTO DE TI”


Aí vem a aurora com seus mantos luminosos:
Eu amo os teus sorrisos de encanto sem fim,
Mas amo ainda mais os teus lábios formosos
Os teus lábios que sorriem de amor para mim!

Eu amo as estrelas nas suas abóbadas infindas
Vertendo nos lagos um sereno e calmo fulgor;
Mas gosto mais ainda dos teus tão lindos olhos
Deitando na minha alma os seus raios de amor.

Também gosto das ondas do mar da cor do luar
Mas ainda gosto mais dos teus belos cabelos
Que sobre teus ombros largos costumas soltar!

Gosto da brisa da tarde e ouvir os seus lamentos
Lá longe nas serras e montes cobertos de gelos;
Mas o que eu mais amo na vida é o teu amor 
Que me ofereces em todos os momentos!

Alfredo Costa Pereira

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

PÁSSARO FERIDO



Pássaro ferido


Sou pássaro ferido – voo lento –
a vida me atirou calhau na asa,
enquanto eu voo o sangue aos poucos vasa
e mesmo assim eu vou cortando o vento.

Voar mais alto muitas vezes tento,
porém a minha força é curta e rasa,
e doí-me tanto quando o sol se abrasa,
mas mesmo em dor um novo sonho invento.

Um pássaro ferido e persistente,
que plana em pleno céu e segue em frente,
sempre a buscar além nova quimera.

E voo, e voo, sempre em rumo certo
hei de encontrar oásis no deserto:
a luz do amor, que cura e regenera.

Edir Pina de Barros


domingo, 4 de dezembro de 2016

O TEU AMOR... AMOR!




"O TEU AMOR... AMOR!"


O teu amor... Amor, refúgio meu,
um mundo de carinho e de ternura,
sempre serás pra mim, um doce céu
meu nicho de prazer e de loucura.

 O teu amor... Amor, que Deus me deu,
tem a fímbria de sonho e de ventura,
jurei por este amor, ser sempre teu,
amar-te para além da sepultura.
 
Meu anjo querubim, meu céu estrelado,
juntamos nossas vidas num só fado,
à luz do grande amor que nos cingiu.
 
O tempo que ao passar tudo devassa,
jamais há-de roubar a plena graça,
desta bênção de Deus que nos uniu.
 
Abílio Ferradeira de Brito


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

POR MEU AMADO




POR MEU AMADO


Qual pássaro cantará sem encanto?
Qual barco não irá para seu canto?
Não sei e irei em busca incessante
por meu amado... por meu amante.

Dizem que o amor dá asas, entanto
eu não penso assim e, por enquanto,
não desejo ter uma paixão distante
ou que encalhe numa maré vazante.

Ah! falam tanta coisa e sou incapaz
de tudo assimilar e ainda sentir paz.
Tanta tolice só me faz irar (e chorar).

Triste de quem deixa o amado partir
e permanece indiferente vendo-o ir,
pois não sabe o que é amar (e zelar).


Silvia Regina Costa Lima

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

CORAÇÕES A COMPASSO





"CORAÇÕES A COMPASSO"


Se os nossos corações estão juntinhos
a caminhar na mesma direcção,
não podem ser dif'rentes os caminhos
se os dois formam somente um coração.

Unificados foram os destinos
e nada nos separa minha amada,
seremos deste amor dois paladinos
que seguem peregrinos nesta estrada.

Que se acenda no céu brilhante estrela
e que este grande amor brilhe com ela
na forma mais intensa e fulgurante.

Que a paz nos traga paz pla vida fora
e que seja o amor a toda a hora,
nos nossos corações uma constante.

Abílio Ferradeira de Brito

A VIDA É SONHO




A vida é sonho


Mas como não sonhar se a vida é sonho
um mundo etéreo, feito de quimera,
e nunca o que se quer, o que se espera,
às vezes triste e às vezes tão risonho.

Por isso nesses versos que eu componho
à luz do sonho eu canto a primavera
que o encanto de viver nos assevera,
e não o inverno gélido, enfadonho.

Sonhei! E dos meus sonhos de poeta,
- que nunca serão sonhos de um asceta –
desentranhei os versos que ora escrevo.

