quarta-feira, 18 de outubro de 2017

DE UM AZUL QUE AMOU O MUNDO




DE UM AZUL QUE AMOU O MUNDO


Quem te compôs em flor
Foi de certeza o amor
De um beijo enamorado,
De um olhar tão azulado

Quanto um céu pré-estrelado;
Quem te amou tão intenso
Foi de certeza amado;
E, assim sente-se o incenso

Que perfuma outros dias
De um olor tão profundo
Quanto o mar que sorrias;

Quem te leu os traços da alma
Foi de certeza a calma
De um azul que amou o mundo.

© RÓ MAR

terça-feira, 10 de outubro de 2017

MEU CORAÇÃO




MEU CORAÇÃO


Este meu coração tão desgastado,
cansado de sofrer de noite e dia,
anseia por amar e ser amado,
não quer mais a saudade que refreia.

Este meu coração desesperado,
vive longe de ti sem alegria,
perdido num marasmo, desolado,
morrendo de sarcasmo e agonia.

Guardo a tua imagem no meu peito,
e sofro a cada hora do meu jeito,
querendo o teu corpo junto ao meu.

Eu não sei, quantos dias vão passar,
sem a doce ternura desse olhar,
sem alcançar na terra o meu céu?

Abílio Ferradeira de Brito

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

REINCIDÊNCIA




REINCIDÊNCIA


Em viagem onírica no espaço,
Mundos novos contigo descobrindo,
Mergulhei nos teus olhos que, sorrindo,
Me fizeram pousar no teu regaço...

Beijando a terra fértil, vou subindo
Sem que a mente perceba o que faço...
Sem vergonha, pudor, ou embaraço,
Minhas mãos p'lo teu corpo vão fluindo.

Olhos nos olhos rimos, divertidos,
Cientes do pecado cometido,
Envoltos no poema dos sentidos!

Do pecado não estou arrependido,
Voltamos a pecar e, atrevidos,
Criamos um poema repetido!...

Carlos Fragata

O QUE SENTES AQUANDO O SOL TE DÁ MAIS UM DIA!?


Imagem - Bellissime Immagini 


O QUE SENTES AQUANDO O SOL
TE DÁ MAIS UM DIA!?


Deixa que a noite caia em si,
Pelo teu silêncio profundo,
Observa de longe o que vem a ti
Sem que nada reveles ao mundo.

Deixa que a madrugada brote por si,
Pelo teu olhar profundo,
Observa de longe o que vem a ti
Sem que nada inventes ao mundo.

Deixa que o pôr-do sol ilumine o dia,
Pelo teu corpo adentro, que tão treme,
Observa de perto o reflexo que em ti radia.

Deixa que a vida te leve, pelo seu leme,
Aos confins do universo e depois diz-me
O que sentes aquando o sol te dá mais um dia!?

© Ró Mar

domingo, 8 de outubro de 2017

AMOR SUBLIME




AMOR SUBLIME


Amor doce anseio, afinidade,
Sumblime sentimento, euforia,
vestido de beleza e de alegria
Que sempre nos conduz à f'licidade.

E porque é irmão gémeo da saudade,
Vivem em sintonia, mas porém,
Só pode um ‘star aqui, o outro além,
Pois ambos são a mesma realidade.

Quem tem amor, tem laivos de loucura
E ao beber dessa fonte de ternura 
Faz vibrar bem mais forte o coração.

Ninguém será feliz sem ser amado
E nesse sonho, idílio encantado,
Sentir a doce chama da paixão.

Abílio Ferradeira de Brito 

UMA EM MIL





UMA EM MIL


Nas voltas que o destino preparou,
Foram mil que meus olhos conheceram,
Mas todas nos outonos pereceram
E só a tua imagem me ficou.

Amores que no tempo se perderam,
Nevoeiros que a vida dissipou,
Tudo passei para estar onde estou,
Dando amor que nem todas mereceram.

Valeu a pena o coração magoado...
Todos os erros eu repetiria
Para te ter p’ra sempre ao meu lado.

