domingo, 8 de maio de 2016

O AROMA DA MANHÃ


Arte de Maria Antónia Marques Gomes


“O AROMA DA MANHÔ


Gosto de ti meu amor! Eu quero pintar
Com lindas tintas de brandura e de luar
O teu perfil, nos versos que componho;
Neste místico fervor deste meu sonho!

E como sempre, lá para hora do sol-pôr
Vão só para ti querida, os meus carinhos,
Quando as aves recolhem para os ninhos
E para os currais os animais pelo pastor;

Vou prender o vento ao rosmaninho a monte
Soltar do sol raios de beleza para tua fronte
E num pomar imenso com altas nogueiras

Árvores de fruto e macieiras cheias de maçãs,
Vou despegar o aroma de todas as manhãs
Para o inalares amor, sempre que o queiras!

Alfredo Costa Pereira

MINHA DOR




“ MINHA DOR “


Eu sempre tive a dor por companheira
Na forma mais agreste e aguerrida,
Andou sempre comigo a vida inteira
Fazendo num inferno a minha vida

Dorme na minha cama, à minha beira,
Aqui neste meu peito achou guarida,
Arde como se fosse uma fogueira,
Déspota sem ter conta nem medida.

Maldigo a minha sorte, esta desdita.
A dor cavou em mim tão funda cripta,
P’ra sempre destruiu o meu viver.
 
Eu sei que é esta a minha triste sina,
Carregar esta dor que me abomina
Por toda a minha vida, até morrer.
  
Abílio Ferradeira de Brito


O DIA PERFEITO


Art by Jeanine Chetivet


O DIA PERFEITO


Andámos o dia inteiro de mãos dadas
Respirando os olhares de sorrisos largos;
Andámos por calçadas indefinidas
Observando lugares verdes raros;

Andámos… e chegámos ao final do dia
Longe de cansaços e plenos de amar…
Beijámos o pôr do sol em crente olhar
Vivendo o início da noite em braços dados ao dia.

Andámos… e chegámos… percebendo que beijámos,
O universo sem prever destino, os nossos passos,
O nosso crer de assim se ser, o ter de se ver.

Parámos todo o tempo, simplesmente no nosso querer,
E quando o sol beijou a lua fomos um livro aberto
Onde as estrelas iluminam o luar e lê-se o dia perfeito. 

© RÓ MAR

quarta-feira, 4 de maio de 2016

TUDO PASSA




Tudo passa


Tristeza... rio turvo em pleno estio
cortando o vale d’alma enlanguescida,
que andeja ao léu, sem rumo, sem guarida,
ferida e presa ao corpo por um fio.

E segue adiante e corre na descida,
formando lago fundo no baixio,
onde se escuta, da coruja, o pio,
tão lúgubre que não se esquece, olvida.

Águas sombrias, tenebrosas águas,
escuras, bem mais turvas do que as mágoas
que escapam pelos olhos inundados.

Mas tudo passa! O rio encontra o mar
onde se perde, sempre a se escumar,
nos véus das verdes vagas, rendilhados.

Edir Pina de Barros