Sonhemos, pois, que o sonho alegra o triste,
e torna bem melhor quem não desiste
de ver a vida com meiguice e enlevo.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

QUANDO O TEMPO…


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QUANDO O TEMPO…


Que importa o tempo que ainda há pela frente,
Que importa o que ainda há para descobrir,
Se é nuvem, vento, chuva ou `souvenir´,
Quando o tempo te fez ser outra gente!?

Que importa o que há além do horizonte,
Que importa o que há segredado aos céus,
Se é anjo, demónio ou `vida permanente´,
Quando o tempo te fez outra semente!?

Que importa o que ainda há para poder ser,
Que importa o que há além do simples viver,
Quando o tempo tem ao momento o mundo!?

Que importa o que há além de umas estrelas,
O que importa o que há nos meandros delas,
Quando o tempo tem uno universo ao segundo!?

© RÓ MAR


sábado, 15 de outubro de 2016

IMPULSOS DA ALMA




IMPULSOS DA ALMA


Num mero estado de ausência da mente,
Sem convergir pensamento e ação,
Planei céus salpicados de evasão 
E fluí em trasladada corrente.

À velocidade do meteorito,
Maleável aos impulsos da alma,
Descobri uma verdade que acalma:
A minha morada é o infinito.

Deixei bem longe o saco das querelas
Como a retirar o homem à guerra…
Para tornar as viagens mais belas.

Poderei sentir-me um mortal que erra,
Mas um colaborador das estrelas
Que daqui verá descer Céu à Terra.

© Jorge Nuno 

SE HOJE EU PARTIR




SE HOJE EU PARTIR


Se por acaso eu, hoje partir,
não quero que tu chores minha amada,
promete meu amor que vás sorrir
e lembrar os meus versos na abalada.

Se por acaso eu hoje partir,
os anjos vão cantar minha balada,
trombetas e clarins irás ouvir,
como quem anuncia a alvorada.

Se olhares para o céu, entre as estrelas,
há uma que cintila fugazmente,
sou eu, que te fito, no meio delas.

A vida aqui na terra pouco dura,
no céu vamos viver eternamente
o nosso lindo sonho de ternura.

Abílio Ferradeira de Brito

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

CHEIRA A OUTONO DE GENTE BEM-AMADA!


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CHEIRA A OUTONO DE GENTE BEM-AMADA!


Cheira a outono  de gente bem-amada!
Relva molhada,  terra almofadada
De mil folhas, dulcineia, sorriso ao luar
Tem a memória de criança a sonhar.

Pela alma vai e vem o vento de momentos,
Pelo coração acende a labareda de intentos,
Salpica a chita colorida de verdes olhos,
Chuva miudinha, oceano franzino aos folhos.

Chapéu à beira-mar, o sorriso ao luar
Cheira a outono de gente bem-amada!
Ao rubro da  natureza vinga o olhar,

Ao sabor da estação embala petiz coração,
Centelha belisca ideia de mil folhas, estrelada
Grita aos ventos o outono em tom de canção.

 © RÓ MAR


SOLIDÃO




Solidão


Entre um olhar e outro já não vejo
a luz de teu sorriso terno e brando...
e nos caminhos onde só eu ando
rumino as ânsias loucas do desejo.

E assim, sem ti, prossigo caminhando
enquanto a minha lira tanjo, arpejo,
a suplicar a dádiva de um beijo
nesse andejar errático, nefando.

Quisera, sim, a luz de teu sorriso,
e o beijo doce e terno que eu preciso
para seguir em paz o meu caminho.

Prossigo no vazio dos teus passos,
sem rumo, sem destino, olhos baços
e aonde vou parar nem adivinho.

ALMA APAIXONADA





ALMA APAIXONADA


 Mesmo que me faltassem flores,
ou que me fechassem os mares,
que as aves sumissem dos ares,
e cinza ficassem todas as cores.

Mesmo assim, nem todas as dores
(ou todos os seus tristonhos pares)
matariam o brilho Alfa de Antares, 
e arrastariam os meus vis temores.

Ah! eu tangeria a lira e um flautim
celebrando a vida com meu Pastor
- sob um perfumado pé de jasmim.

Pois meu bem-querer é via constelada,
cintilando todas as partículas de amor,
em minh'alma entregue e apaixonada!

Silvia Regina Costa Lima

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A VIDA QUE TE CONTO


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A VIDA QUE TE CONTO


Aceita o meu amor em forma de flor
E caminha de mãos dadas com o olor
Da mais pura rosa que um dia conheceste...
E vive este mundo e o outro mais celeste.