O riso que sonhei ouvir um dia,
O brilho desse olhar apaixonado,
Tudo morava em ti... e eu sabia!...

Carlos Fragata

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O CORAÇÃO TEM SEMPRE A PORTA ABERTA


Imagem - Zzig.comunidade


O CORAÇÃO TEM SEMPRE A PORTA ABERTA


O coração tem sempre a porta aberta
Para tudo que o faz ser mais feliz, o ar
Puro da natureza e todo o verde desperta
Pelo seu caminho um outro dia para amar.

É novo tudo o que ainda tem a viver,
O que lhe dá energia para outro começo,
O dia tem momentos que o fazem ver
Noutra perspetiva de algum sucesso.

Todo o universo o ama incondicionalmente,
Pois ele, é figura pequena e autêntica,
Tem a expressão do que nunca mente.

A vida tem muitas vias mas há uma única 
Mais feliz, a constante procura e oferta,
O coração tem sempre a porta aberta.

© RÓ MAR

domingo, 1 de outubro de 2017

A PRIMAVERA DE OUTONO


Imagem - SAi$ON


A PRIMAVERA DE OUTONO


A primavera de outono tem folhas 
Coloridas e muitas outras vidas;
Natureza que pinto e tu desfolhas
Desnovelando pétalas recônditas.

Dançamos ao som de um vento meloso,
Os frutos de outras épocas, colhemos 
O olor de uma estação de tempo milagroso
E vivemos o que sempre sonhámos.

O outono vai baloiçando entre o céu
E a terra e o sol põe as meninas ao léu;
Olhando-nos de frente e pelo presente,

Observando o que pinto e tu desfolhas,
Abre-se a outro verão em mil e uma folhas:
A primavera de outono que a gente sente.

© RÓ MAR

sábado, 23 de setembro de 2017

SETE SEGREDOS




SETE SEGREDOS 


Insone, de passagem pelo sonho,
abro o leque dos sete segredos
e solto-os pelos vãos dos dedos
nos versos que sempre componho.

Se não sei agora onde os ponho,
não é somente por serem medos,
mas por causa de certos enredos
aos quais eu sempre me oponho.

Medonho é quedar assim ausente,
doente, a alma cheia de memória:
o passado enroscado no presente.

Ah! É justamente a tua ausência
que me afeta a vida (e a história)
e me põe aos pés desta demência.

Silvia Regina Costa Lima

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

MEU CORAÇÃO PELO VENTO A VERBO AMAR


Imagem - Bellissime Immagini 


MEU CORAÇÃO PELO VENTO A VERBO AMAR


Gosto do suave fresco das manhãs e seu brio
Dos passarinhos a cantar e seus ninhos,
Do verde-níveo das águas que fluem o rio,
Das gentes simples e com muitos sonhos;

Gosto de tudo que é ou faz por ser natureza,
Da vida e toda a genuína beleza,
Dos cheiros e da terra que também é minha,
Dos sentidos apurados, sorte minha!

Gosto de um beijo ou abraço pelo azul luar,
Sentir a pureza perpétuando amizades e amar,
Sem preconceitos, qualquer e todo o universo.

Gosto de escrever em jeito de verso,
Sentir a alma fluir e poder partilhar
Meu coração pelo vento a verbo amar.

© Ró Mar

MUNDO PEQUENO




Mundo pequeno


O nosso mundo, amor, ficou pequeno,
não cabe nossos sonhos, como outrora,
pois cada qual aos poucos se evapora
e tu nem vês o quanto sofro, peno.

Ficou estreito... Não, não te condeno.
Julgar-te não me cabe, mesmo agora,
que partes sem me olhar - e tudo chora -
sem degustar o vinho teu, chileno.

O que fazer, amor, de cada sonho
que tempo atrás nós dois sonhamos juntos?
Hão de morrer, por certo, pouco a pouco.

E nestes versos – que por ti componho –
hão de ficar, em meio a mais assuntos,
sinais de nosso amor, imenso e louco.

