quinta-feira, 7 de abril de 2016

MUTAÇÕES




Mutações

 
Eu não me vejo mais no espelho baço
de teu olhar, outrora flamejante,
e já não sou feliz, por mais que eu cante
não posso disfarçar o meu cansaço.

Agora estou aqui – nem sei que faço –
a lua cheia se tornou minguante,
já não podemos mais seguir adiante,
pois se rompeu o nó, desfez-se o laço. 

Agora em teu olhar eu vejo a bruma
da morte desse amor que em ti se esfuma,
e rendas sobre os véus dessa agonia.

Ah! Meu amado! A morte é recomeço,
pois tu renascerás do meu avesso
em forma de soneto, de poesia.

A FORÇA DA PAIXÃO




“A FORÇA DA PAIXÃO"


Irá nascer p'ra nós nova alvorada,
E tudo há - de surgir sem mais enleio,
Primavera florida e de premeio
A esp'rança sem receio engalanada.

Qual rosa em teu floral, a mais prendada,
De aromas requintados no seu meio,
Brilhando em teu decote junto ao seio
A força da paixão exacerbada.

Meus braços e teus braços com desvelos,
Unidos num abraço, fortes elos
Tecidos no amor e na verdade.

Faremos da paixão nossa bandeira,
Que nos irá guiar a vida inteira
Ao reino da mais pura f’licidade.

Abílio Ferradeira de Brito

RESPIRO UMA `CIDADE DE VERDE´




RESPIRO UMA `CIDADE DE VERDE´


Passeando a minha antiga Lisboa, no centenário
Elétrico, respiro uma `cidade de verde´, flores aos molhos
Pelo Terreiro de Paço, Cais de Sodré e o velho cacilheiro;
A magia da noite é mar estrelado aos meus olhos!

Encontro-me do lado de cá da outra banda,
Na serenidade de uma vida que me é familiar,
Debuxando outro lado, o de lá, em sonhos de uma vida
Que tem tudo para ser a maior nação que se possa imaginar!

A noite é uma criança, minha alma eternamente
Apaixonada pelo Tejo, e outros olhares despertam a mocidade
Que traz o peito ancorado em filigrana sorridente…

Qual brilha tal a ombreira de um jovem marinheiro;
Arregaçando o fino tornozelo delineia-se o mar namoradeiro
Em aguarela de uno coração de cor verde!

© RÓ MAR

quarta-feira, 6 de abril de 2016

EU CANTO O AMOR




Eu canto o amor
 

Odiar é bem mais fácil do que amar,
a generosidade dá trabalho,
exige a compaixão – o grande atalho 
que leva sempre à paz, que é luz sem par.

Se o ódio dentro d’alma eu agasalho,
não deixo espaço, não, para sonhar,
e aumento, neste mundo, a dor, penar,
(e cada qual que sofra no seu galho).

Que odeiem outros! Eu não quero não
levar um mar de fel no coração,
a fonte do egoísmo e vilania.

Eu canto e cantarei somente o amor,
a sua luz, magia, o seu candor
que em plena noite escura é estrela-guia.