Aceita este meu regaço de coração largo
E olha as estrelas, vais ver um luar rosa
A cor de meu amor, de mulher fermosa,
Sente este meu olhar e dança comigo.

Aceita este meu estar e entra no meu pensamento
Vive este amor, nem que seja por um momento
E lê o que te diz o teu coração em voz alta.

Sente a vibração do teu proferir pela pauta
Que compõe um céu mais diferente, magneto,
E descobre pétala a pétala a vida que te conto.

© RÓ MAR

CORAÇÃO VAGABUNDO





"CORAÇÃO VAGABUNDO"


Coração, meu irmão intransegente,
que temas em seguir o teu caminho,...
esquecendo às vezes que sou gente
que pensa, sente e sofre sem carinho.
 
Ao meu querer tu és indiferente,
em cada caminhada um espinho,
porque hei - de eu de ti ser dependente
e não posso na vida ir sózinho?
 
Tu que sempre guardaste os meus segredos,
de tantas aventuras e degredos,
resquícios de uma vida amargurada.
 
Aonde me levas tu meu coração,
de mim nunca tiveste compaixão,
pois sabes que eu sem ti, nunca fui nada!
 
Abílio Ferradeira de Brito

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

DESTINO IGUAL





Destino igual


Oh! Lua! Como tu sozinha andejo 
pisando nuvens densas de saudade, 
perdida nos porões da imensidade 
da força da paixão e do desejo. 

Sou livre, mas não tenho liberdade 
(sou presa de um amor que é tão sobejo) 
por isso em ti me espelho e em ti me vejo, 
mas não me escutas mesmo que eu te brade. 

E como tu - no espaço teu sidéreo 
envolta em tantos véus d’algum mistério – 
prossigo a caminhar sem ter caminho. 

Nós duas – eu e tu - cumprindo o rito 
de esse andejar tão só pelo infinito 
sem encontrar, do amor, o morno ninho. 

Edir Pina de Barros


domingo, 11 de setembro de 2016

SETE SEGREDOS




SETE SEGREDOS 


Insone, de passagem pelo sonho,
abro o leque dos sete segredos
e solto-os pelos vãos dos dedos
nos versos que sempre componho.

Se não sei agora onde os ponho,
não é somente por serem medos,
mas por causa de certos enredos
aos quais eu sempre me oponho.

Medonho é quedar assim ausente,
doente, a alma cheia de memória:
o passado enroscado no presente.

Ah! É justamente a tua ausência
que me afeta a vida (e a história)
e me põe aos pés desta demência!

Silvia Regina Costa Lima

OLHARES INVISÍVEIS


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OLHARES INVISÍVEIS


Teus desejos são meus largos sentimentos,
Meu coração é túmulo de momentos…
São outras cores! Quedam as nossas almas, 
Reflexas à luz `braille´ que ainda chamas.

Teus cabelos voam pelo imagético luar
Da minha existência, fios de adereço!
A saudade que nos habita tem fundo ímpar
E olhar invisível `percetível´ ao nosso espaço.

Nossas vidas, seres `sonhos´ utópicos,
Sentem a intensidade da luz não propagada
Que habita entre nós e todos os mundos.

Passeamos pelo `rubro´ céu de mão dada.
Que pequenas e tão alvas nossas mãos!
Que longa e tão névoa a suposta estrada!

© RÓ MAR


terça-feira, 16 de agosto de 2016

SONETO ITALIANO





SONETO ITALIANO 


Soneto de asas, soneto italiano
Qual indígena de gestação interna,
Marca sublime da língua materna 
Arezzo, Dante, Petrarca e Boccaccio.

Soneto voador, soneto pisano
Pela mão de Miranda hodierna
Traçando a sua crença de alma terna
Na língua viva de cunho lusitano.

Soneto criador, feito viajante,
Que em Tasso delegou o seu talento 
E em Camões teve brilho triunfante.

Eis o poema, com ou sem imolamento,
Poema espartilhado tornado amante
Do literário engenho em movimento.

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

CONFISSÕES




Confissões

 
Suplício mesmo é amar-te desse jeito
com tanta insensatez, demais loucura,
que chego a padecer, pois me tortura
querer-te tanto quando assim te espreito.

