segunda-feira, 13 de outubro de 2014

MEMÓRIAS

MEMÓRIAS


Da relação de amor que me deu vida,
Retenho eternamente na memória,
A sua luta às vezes tão inglória
E ao mesmo tempo nobre e aguerrida!

Só quem viveu de perto a sua história,
Conhece bem a guerra desabrida,
Pra dar comer aos filhos e dormida,
Ganhando aquela jorna irrisória…

Do nascer ao sol-pôr era o horário,
Do trabalho nos campos, um calvário!
Onde alguns frágeis corpos sucumbiam…

Um pão com azeitonas ou toucinho,
Um prato de batatas e um vinho,
Enganavam a fome, não comiam…

José Manuel Cabrita Neves

MINHA QUERIDA, FLORES DE QUÃO LAÇOS!


Imagem - Beautiful world. Nature, love, art.


MINHA QUERIDA, 

FLORES DE QUÃO LAÇOS! 


São singelas flores, minha querida,
Embrulhadas em refinada seda;
Tecida pelas camponesas da aldeia
Que penteiam corações que têm à ideia.

Níveas, tal a beleza que ais guardado,
De olho amarelo, que sou enamorado;
Escrevo nos teus olhos margaridas
A mais linda estória de nossas vidas.

São o símbolo de tais e quão segredos,
Os que ouso desnovelar ao teu lado
Pelo singelo abraço que une os namorados.

Letras que quero que sintas nos braços;
Reflexos de coração apaixonado,
Minha querida, flores de quão laços!

® RÓ MAR

ALENTEJO

 

ALENTEJO


Salpicada de lírios e poejo,
Salgada p’lo suor das mondadeiras,
Fecundada p’lo canto das ceifeiras,
É Mãe prenhe de pão, é Alentejo!

Queimada pelas tardes soalheiras,
Gente de tez morena, na qual vejo
O trabalho esforçado, o traquejo
De quem à terra deu vidas inteiras!…

Carriças, andorinhas e pardais
Dividem entre si essa riqueza,
Em agitadas danças matinais…

Terra plana, prazer da Natureza
Que se espraia nas ondas dos trigais,
Deslumbrada por ver tanta beleza!

Carlos Fragata

VASTEZA VÃ ESCORRENDO...

 

Vasteza vã escorrendo…


Vasteza vã escorrendo… ó pobres!...
Rosais de flores rubras, tristemente…
Às minhas mãos, desabrochando! Nobres…
Olhares de belas seivas, dolentes!...

Há muito pelos meus dedos, tombando...
Finas pétalas de sangue, preciosas...
Jazem sobre o meu peito em bando;
Por hortos noturnos, choram as rosas…

Vil vastidão que ora sempre deixais?!
Socalcos profundos, repletos ais;
Exaltadas, em mim, odes gigantes!..

Os meus olhos tristes e cansados,
Fulgidos de raros brilhos e fados,
Enxergam a nobreza de diamantes...

Helena Martins