A PARTILHA DO POETA




A PARTILHA DO POETA


Não me pertencem mais os pensamentos,
Que partilho nos meus pobres sonetos!
Deixam de ser só meus, de ser secretos,
Essas partes de mim, esses fragmentos…

Há palavras que sangram meus afectos!
Outras falam de orvalhos e relentos…
De dias soalheiros ou cinzentos,
Ou de fantasmas, sombras e esqueletos…

São emoções relâmpagos da mente!
Rios de angústia presa na corrente,
De mágoas desaguando junto à foz…

São as prisões, amarras e grilhetas,
Que habitam a existência dos poetas,
Até que os sentimentos ganhem voz!...

José Manuel Cabrita Neves

domingo, 10 de setembro de 2017

DESCREVE-SE A SAUDADE QUE TEM NOSSA PRAIA


Imagem - Bellissime Immagini 


DESCREVE-SE A SAUDADE QUE TEM NOSSA PRAIA


A nossa praia é mundo mais que distante
Ainda assim é-me tão rente ao coração.
Sabe-me a deserto de um tempo errante
Onde o mar é-me espuma de paixão.

Lá, ao longe, brilham as ondas de amor
Que naufragam pelo tejo de uma canção;
Agita-se a vontade de ir ao encontro do autor
Porém a tempestade impera pela região.

A nossa praia é areal pleno de magia que avulto.
Tropeço-me pela frieza de um tempo revolto,
Arrefece-me a grafia pela solitude mor,

E, quedo rente à íngreme escadaria da poesia;
Solta-se a letra enraizada de um grande amor,
Descreve-se a saudade que tem nossa praia.

© Ró Mar

“LUAR DE AGOSTO”


Pintura de Claude Monet


“LUAR DE AGOSTO”


Vamos à floresta, amor, vamos ouvir as fontes,
A borbulharem na planície lá daqueles montes;
Os ramos de folhas das árvores estão vergados,
Para abrigarem do sol, a frescura dos relvados!

Entrega os doces lábios aos meus, sequiosos,
E esquecidos na harmonia bucólica dos prados;
Sonharemos pelas fontes solitárias, embalados 
Da brisa adormecente, os sonhos mais ditosos!

Estaremos só os dois. Cairão nos teus cabelos
As trémulas flores das tílias formando novelos!
Cheia pelas fontes, e com nenúfares amarelos,

Numa lagoa azul, ondulante em baloiços singelos,
Estará a flutuar um frágil barco, à nossa espera,
Onde, sob a magia do luar, nascerá a Primavera!

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

APENAS TU




APENAS TU


Foram tantas as mãos que me tocaram
E tantos os sorrisos que me deram...
Mas toques e sorrisos mais não eram
Do que armas com que me atraiçoaram!...

Apenas os teus olhos entenderam
O que os meus, desejosos, imploraram,
Apenas tuas mãos recuperaram
Os sentidos que em tempos se perderam...

Por nada trocaria o teu sorriso,
O teu olhar feliz, apaixonado,
Que me oferece a força que preciso.

Saber que tu existes ao meu lado
Torna mais firme até o chão que piso,
Faz-me sentir p’lo Céu abençoado!

Carlos Fragata

QUE O TEU SORRISO NUNCA SE APAGUE MINHA FLOR!


Imagem - Bellissime Immagini


QUE O TEU SORRISO NUNCA SE APAGUE MINHA FLOR!


Que o teu sorriso nunca se apague minha flor,
Pois enquanto isso, és olor primavil e grã amor
Que tenho bem guardado em todo meu ser,
Por enquanto silente, que um dia o possa dizer!

Tens a juvealidade pelos lábios estampada
E a plenitude de grã ser vidrada pelo olhar
Tuas mãos são arte tecida e adamascada,
Adivinho-te mulher prendada, que posso confiar!