E quando ao lado teu, enfim, me deito,
eu sinto um frenesi que em mim perdura
em forma de desejo e de ternura
que o mundo me parece azul, perfeito.

Amar-te desse modo, sem por peias, 
do jeito que eu te quero e tu anseias,
é dom que me faz bem, é minha prece

Que doce inferno que esse amor encobre
pois apesar de frágil é forte e nobre
e nunca perde o encanto ou se arrefece.

Edir Pina de Barros

quinta-feira, 7 de julho de 2016

AZUL-FAIANÇA




AZUL-FAIANÇA
 

Nasce a noite arrastando a lua
(que resplandece por toda a rua
sendo a rainha dentre os astros)
a colocar, cada qual, de rastros.

Ela vem assim altiva... assim nua
e o seu belo brilho mais se acentua
- se não recua! Cor dos alabastros,
navega no espaço a plenos mastros.

Surgem dez mil estrelas que piscam
e, no Universo, belezas elas riscam
portando o mais majestoso encanto.

O esplendor é tanto que o seu manto
me lembra aquela louça azul-faiança
do tempo de vovó quando era criança.
Silvia Regina Costa Lima

segunda-feira, 20 de junho de 2016

ABISMO




Abismo
 

Inferno mesmo é amar-te sem juízo
e desse amor sentir a morte em vida
sem nem pensar que ao nada nos convida
sem dar em troca tudo que eu preciso.

Amor que não conduz ao paraíso
deixando-me mais só e desvalida,
enquanto a dor em mim se consolida
enquanto, pouco a pouco, eu me agonizo.

Maldito amor! Eu ardo em pleno inverno
enquanto dentro o peito é frio inferno
e tudo n’alma em chama neva, neva.

Amar-te assim é o meu fatal abismo
e me pergunto mesmo se eu sofismo
acerca desse amor que é a minha treva.

Edir Pina de Barros


NUM BALOIÇAR DE CORAÇÃO TAL UM MENINO





NUM BALOIÇAR DE CORAÇÃO 

TAL UM MENINO


Pela beleza e mistério da natura passeio a dor
E exalto a paixão que habita meu coração.
Num piscar de olhos vejo minha alma em flor.
É o silêncio do universo que me dá outra razão.

É o perfume dos dias que me dá vida.
Pelo seu olor caminho sem destino
E amo cada vez mais a essência tão querida.
Num baloiçar de coração tal um menino.

Sonho o mais-que-perfeito universo a amar.
E sinto cada vez mais a força natura ativa.
É outra alma que me dá energia positiva.

Pela magia do semblante escrevo par a par
E nasce assim uma poesia que habita o mar.
Num mergulhar de azul céu que objetiva.

© RÓ MAR


quinta-feira, 16 de junho de 2016

TEMPERANÇA





TEMPERANÇA 


E antes de acender-se o sol em dia claro
Das copas densas ao ar leve, em rebuliço,
Encantos mil despertam, voam, cantam viço
Meu peito e a palafita tremem, qual disparo... 

Mas tal viver não quero... corro, logo paro…
Me achego à janela… me entrego a um feitiço:
O beijo anil nas nuvens dum ouro maciço
Cortejando a manhã, de brilho azul mais caro...

Me deixo acordar, porém mais lentamente...
Imito o espelho d'agua, que ao redor, à dança,
Lhe vem tirar a luz porque nos quer luzentes...

Quintal inda orvalha e exala esperança...
E longe bem me sinto... talvez diferente...
Capaz de enxergar a tal cor temperança...

Luciana Nobre


PÁSSARO LIBERTO





Pássaro liberto

 
Não quero, não, jantar à luz de velas,
nem liras a gemer candentes versos,
nem toques de candor, os mais diversos,
nem sinos a planger lá nas capelas. 

De nada valem rosas nas janelas,
- jamais perfumarão os meus anversos – 
nem juramentos, sempre controversos, 
pois deixam sempre n’alma dor, sequelas.

Enfim, desejo nada. Eu não desejo
quaisquer promessas. Amo a liberdade
de amar o amor, que é pássaro que voa.

Ai! Deixa-me voar! Que eu sempre adejo
livre nos céus. Eu não suporto grade 
e quero assim viver, voando à toa.


segunda-feira, 13 de junho de 2016

NOITE DE PRIMAVERA


Arte de Rubens Gerchman


NOITE DE PRIMAVERA


Vem a noite no arvoredo
Trás o aroma das plantas. 
Vêm as estrelas a medo,
Devagar tornam-se tantas!

