segunda-feira, 7 de março de 2016

SONHANDO




SONHANDO

 
No jardim dos teus olhos colhi rosas
Das mais diversas cores e odores,
Benditas essa rosas são ditosas,
Têm textura de anjos feitos flores.
 
Não há jardim mais lindo, são formosas,
Rosas que nele crescem são primores,
Por terem tal beleza e odorosas,
As rosas dos teus olhos são amores.
 
Frescas, tão bem tratadas, tão gentis,
Brilham cheias de luz como verniz
Regadas p’lo flúor das madrugadas.
 
As pequenas meninas dos teus olhos
Se cobrem com a sombra dos sobrolhos
E as rosas trá-las sempre adornadas.
 
Abílio Ferradeira de Brito

ESTE INCRÍVEL AMOR




ESTE INCRÍVEL AMOR


Antiga é esta cicatriz (que ainda dói)
tatuada em minha pele eternamente,
uma ferida que sangra e ainda corrói,
um mal que se instalou cronicamente.

Eu tenho vivido à sombra de um herói
que ocupa os espaços de minha mente
e isto se transmuda em drama e destrói
todo sabor de poder viver alegremente.
Por qual razão meu ser nunca esquece,
sem contar dia ou mês e nem haver hora
que eu não te (re)lembre em uma prece?

É que só restou, em uma difícil penhora,
este incrível amor que jamais se arrefece
e sempre permanece ao surgir da aurora!

Silvia Regina Costa Lima

sábado, 5 de março de 2016

ESTRELA POESIA




Estrela poesia 


De algo duvidava... hoje tenho certeza!!
A poesia não são asas, mas o voo...
Ela não é filha... dela nasce a beleza!
Sua voz me grita, e não eu lha entoo!

Que faz da poesia esse quê tão louco,
que tantos buscam achar, nele já perdidos?
Seria eterna? ou vinha morrendo aos poucos?
Visita a toda gente ou foge aos distraídos?

Mil perguntas lhe fiz, eu, sua ingrata fã,
sob o tolo receio de refém fazê-la,
de alexandrinos, da rima rica e anciã...

Corei de vergonha, tal a minha baixeza...
soberana, a poesia, sendo estrela,
cintilou em meu sentir, e partiu ilesa...

Luciana Nobre


RESPIRAR A SINGELEZA…




RESPIRAR A SINGELEZA…


Respirar a singeleza é ter dentro e fora de nós
O universo de sensações que permitem desencadear
Laços frutíferos que dão pela vida, nobres nós,
Amizades palpáveis que nos podem amar.

Do amor-próprio ao amor ao próximo um passo apenas
E tudo pode ser cousa pouca e muito mais que tudo!
Cabe-nos equilibrar o dia a dia nas mãos pequenas,
Que nos ensinam a trilhar os caminhos do mundo.

Não há medida certa para encontrar a felicidade!
Tenho em mente que a singeleza é quanto basta
Para amanhecer os dias e viver com naturalidade.

O que há de vir será sempre entusiasta
Desde que tenhamos plena consciência
Da pequenez que somos diante tal essência!

© RÓ MAR

INCONGRUÊNCIAS




“INCONGRUÊNCIAS”


 Eu queria saber o que não sei,
Neste meu evolar de alma poeta,
Desdobrar os sonhos que sonhei,
Florir lautos jardins e ser profeta. 
 
Um mundo bem melhor eu procurei,
Andei a navegar de forma incerta,
As águas turbulentas eu sulquei,
Mas nunca eu cheguei à descoberta.
 
Minha nau se desfez, perdeu as velas,
E assim todos os sonhos sucumbiram,
E o todo do meu eu se foi com elas.
 
Não sei o que há mim de incongruente,
Que as rosas dos meus sonhos não floriram,
E só tristeza e mágoa se presente…
 
Abílio Ferradeira de Brito

TARDE FRIA


Ilustração obra de Andreas Achenbach


TARDE FRIA


Nesta tarde fria, é cinzenta.
A cor do céu da esperança,
Que a minha alma acalenta,
Com o espírito de bonança.

Nesta tarde nostálgica, fria!
Percorre-me o pensamento,
Palavras prenhes de poesia,
Com a matriz doutro tempo.

Nesta tarde de tempestade,
Escrevi, sereno este poema.
Pra quebrar esta ansiedade,

Na alma que desejo eterna.
O antro divino da liberdade,
Éden de flores de açucena.

Joaquim Jorge de Oliveira

SONHEMOS




Sonhemos


 Mas como não sonhar se o sonho aviva
as esperanças, fontes de conforto?
Não sonha quem está, por certo, morto,
sem ver a luz de alguma alternativa.

Navio em alto mar, sem ter um porto,
sem âncora, horizonte, perspectiva,
vagando ao léu e só, sempre à deriva,
é aquele que não sonha, vive absorto

pensando apenas só na vil matéria, 
que é fonte de poder e de miséria,
também de dor, que o sonho sempre abranda.

Sonhemos pois, que o sonho regenera
os tons azuis-lilases das quimeras,
dos versos das modinhas de ciranda.

Edir Pina de Barros