És a mais fermosa e singela flor da natureza
E princesa por mim tão amada que de certeza
Nada fará o ser mais feliz que ver brilhar o dia

Pela luz de teus olhos, sentir alegria pelo dia
Resplandecendo a vida, enquanto caligrafia!
Que o teu sorriso nunca se apague minha flor!

© Ró Mar

EU SOU AQUELA




Eu sou aquela


Eu sou aquela que driblou a própria sorte
que se encontrou sem nunca andar de si perdida,
a que estancou o sangue fluido da ferida,
que a superou sem nunca ter qualquer suporte.

Eu sou aquela que enganou a própria morte,
a que voltou de seus umbrais, buscou saída,
a que venceu depois de andar demais vencida,
e renasceu do pó das cinzas livre e forte.

Porém se eu não driblasse a sorte o que seria
de mim? De meu viver? De minha travessia?
Talvez a sombra de quem sou, ou mesmo nada.

Exatamente por ser frágil – eu assumo –
persigo sempre, sem cessar, o norte, rumo,
cabeça erguida, erguida sempre a minha espada.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

REGRESSAM OS SONHOS




REGRESSAM OS SONHOS


A brisa que soprou no meu ouvido
Traz-me novas de esp’rança e amizade;
Depois, leva consigo esta saudade
E lembra o que de bom tenho vivido.

Tal qual o mar, feliz e sem idade,
Tudo na vida tenho conhecido...
Já fui tomado por louco varrido
E renasci da falsa insanidade!

Já regressei a mim, já sou mais eu,
A vida devolveu-me o que levara
E o sol do meu ser reaqueceu...

O sonho, noutro tempo coisa rara,
Regressou ao meu peito e cresceu,
Já me corre nas veias e não pára!

Carlos Fragata

domingo, 23 de julho de 2017

QUANDO HÁ EM CADA CORAÇÃO UM UNIVERSO AMAMOS


Imagem - J'ad' OR


QUANDO HÁ EM CADA CORAÇÃO UM UNIVERSO AMAMOS


Quando há em cada coração passeios, estradas, cidades
Rios, ribeiros, calçadas, ruas, vielas e outras mocidades,
Rotundas, jardins, lagos, ilhas, mares,
Pontes, montanhas, florestas e outros ares,

Somos o que vemos e ainda o que imaginamos,
Correntes de múltiplas fontes onde desenhamos,
O que já vivemos e o que ainda queremos viver.
Sempre que raíz à terra somos o cosmos a crescer.

Somos o que sonhámos e ainda o que sonhamos, 
Sempre que escutamos o nosso coração
E lhe damos a voz através da alma que somos;

Somos o que sentimos e ainda o que espelhamos,
Sempre que respiramos a nossa nação.
Quando há em cada coração um universo amamos.

© RÓ MAR


“AMOR DISTANTE”


Pintura de Berthe Morisot


“AMOR DISTANTE”


Como a estrela-cadente fulgurante,
Passaste pela minha vida inquieta;
E foi por tua causa que sou poeta;
Vivo a cantar o nosso amor distante!

Já não sei se vives longe ou perto,
Onde desfolhas o teu amor, por fim.
Mas estejas onde estiveres, é certo,
Que tu vives sempre dentro de mim.

As noites de luar sabem bem de cor
O que entre beijos loucos me dizias.
A melodia houve sempre neste amor,

Que até a tentei ensinar às cotovias!
Penso nos beijos que te dei um dia,
E nos que não dei, e são a maioria! 

Alfredo Costa Pereira


terça-feira, 4 de julho de 2017

DEI-ME À VIDA





DEI-ME À VIDA


Dei-me à vida e a vida o que me deu?
Um mar de dor, de forte ondulação,
Um mar de mágoas, acre é o meu pão,
Diz-me vida, que vida tenho eu?

Dei-me à vida e a vida me esqueceu,
Andei de lés-a-lés nesta ilusão,
Amei, lutei, sofri, fui bom cristão,
Mas tudo isto nada me valeu.

