sexta-feira, 4 de julho de 2014

HOMENAGEM A SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN



Casa de Sophia de Mello Breyner 
Andersen, na praia da Granja.


“ A MINHA MODESTA HOMENAGEM A

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN”



Só o mar tece, de noite e dia
Rendas de espuma, de sonho,
A chorar com um ar tristonho,
Ora a marulhar com a alegria!

Como é bonito vê-las à janela!
Quando vaga lenta as estende
Na areia molhada, uma estrela
Refletida logo me compreende.

Com o mar, e luar num ensejo,
Contava-lhes minhas crenças
Olhando as ondas, que desejo!

De casta alvura são as rendas, 
Véus de noiva que tece o mar;
Com inspiração as estou a fitar!

Alfredo Costa Pereira

A TERRA GIRA AO SOL EM PASSOS REAIS


Imagem - Bellissime Immagini 


A TERRA GIRA AO SOL 

EM PASSOS REAIS 


Ah, como desejo sorrir…! Enfim, 
Dizer ao mundo que é Primavera em mim 
E que tudo o mais foi apenas pesadelo 
D´um tempo mal dormido e não é modelo. 

Ah, como desejo sentir…! Enfim, 
Olhar o mundo como um verde jardim, 
O que tem perfume a alfazema e mais; 
O qual tenho em sonho, quero-o e demais. 

Ah, como desejo viver…! Enfim, 
Respirar o mundo pelo vento…assim, 
Às asas primaveris… um ar singelo. 

Quiçá, ter algum presente e ser sim 
Todos os dias não…pode ser que sim! 
A Terra gira ao Sol em passos reais. 

® RÓ MAR 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

SONHO COM TERNURA


Pintura de Renoir


“SONHO COM TERNURA”



De novo, tive um sonho com ternura:
Sonhei que andavas muito atarefada
A percorrer a grande e erma planura;
Quando passavas, a fragância coada

Inspirava, vinda da terra que regavas!
Dos espinhos que a teus pés calcavas,
Brotavam rosas vermelhas e olorosas;
Teus olhos eram duas fontes, airosas.

Acordei, e rasgou-se o véu do arcano!
Contemplamos silentes, e embebidos,
Penetrando nos segredos do humano!

Com nossos olhos baços e comovidos,
Agora sabíamos já não haver segredo.
E a beijar, entregamo-nos no arvoredo!

Alfredo Costa Pereira


AO NASCER DO DIA


Pintura de José Malhoa


“AO NASCER DO DIA”


Rompe a manhã num riso de beleza,
A terra a despertar da sua moleza;
O melro já canta áreas bem bizarras,
E não tarda que venham as cigarras!

Ruboriza-se o colo das montanhas,
Composições fantásticas, estranhas!
E ressurge a Natura, e rios de prata,
Tecendo na terra uma doce cascata.

A aurora convida as almas ao amor,
Às emoções de sonho encantador…
Esquecer o mundo de mãos dadas,

Sorrir e sonhar à luz das alvoradas!
Vem ouvir a rola a gemer no pinhal
Vem querida, namorar no choupal.

Alfredo Costa Pereira