sábado, 31 de maio de 2014

PASSEANDO PELA CIDADE DO PORTO




“PASSEANDO 

PELA CIDADE DO PORTO”


Passeando através da cidade,
Que se estende e serpenteia
Onde aparece a desigualdade
Cidade quase linda e quase feia!

Através desta cidade com névoa
O Porto, em que soa e ressoa
Na foz do rio Douro, o seu mar,
Andam vozes sempre a apregoar

Versos gostosos, e sumarentos!
Os frutos são os versos do pomar:
“Quem quer maçãs com bom paladar?”

E o mar com seus olhares ciumentos,
Num grito salgado dá logo a resposta:
“Eu tenho aqui robalo fresco da costa…”

Alfredo Costa Pereira

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O PASSADO E O PRESENTE


 Pintura de Alexander Averin


“O PASSADO E O PRESENTE” 


Tudo se esquece. Não é verdade, 
E não conheço mentira assim, 
Porque quando chega a saudade 
Ela fica logo dentro de mim! 

Tudo passa ou morre, que estupidez! 
Mas isto não pode ser verdade, 
Pois quando te vi pela primeira vez, 
Ficaste gravada na minha saudade! 

O passado e o presente são iguais 
Para quem pensa e segue seus ideais 
Sem trair, sem odiar, sem causar danos! 

A minha mão é firme, leal, serena! 
De envelhecer eu nunca terei pena 
Enquanto o coração tiver vinte anos! 

Alfredo Costa Pereira 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A SORTE


Foto: images CA7FO32A


A SORTE


Há desejos e sonhos vida fora,
Incendiando a chama de viver,
Na esp’rança do raiar de nova aurora,
No amanhã que há-de acontecer…

Tal qual os alcatruzes duma nora,
Os dias vão passando a correr,
Onde nada acontece nem melhora,
onde os sonhos acabam por morrer!...

Na expectativa de um dia qualquer,
Inesperadamente a qualquer hora,
A desejada sorte aparecer…

Ninguém ao certo sabe onde ela mora!
Mas na verdade existe e quem quiser: 
Só tem de a procurar, jogando agora!...

José Manuel Cabrita Neves

sexta-feira, 23 de maio de 2014

AMOR DE VIDA INTEIRA


Aguarela de José Mendonça


"AMOR DE VIDA INTEIRA"


O luar beija o moinho à sua beira!
Com um beijo aceso na ternura.
O rio está vivo, na cachoeira
Amor de vida inteira que perdura!

A meu lado um canto de sereia.
Abre-se a noite. A lua é nossa
A desfolhar-se toda sobrea areia,
Com uma luz de cor misteriosa.

Deitados sob um dossel de estrelas, 
Compreendo o teu canto na plenitude,
Com o meu coração em labaredas;

Já vencidos pelo cansaço da idade
Recordamos delírios de juventude,
Lado a lado sereia, ainda com vontade!

Alfredo Costa Pereira