Tão pouco já me resta desta estrada,
Não tarda que termine a caminhada,
Mendigo endrajado me detenho.

Medito na razão de estar aqui
Porquê que toda a vida eu sofri,
Buscando a f’licidade e não a tenho?

Abílio Ferradeira de Brito

quarta-feira, 21 de junho de 2017

TUDO TEM UM TEMPO E A VIDA É O MOMENTO


Imagem - Bellissime Immagini


 TUDO TEM UM TEMPO E A VIDA É O MOMENTO


Um calor mais que propenso da atmosfera.
Um calor quão frenético das almas e a solidão!
Um calor mui devastador de quão coração,
E nada, nada sobre nada em cinza esfera!

Um calor que se alastra pelos demais ventos.
Um calor que não se dissolve em névoa poesia!
Um calor que se sente e mais que prantos,
E nada, nada sobre nada, resta a angústia!

Um calor por demais que um só momento.
Um calor por demais que devasta tudo.
Um calor por demais que incita o mundo.

Um calor por demais que deixa o sofrimento.
Um calor por demais que deixa a mensagem:
Tudo tem um tempo e a vida é o momento.

© Ró Mar

quarta-feira, 31 de maio de 2017

CARTÃO POSTAL



CARTÃO POSTAL

 
Os meus olhos tentam ser ligeiros
acompanhando a ágil velocidade
do trem (que se afasta da cidade)
correndo por trilhos passageiros.

Invadem-me dezenas de cheiros,
tendo o verde a indicar fertilidade.
Há um rio fluindo com serenidade
por entre as terras de fazendeiros.

Tal qual postal retirado de envelope
bonito, trazendo o tempo devolvido,
eu devaneio como menino crescido;

pois, nessas paisagens tão generosas,
lembro a infância das aleias cheirosas
e de cavalgar livre meu baio a galope.
 
Silvia Regina Costa Lima

quinta-feira, 16 de março de 2017

CORES DA MINHA VIDA...




CORES DA MINHA VIDA...


Em tons de azul m’inspiro e me enamoro, 
Porque é azul a tinta da caneta!
E porque acho mais triste a tinta preta,
Com ela escrevo as lágrimas que choro!

Com a cor verde, a minha predilecta,
Lembro a mãe Natureza que eu adoro!
Vermelho lembro a guerra que deploro!
De branco pinto anseios de poeta…

Cinzento é o inverno, o tempo frio!
Laranja, só a fruta é que aprecio!
Castanho é o outono, a ventania!

Rosa lembra-me a flor mais popular!
Amarelo é o sol a despontar,
Para me colorir o dia-a-dia!...

José Manuel Cabrita Neves

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

ESTE INCRÍVEL AMOR




ESTE INCRÍVEL AMOR
 

Antiga é esta cicatriz (que ainda dói)
tatuada em minha pele eternamente,
uma ferida que sangra e ainda corrói,
um mal que se instalou cronicamente.

Eu tenho vivido à sombra dum herói
que ocupa espaços de minha mente;
isso se transmuda em drama e destrói
todo sabor de poder viver alegremente.

Por qual razão meu ser nunca esquece,
sem contar dia, mês... e nem haver hora
que eu não te (re)lembre em uma prece?

É que só me restou, numa difícil penhora,
este incrível amor que jamais se arrefece
e sempre reaparece ao surgir da aurora!

Silvia Regina Costa Lima


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

MEUS DESEJOS




Meus desejos


São sonhos e quimeras meus desejos,
poemas que meu pensamento ensaia,
escritos sobre rendas e cambraia,
com tintas que eu extraio de teus beijos;

de fato, tenho apenas teus adejos,
prazeres que me espreitam de tocaia, 
volúpia que no leito teu se espraia,
despida de recatos, tolos pejos.

Quimeras que transmuto em doce enlevo,
porque viver sem elas nem me atrevo,
e morreria longe de teu ninho.

Esses delírios de paixão, carinho
que dentro d’alma trago e em mim aninho
são versos de um poema que te escrevo.