Foste entrando na floresta
Caminhaste até á velha tília
Doirada por ramos de giesta,
Que aí estavam de vigília!

Colocaste-te sob as folhas
Perto dessa fonte adorada;
A água ao cair fazia bolhas!

Depois de beijos abraçados 
Tua fronte acabou deitada
No meu ombro, olhos fechados!

Alfredo Costa Pereira

O TEMPO TEM PERENE SABOR A OURO-LUME


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O TEMPO TEM PERENE SABOR A OURO-LUME


O campo move-se em torno da abóbada firme,
O sol espelha-se à face de um vento de trigais,
A vida trepa pelo solo em flor de um perfume
Silvestre e afirma-se pelos madrigais…

Que contemplam a essência natureza
E espelham-se à luz de outras tais poesias…
A vida sente-se ao coração e eleva sua beleza
Pelas almas que escutam boas energias.

O tempo não poderia ser melhor,
A vida espelha-se à estrela maior,
O universo cresce em toda a natureza.

O campo move-se em torno da abóbada firme,
O céu espelha-se à terra de tamanha realeza,
O tempo tem perene sabor a ouro-lume.

© RÓ MAR


domingo, 5 de junho de 2016

MINHA DOCE FADA




"MINHA DOCE FADA"


És tu eternamente a mais qu'rida
A minha flor sem tempo debroada,
Serás por todo o sempre a minha amada,
O meu maior enlevo nesta vida.

Aurora, loura esp'rança renascida,
Que brilha no meu céu feita alvorada,
Rósea felicidade anunciada,
A leda e doce fada enternecida.

És Julieta linda, teu carinho
Venceu a escuridão do meu caminho
Agora tudo em mim tem vida e cor.

A nosso mundo hoje é diferente,
Eu sinto que afinal somos mais gente,
Porque e grande a fulgência deste amor!

Abílio Ferradeira de Brito

AQUELA IDADE




AQUELA IDADE


Um cabeça no ar, um pinga amor,
Inconstante tal qual um catavento,
Que os corações, deixou em sofrimento,
Das moças suspirando ao seu redor…

Romântico, apelava ao sentimento,
Seu hábil álibi conquistador…
De aspecto apaixonado e sedutor,
Dizendo-se de beijos estar sedento!

Foram vários amores, várias paixões!
Foram promessas vãs, desilusões…
Ímpetos naturais daquela idade! 

Mas, ai, foram também prazer imenso,
Para ambas as partes, creio e penso,
Que todos recordamos com saudade!...

sexta-feira, 3 de junho de 2016

ALÉM DOS MEUS LIMITES




ALÉM DOS MEUS LIMITES
 


Não ordene Deus que eu jure
e nem consinta que eu perjure
se a mente cria mil fantasias,
indo das tristezas às euforias.

Não deixe que nada me segure,
mas, antes, que eu aqui mature
tudo aquilo que me traz agonias
e as converta em novas alegrias.

Quero ir bem além dos meus limites,
romper os espaços cinzas e grafites,
completar o esboço deste arcabouço.

Todavia, preciso dum impulso vertical
que me sacuda dessa inércia habitual
e me liberte do meu próprio calabouço.

Silvia Regina Costa Lima


segunda-feira, 30 de maio de 2016

QUERO NAVEGAR NO TEU CÉU





"QUERO NAVEGAR NO TEU CÉU"


Deixa-me navegar pelo teu céu,
beijar a tua estrela mais brilhante,
abraçar tua lua e ser amante
desse lindo universo que é o teu.

Eu quero inventar os teus planetas
e com luzes pequenas adornar,
quero nesse céu ser nauta, navegar
e rendilhar as caudas dos cumetas.

E nesse espaço tão verosimil,
vendo florir em nós eterno Abril,
tecer na tua boca madrigais.

Virar meteoritos diademas,
quebrar por amor grossas algemas,
viver para te amar cada vez mais.

Abílio Ferradeira de Brito

sábado, 21 de maio de 2016

A DIFERENÇA





A DIFERENÇA


Há fazedores de versos sem medida,
Que dizem ser poesia, pois que seja!
Não contesto, embora não me veja,
A ser um praticante da aludida…

Um soneto me chega e me sobeja,
Sem que a ideia fique comprimida,
Para falar de amor, de paz, da vida,
Conforme o coração sente e almeja!

Entre um poema livre e um soneto,
Ambos a descrever o mesmo afecto,
Porém algo sublime os diferencia:

No combinar da métrica e da rima,
Nasce do poeta a sua obra-prima,
Onde há pleno sentir e há melodia!...

José Manuel Cabrita Neves


CAMPO DISPERSO


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CAMPO DISPERSO


Há que perceber que o tempo que se perde
A separar o trigo do joio é precioso para viver;
Que a vida são momentos de uma felicidade
Que tem os minutos todos regrados a ser.

Há que perceber que o universo é um misto,
De afazeres, de gentes com enormes variedades;
Que a vida não gira em torno de vaidades
Que tem a pretensão do parecer bem-visto.

Que poderei eu dizer ou fazer para que sejamos
Mais humanos, cúmplices de todos os ideais
E experts de uma vida que tem gente demais!?

Para quê dizer ou fazer…. para que o universo
Seja safra de uma só cultura, nação que queremos,
Quando o que está em questão é campo disperso!?

© RÓ MAR



SONETO VAGO




Soneto vago


Aos poucos cai a tarde aconchegante
e tudo ganha um tom de nostalgia
enquanto busco em tudo poesia
que a doce paz interna me garante.

Escuto a seu rumor aqui e adiante
na brisa que o arvoredo acaricia
e na palmeira muito alta, esguia,
onde uma arara canta tão galante.

E tudo ganha um tom purpúreo e belo
que aos poucos nestes versos eu pincelo
com tintas da emoção que dentro trago 

Muito me escapa, eu sei. O belo é etéreo,
e guarda, dentro em si, demais mistério
que tudo que escrevi é pouco e vago.

PROMESSA ENCOBERTA


Arte de Vicente Romero


“PROMESSA ENCOBERTA”


Existe sempre uma promessa encoberta
De beleza infinita, que cada pessoa contém!
É provável que da Natureza seja uma oferta
Que nem sempre consigo descobrir porém!

Escondo-me num sótão que guardo em mim
Abro o mapa e passeio-me sem bagagens!
Faço um fundo musical para cada terra, sim.
Isso alegra um pouco estas minhas viagens.

Diariamente sou diferente, sinto-o vagamente;
Às vezes quero ser um pássaro a rasgar o ar;
Outras quero ser criança ao sol e vento brincar.

E se descubro outra beleza em ti novamente
Saio do meu sótão fico liberto e certamente
Tu renasces num verso que me vai encantar!

Alfredo Costa Pereira

sábado, 14 de maio de 2016

O MEU SONHO MAIS SONHADO





“ O MEU SONHO MAIS SONHADO “


Eu quero adormecer no teu regaço.
Na teia deste amor fazer o ninho,
Não mais acordar triste e tão sozinho
Como pela manhã eu sempre faço.

Fazer do teu pulsar o meu compasso,
Da luz desses teus olhos meu caminho,
No mar desse teu corpo ser golfinho
Querendo auferir do teu abraço.

Eu quero que tu sempre sejas minha,
Fazer de ti, amor, minha rainha,
Do meu virtual reino f’licidade.

Sentir nestes meus lábios doces beijos,
Não mais sofrer agruras de desejos,
Que o sonho seja enfim realidade.

Abílio Ferradeira de Brito


MAIO


Imagem - Gold Art


MAIO


Maio, de todos os encantos, seus esbeltos cabelos
Voam pela rosa dos ventos em baladas de rabelos,
Seus mares versejam o belo universo magenta
Em palete de coração por todo planeta.

Maio, que tem novas ideias, seus pensamentos planeiam
O jardim poético, a áurea natural à mão
E a escrita pela visão do mês de todas as primaveras
Em folhas de carvalho de tamanhas eras.

Maio, de todas as gentes, seus braços os remos
De prosperidade que beijam o sal de uma nação
Em cândidas passeatas de primorosa estação.

Maio, que tem a janela aberta e o sol à porta,
Seus nobres respirares inspiram a beleza que temos,
A frescura do dia, o sorriso à noite que nos reinventa.

© RÓ MAR


REMINISCÊNCIAS





Reminiscências

 
Nasci em tempos bons, mais generosos,
repletos de alegria e de fartura,
e agora vivo em tempos de tristura,
de medos e agonias, desditosos.

Menina, nos bons tempos de ventura,
colhia frutos doces, saborosos,
cajus tão pequeninos, mas viçosos,
no meu Cerrado – cesto na cintura.

Agora - nesses tempos hodiernos –
não colho mais pequi, nem gabirovas,
porque tudo mudou e está cercado.

Foram-se os tempos fartos e fraternos,
que agora canto aqui em versos, trovas,
resquícios desse tempo já passado.

domingo, 8 de maio de 2016

O AROMA DA MANHÃ


Arte de Maria Antónia Marques Gomes


“O AROMA DA MANHÔ


Gosto de ti meu amor! Eu quero pintar
Com lindas tintas de brandura e de luar
O teu perfil, nos versos que componho;
Neste místico fervor deste meu sonho!

E como sempre, lá para hora do sol-pôr
Vão só para ti querida, os meus carinhos,
Quando as aves recolhem para os ninhos
E para os currais os animais pelo pastor;

Vou prender o vento ao rosmaninho a monte
Soltar do sol raios de beleza para tua fronte
E num pomar imenso com altas nogueiras

Árvores de fruto e macieiras cheias de maçãs,
Vou despegar o aroma de todas as manhãs
Para o inalares amor, sempre que o queiras!

Alfredo Costa Pereira


MINHA DOR




“ MINHA DOR “


Eu sempre tive a dor por companheira
Na forma mais agreste e aguerrida,
Andou sempre comigo a vida inteira
Fazendo num inferno a minha vida

Dorme na minha cama, à minha beira,
Aqui neste meu peito achou guarida,
Arde como se fosse uma fogueira,
Déspota sem ter conta nem medida.

Maldigo a minha sorte, esta desdita.
A dor cavou em mim tão funda cripta,
P’ra sempre destruiu o meu viver.
 
Eu sei que é esta a minha triste sina,
Carregar esta dor que me abomina
Por toda a minha vida, até morrer.
  
Abílio Ferradeira de Brito


TANTA SAUDADE, OH, MÃEZINHA!





Tanta saudade, Oh, mãezinha!


Quis recordar o abraço terno, a infância
As peraltices muitas... longe um longo brado...
Peito ofegante, enfermeira sempre ao lado...
Um olho posto à Singer, outro à vigilância...

O teu franzino corpo, de labor marcado, 
Se retalhou em pó, e hoje evoco... à distância, 
A reprimenda doce, trajada da ânsia
De quem prevê e me alerta o esboço errado...

Remodelei o ontem... cada vão momento...
Com a agulha da memória, fio que resta, 
E nos costuro frente ao espelho do alento...

Tanta saudade, Oh, mãezinha! é a fresta
Por onde despida, busco ao firmamento,
o manto amor que se me impõe por tua destra...

Luciana Nobre


O DIA PERFEITO


Art by Jeanine Chetivet



O DIA PERFEITO


Andámos o dia inteiro de mãos dadas
Respirando os olhares de sorrisos largos;
Andámos por calçadas indefinidas
Observando lugares verdes raros;

Andámos… e chegámos ao final do dia
Longe de cansaços e plenos de amar…
Beijámos o pôr do sol em crente olhar
Vivendo o início da noite em braços dados ao dia.

Andámos… e chegámos… percebendo que beijámos,
O universo sem prever destino, os nossos passos,
O nosso crer de assim se ser, o ter de se ver.

Parámos todo o tempo, simplesmente no nosso querer,
E quando o sol beijou a lua fomos um livro aberto
Onde as estrelas iluminam o luar e lê-se o dia perfeito. 

© RÓ MAR


quarta-feira, 4 de maio de 2016

TUDO PASSA




Tudo passa


Tristeza... rio turvo em pleno estio
cortando o vale d’alma enlanguescida,
que andeja ao léu, sem rumo, sem guarida,
ferida e presa ao corpo por um fio.

E segue adiante e corre na descida,
formando lago fundo no baixio,
onde se escuta, da coruja, o pio,
tão lúgubre que não se esquece, olvida.

Águas sombrias, tenebrosas águas,
escuras, bem mais turvas do que as mágoas
que escapam pelos olhos inundados.

Mas tudo passa! O rio encontra o mar
onde se perde, sempre a se escumar,
nos véus das verdes vagas, rendilhados.

Edir Pina de Barros